Neurociência afetiva: o que seu cérebro precisa e a tela não entrega

Quando você chega com uma emoção, com um medo, com uma história ou com uma dúvida, você recebe presença ou é substituído por uma distração, por uma tela?

Nosso cérebro não foi feito para viver sozinho.

O vínculo afetivo é uma necessidade básica, assim como o sono e o alimento.

Estamos mais conectados (e menos presentes)

Olha o paradoxo do nosso tempo: estamos cada vez mais conectados e cada vez menos capazes de criar vínculos.

O celular entrega estímulo, novidade e recompensa rápida, mas não entrega o que nosso cérebro realmente precisa, que é uma troca real.

Você pode passar o dia cercado por pessoas ali, cada uma no seu feed, ou o dia imerso em mensagens e, ainda assim, se sentir profundamente sozinho, porque contato não é vínculo.

O que a neurociência diz sobre vínculo afetivo e cuidado

Quando falamos de vínculo como uma necessidade afetiva básica, estamos falando de neurociência afetiva.

Dentro dela, temos sete necessidades afetivas principais, e uma delas é o cuidado: o cuidar e o ser cuidado.

Isso só acontece quando existe uma troca real, quando existe olho no olho, quando existe toque e quando existe uma presença que sustenta o vínculo.

O impacto da tela nos relacionamentos

Agora, quando você vive uma vida em que seu cérebro está constantemente recebendo a mensagem “eu perco para a tela”, essa passa a ser a experiência predominante.

Isso pode acontecer em diversas situações, como no seu relacionamento pessoal, em uma mesa de amigos ou em uma saída de sábado à noite, em que todos estão em seus celulares.

Com o tempo, o seu cérebro passa a não reconhecer aquela presença do outro como um lugar de troca afetiva real.

Logo, você deixa de ter uma necessidade afetiva básica atendida, o que torna muito mais difícil a regulação do estresse e a própria regulação emocional.

Quando isso se repete como um padrão de presença sempre ausente, vemos uma epidemia de relacionamentos rasos e profundamente insatisfatórios.

E tantas pessoas passam a ter uma sede enorme de buscar como se relacionar justamente nas telas, na internet.

Relacionamento se desenvolve com presença, com atenção, olho no olho e com abertura para entender o universo que é o outro.

Um exercício simples para retomar o vínculo

Hoje, eu te proponho um exercício: dez minutos sem tela, na presença de quem você ama.

Você vai ver como seu corpo se sentirá e como o vínculo afetivo real é muito mais nutritivo para o nosso cérebro do que ficar tentando aprender sobre como construir vínculo aqui na internet.

Perguntas para refletir

  • Com quem eu construo vínculo de verdade na minha rotina?
  • Com quem eu posso estar inteiro, sem dividir presença?

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Dra. Marília Graner
Dra. Marília Graner

Neurologista, com especialização em neurociência comportamental e cognitiva, atua com foco na compreensão dos processos cerebrais relacionados a pensamentos, emoções e comportamentos.

Desenvolve conteúdo voltado à tradução da ciência do cérebro para o cotidiano, abordando temas como saúde mental, hábitos e organização da rotina, com ênfase em aplicações práticas baseadas em evidências.

CRM 164058 | RQE 68446

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