Preocupação que não dá trégua, desânimo frequente e noites mal dormidas podem ser sinais de que a saúde mental precisa de atenção. Mas nem sempre é fácil conseguir atendimento. Em Indaiatuba, no interior de São Paulo, um aplicativo desenvolvido por pesquisadores busca ampliar as opções de cuidado oferecidas pelo SUS.
O aplicativo Conemo já está disponível nas 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.
A proposta é ajudar adultos com sintomas de ansiedade e depressão por meio de orientações e exercícios feitos pelo celular, com acompanhamento dos profissionais de saúde.
Como funciona o aplicativo para ansiedade e depressão
O Conemo oferece sessões interativas com textos, áudios e vídeos que ensinam estratégias para lidar melhor com as emoções e os sintomas que afetam o dia a dia.
Entre os temas estão a prática de atividades prazerosas, o reconhecimento das próprias emoções e o manejo da ansiedade.
As orientações seguem princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental, abordagem psicológica que trabalha a relação entre pensamentos, sentimentos e comportamentos.
Além de oferecer esse apoio aos pacientes, a plataforma permite que as equipes das UBSs identifiquem pessoas que podem precisar de ajuda e acompanhem os casos.
A participação depende de uma avaliação inicial.
Pessoas identificadas com risco moderado ou alto de suicídio não são encaminhadas para essa intervenção digital, e a equipe de saúde pode receber um alerta para providenciar o atendimento necessário.
O que os estudos descobriram sobre o aplicativo
Antes de chegar à rotina dos serviços públicos, o Conemo passou por estudos clínicos realizados entre 2016 e 2018, em São Paulo e em Lima, no Peru.
Ao todo, 610 participantes com sintomas depressivos e também hipertensão ou diabetes utilizaram o aplicativo durante seis semanas.
Os resultados, publicados em 2021 na revista científica JAMA, indicaram uma redução mais rápida dos sintomas de depressão entre quem recebeu a intervenção, em comparação com o grupo de controle.
A pesquisa ajudou a fundamentar o desenvolvimento da iniciativa.
Nas etapas seguintes, os pesquisadores ampliaram a ferramenta para incluir estratégias voltadas também à ansiedade.
Esses resultados não significam que o aplicativo funcione da mesma forma para todas as pessoas. A proposta é oferecer apoio a pacientes selecionados, sem substituir o atendimento psicológico ou médico quando ele é necessário.
Quem pode participar pelo SUS
A participação no Conemo é gratuita e destinada a pessoas com 18 anos ou mais cadastradas nas UBSs de Indaiatuba, segundo reportagem do Jornal da USP.
É necessário apresentar sintomas significativos de ansiedade e/ou depressão, não ter risco de suicídio moderado ou alto e conseguir ler as instruções em um smartphone ou tablet.
Para saber se atende aos critérios, o interessado deve procurar a UBS mais próxima. A equipe fará uma avaliação com questionários validados para identificar os sintomas e orientar o atendimento adequado.
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