As 3 principais complicações da cirurgia de endometriose (e por que isso importa)

Muito se fala sobre endometriose, mas ainda há pouca clareza sobre os riscos envolvidos na cirurgia, e isso tem um efeito direto. Muitas mulheres chegam ao procedimento sem entender, de fato, o que está em jogo.

Nos consultórios, é comum encontrar pacientes bem informadas sobre a doença. Mas nem sempre entendem o que a cirurgia realmente envolve.

E aqui está um ponto essencial, operar endometriose não é apenas “retirar a doença”. É um procedimento complexo, que exige planejamento cuidadoso, conhecimento profundo da anatomia e experiência com casos difíceis.

Existem riscos reais, e alguns deles são mais sérios do que a maioria imagina.

Isso não significa que complicações sejam comuns, mas sim que elas existem e precisam ser consideradas, principalmente em casos mais complexos.

Lesão do ureter: uma das complicações mais delicadas

Entre as principais complicações da cirurgia de endometriose, a lesão do ureter merece atenção especial.

O ureter é o canal que leva a urina dos rins até a bexiga.

Na endometriose profunda, ele pode estar comprimido, deslocado ou até envolvido pela doença — seja por tecido endurecido (fibrose), seja pela própria infiltração da endometriose.

Quando a cirurgia não é bem planejada, podem ocorrer problemas como:

  • lesão do ureter
  • obstrução urinária
  • necessidade de nova cirurgia
  • comprometimento do funcionamento do rim (especialmente quando não é identificado a tempo)

Por isso, reconhecer corretamente essas alterações antes e durante a cirurgia é fundamental para evitar danos mais graves.

Lesão intestinal: um dos riscos mais sérios

Outra complicação importante da cirurgia de endometriose é a lesão intestinal.

A doença pode infiltrar o intestino ou estar muito próxima dele, o que aumenta o grau de dificuldade do procedimento. Nesses casos, existe risco de:

  • perfuração intestinal
  • formação de fístulas
  • infecções
  • necessidade de ostomia (uso de bolsa intestinal temporária ou, em casos mais raros, definitiva)

É por isso que, em cirurgias mais complexas, a presença de um coloproctologista não é excesso de cuidado, é uma medida de segurança.

Uma equipe preparada consegue agir com mais rapidez e reduzir riscos.

Lesão nervosa: impacto direto na qualidade de vida

Pouco se fala sobre isso, mas a lesão de nervos pélvicos também está entre as complicações da cirurgia de endometriose que mais afetam o dia a dia da paciente.

Esses nervos são responsáveis por funções básicas do corpo, como:

  • controle da bexiga
  • funcionamento do intestino
  • resposta sexual

Quando não há técnica adequada de preservação nervosa, podem surgir:

  • dificuldade para urinar
  • alterações intestinais
  • disfunção sexual

Esse tipo de complicação não é comum em equipes experientes, mas pode acontecer quando a anatomia não é respeitada ou quando faltam técnicas específicas. E o impacto vai muito além da cirurgia em si.

Quando a cirurgia não resolve

Existe ainda um ponto importante, frequentemente negligenciado.

Mesmo após a cirurgia, a endometriose pode não ser totalmente removida.

Isso pode acontecer em lesões mais profundas ou de difícil acesso, como aquelas localizadas atrás do peritônio (uma membrana interna do abdômen), ou até por limitações técnicas do procedimento.

O resultado pode ser:

  • persistência da dor
  • manutenção dos sintomas
  • frustração após a cirurgia

Esse cenário reforça uma ideia central: a cirurgia não deve ser vista como um ato isolado, mas como parte de um plano bem estruturado.

Endometriose não é uma cirurgia simples

As complicações da cirurgia de endometriose estão diretamente ligadas à complexidade da doença.

A endometriose pode atingir vários órgãos ao mesmo tempo (como bexiga, intestino, ureteres e nervos), o que torna o tratamento:

  • mais desafiador
  • dependente de equipe multidisciplinar
  • altamente técnico

Por isso, a experiência da equipe faz diferença real no resultado, na segurança e na recuperação.

Informação também faz parte do tratamento

Entender os riscos não deve gerar medo, deve gerar consciência.

Quanto mais informada a paciente estiver, maiores são as chances de:

  • tomar decisões mais seguras
  • buscar equipes especializadas
  • reduzir riscos evitáveis

Na endometriose, informação não é apenas conteúdo, é parte do tratamento.

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Dr. Alexandre Nishimura
Dr. Alexandre Nishimura

Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.

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