Mês das Mães: 7 sinais de que o sofrimento materno pode estar sendo silenciado

Eu considero importante lembrar, justamente no mês em que tantas pessoas falam em celebrar as mães, que a maternidade não é feita só de alegria.

A gestação, o parto e o pós-parto também são períodos de grande vulnerabilidade emocional. Ainda assim, seguimos falando pouco sobre isso.

Existe uma fantasia social de que a notícia de uma gravidez é sempre motivo de felicidade imediata.

A mulher diz que está grávida e, quase automaticamente, recebe um parabéns. Só que a vida real não funciona assim.

Muitas gestações acontecem sem planejamento e, nesses casos, medo, culpa, angústia e frustração podem aparecer logo no início. E mesmo quando a gravidez foi desejada, isso não garante saúde mental.

O período perinatal não é um tempo apenas de plenitude.

Uma intercorrência no pré-natal, um parto diferente do imaginado, uma internação, uma dificuldade no pós-parto ou uma perda já são suficientes para desorganizar emocionalmente muitas mulheres.

O problema é que, quando a maternidade continua sendo tratada só como experiência bonita, o sofrimento real acaba sendo silenciado.

O sofrimento existe, mas nem sempre aparece de forma direta

Esse é um dos maiores desafios da saúde mental materna. O sofrimento existe, mas costuma vir mascarado. Muitas vezes, essa mulher não diz que está doente emocionalmente.

Na prática esse sofrimento pode aparecer como:

  • Irritação constante
  • Exaustão intensa ou persistente
  • Impaciência mais frequente
  • Distanciamento emocional
  • Dificuldade de vínculo com o bebê
  • Sensação de fracasso
  • Impressão de que não está conseguindo dar conta

Se o profissional não tem esse olhar, ele trata só o que aparece e não entende o sofrimento que está sustentando aquele comportamento.

Isso também acontece dentro das famílias. Em vez de perceber que essa mãe pode estar em sofrimento psíquico, muitas pessoas interpretam o comportamento dela como desleixo, frieza ou falta de amor.

O que deveria gerar observação vira crítica. O que deveria ser acolhido vira julgamento. E o que precisava de cuidado acaba sendo silenciado.

A saúde mental da mãe não diz respeito só a ela

Quando uma mulher apresenta um problema de saúde mental na gestação ou no pós-parto, isso não fica restrito a ela.

Esse sofrimento atravessa o vínculo com o bebê, interfere na forma como ela consegue cuidar, afeta o apego e pode repercutir no desenvolvimento da criança.

Por isso, saúde mental materna não é um detalhe e muito menos um tema secundário diante do pré-natal. É cuidado com a mãe e também com o recém-nascido.

Nós avançamos muito no pré-natal obstétrico. Hoje, quase todas as gestantes fazem acompanhamento médico. Mas não basta olhar pressão, exames e o desenvolvimento do bebê como se isso resumisse o cuidado.

A saúde emocional dessa mulher também precisa ser observada com seriedade.

Falar mais também é saber cuidar

Já temos uma lei que garante acompanhamento psicológico à gestante, à mulher no parto e no pós-parto. O problema é que, na prática, ainda faltam profissionais preparados para identificar, rastrear e atender esse sofrimento da forma correta.

E isso vale inclusive para a psicologia. Saúde mental materna não pode ser tratada de qualquer forma.

Não basta boa intenção, experiência pessoal ou formação generalista. Atender gestantes e mulheres no pós-parto exige conhecimento técnico e teórico sobre esse período e sobre os riscos emocionais que ele envolve.

Por isso eu considero que falar mais sobre saúde mental materna não é apenas repetir que o tema é importante. É ajudar a população a reconhecer que o sofrimento existe.

É orientar famílias e redes de apoio para que acolham em vez de julgar. É lembrar aos profissionais de saúde que esse cuidado precisa entrar na rotina.

E é válido afirmar que nenhuma mulher deveria atravessar esse período sem uma escuta.

No mês em que tanta gente fala em celebrar as mães, eu considero importante lembrar que a clínica escuta também o que nem sempre pode ser celebrado. E as duas coisas precisam existir ao mesmo tempo.

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Rafaela Schiavo.
Psic Rafaela Schiavo

Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.

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