Dia Mundial do Café: o que a bebida faz com seu intestino

Celebrado em 14 de abril (embora também haja outras datas dedicadas à bebida ao longo do ano), o Dia Mundial do Café é uma oportunidade para valorizar não apenas o sabor, mas também os efeitos dessa bebida no organismo.

O café é muito mais do que uma bebida estimulante.

Além de ajudar a despertar e dar energia no dia a dia, ele é fonte de compostos bioativos como cafeína, ácidos clorogênicos, kahweol, cafestol e fibras solúveis.

Essas substâncias exercem efeitos surpreendentes no corpo humano, inclusive na microbiota intestinal, nosso “segundo genoma”.

Uma pesquisa mostrou que o consumo moderado de café (cerca de 3 xícaras por dia) está associado ao aumento da diversidade e da abundância de bactérias benéficas no intestino, o que pode repercutir positivamente na imunidade, metabolismo, motilidade intestinal e até mesmo na saúde mental.

Café e microbiota intestinal: o que diz a ciência

Uma revisão publicada em 2024 na revista Nutrients avaliou dezenas de estudos clínicos em humanos e modelos animais, utilizando bases como PubMed e Web of Science.

O objetivo foi reunir as evidências sobre os efeitos do café (com e sem cafeína) na composição, diversidade e crescimento da microbiota intestinal, além de investigar possíveis mecanismos envolvidos.

A análise abrangeu o impacto de componentes específicos do café (como polifenóis e fibras) sobre as principais funções gastrointestinais.

O café demonstrou aumentar a abundância de bactérias do filo Firmicutes e Actinobacteria, especialmente Bifidobacterium spp., bactérias benéficas que ajudam a manter o intestino funcionando bem e em equilíbrio.

Ao mesmo tempo, reduziu grupos potencialmente patogênicos, como enterobactérias e Proteobacteria, microrganismos que, em excesso, podem prejudicar a saúde intestinal.

Esses efeitos não dependem exclusivamente da cafeína — compostos como os ácidos fenólicos e as melanoidinas também modulam a microbiota.

Além disso, o café estimula a produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como o butirato.

Essas substâncias são produzidas pelas bactérias do intestino e ajudam a protegê-lo, reduzir inflamações e manter seu bom funcionamento.

Em paralelo, o café mostrou atuar diretamente nos receptores muscarínicos das células musculares lisas intestinais.

Na prática, isso significa que ele pode estimular o funcionamento do intestino e facilitar o trânsito intestinal, o que explica seu efeito laxativo em algumas pessoas.

Café faz bem ao intestino? Benefícios e cuidados

Celebrar o Dia Mundial do Café é também valorizar uma bebida com potenciais efeitos prebióticos.

Quando consumido com moderação, o café pode ser um aliado da saúde intestinal, favorecendo o equilíbrio da microbiota, a função imunológica e até a absorção de nutrientes.

No entanto, é importante considerar a individualidade: o excesso (mais de 5 xícaras por dia) pode estar ligado a desconfortos gastrointestinais, como refluxo e irritações em casos de doenças inflamatórias intestinais.

Um bom café pode ser o empurrão que sua microbiota precisa — que tal brindar hoje à sua saúde intestinal?

Referência

  • SAYGILI, Sena. Nutrients; 16(18):3155, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/18/3155.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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