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Cajá-manga faz mal para os rins? Entenda o que é mito e o que merece atenção
Se você já ouviu alguém dizer que cajá-manga faz mal para os rins, provavelmente essa frase ficou ecoando na sua cabeça na próxima vez que viu a fruta no mercado ou no copo de suco.
Esse tipo de dúvida é mais comum do que parece, principalmente entre pessoas que já tiveram pedra nos rins, pressão alta ou algum histórico de problema renal na família.
O curioso é que o cajá-manga, com seu sabor agridoce e refrescante, costuma ser visto ao mesmo tempo como algo “natural e saudável” e, paradoxalmente, como uma fruta que “pode pesar para o rim”.
Mas será que existe base científica para esse medo ou estamos diante de mais um mito alimentar que se espalhou de boca em boca?
Antes de responder diretamente, vale entender o que essa fruta realmente oferece ao corpo.
O que é o cajá-manga e por que ele gera tanta desconfiança
O cajá-manga, também conhecido como cajarana em algumas regiões do Brasil, é uma fruta tropical da mesma família do caju e da manga.
Ele se destaca pela polpa amarela intensa, pelo aroma marcante e pelo gosto levemente ácido, que costuma agradar quem gosta de sabores mais vivos.
Parte da desconfiança em relação aos rins vem justamente daí. Muitas pessoas associam alimentos ácidos à ideia de “agressão” ao organismo, como se o rim precisasse trabalhar mais para lidar com esse tipo de fruta.
Além disso, o cajá-manga aparece com frequência em sucos concentrados, que às vezes são consumidos em grandes quantidades e isso acaba reforçando a impressão de que pode haver algum risco escondido ali.
Mas o que a ciência realmente mostra é um pouco diferente.
Leia também: 15 alimentos que ajudam na saúde dos rins: opções naturais que podem proteger sua função renal
O que tem dentro do cajá-manga do ponto de vista nutricional
Como a maioria das frutas tropicais, o cajá-manga é fonte de vitamina C, fibras e compostos antioxidantes. Esses nutrientes estão ligados ao bom funcionamento do sistema imunológico, à saúde da pele e ao equilíbrio do intestino.
Além disso, ele contém potássio, um mineral essencial para a contração muscular, o funcionamento do coração e o controle dos líquidos no corpo. É justamente esse nutriente que entra no centro da discussão quando o assunto são os rins.
O potássio não é um vilão. Para pessoas saudáveis, ele faz parte de uma alimentação equilibrada e necessária. O problema aparece quando os rins não conseguem mais regular bem a quantidade desse mineral no sangue — algo que pode acontecer em casos de doença renal crônica.
Cajá-manga faz mal para os rins em quem não tem problema renal?
Para quem tem rins saudáveis, não há evidência científica de que o consumo normal de cajá-manga cause qualquer tipo de dano renal.
Os rins são órgãos altamente eficientes em filtrar o sangue e manter o equilíbrio de minerais, líquidos e resíduos. Em pessoas sem doença renal, esse sistema dá conta de lidar com o potássio e com os compostos naturais da fruta sem dificuldade.
Em outras palavras, comer cajá-manga dentro de uma alimentação variada e equilibrada não “força” os rins nem acelera problemas renais.
Então por que tanta gente acredita que a fruta pode prejudicar o rim?
Esse receio costuma nascer de três ideias que se misturam com o tempo.
A primeira é a associação entre sabor ácido e prejuízo à saúde. Apesar de parecer lógico, o gosto ácido da fruta não significa que ela vá alterar o pH do sangue ou causar sobrecarga direta aos rins.
A segunda é o medo das pedras nos rins. Muitas pessoas acreditam que certas frutas favorecem a formação de cálculos, quando, na prática, a hidratação insuficiente e o excesso de sal na dieta costumam ter um papel muito mais importante nesse processo.
A terceira, e mais próxima da realidade clínica, é a questão do potássio em quem já tem doença renal. Aqui, sim, existe um ponto de atenção, mas ele não se aplica a todo mundo.
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Quem realmente precisa ter mais cuidado com o cajá-manga
Pessoas com doença renal crônica, especialmente em estágios mais avançados, podem ter dificuldade para eliminar o excesso de potássio do sangue.
Quando isso acontece, níveis elevados desse mineral podem causar sintomas como fraqueza, formigamento e alterações no ritmo cardíaco.
Nesses casos, o consumo de frutas em geral costuma ser ajustado de forma individual, com orientação médica ou de um nutricionista especializado.
Isso não significa que o cajá-manga esteja automaticamente proibido, mas sim que a quantidade e a frequência precisam ser avaliadas de acordo com a condição de cada pessoa.
É por isso que, para quem já trata um problema nos rins, a melhor fonte de orientação não é a internet nem o conselho de conhecidos, e sim o profissional de saúde que acompanha o caso.
Veja também: Pedra no rim: o que causa, onde dói e como prevenir o cálculo renal
Cajá-manga e pedras nos rins: existe relação direta?
Até o momento, não há estudos que apontem o cajá-manga como um causador de cálculos renais.
A formação das pedras está mais relacionada a fatores como baixa ingestão de água, consumo elevado de sódio, tipo específico de cálculo e predisposição genética.
Em muitos casos, uma alimentação rica em frutas e uma boa hidratação fazem parte justamente das orientações para reduzir o risco de novas crises.
Ou seja, o problema raramente está em uma fruta isolada, mas no conjunto dos hábitos do dia a dia.
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Qual quantidade costuma ser considerada segura
Para adultos saudáveis, consumir uma ou duas porções de cajá-manga por dia, dentro de uma alimentação variada, tende a ser bem tolerado. Uma porção pode ser a fruta in natura ou um copo pequeno de suco natural, sem açúcar adicionado.
Mais importante do que a fruta em si é manter um padrão alimentar equilibrado e uma boa ingestão de água ao longo do dia — dois fatores que fazem diferença real para a saúde dos rins.
Afinal, mito ou verdade?
Para quem tem rins saudáveis, a ideia de que cajá-manga faz mal para os rins é, na prática, um mito. Consumida com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada, a fruta não representa risco renal conhecido.
Para quem já vive com algum grau de doença nos rins, a história muda um pouco. Nesse caso, o cuidado não é com o cajá-manga especificamente, mas com a ingestão de potássio no conjunto da dieta, algo que precisa ser ajustado de forma personalizada.
No fim das contas, não existe uma fruta vilã universal. O que existe é a necessidade de alinhar a alimentação às condições reais do corpo. E, quando há diagnóstico renal envolvido, essa conversa deve sempre passar pelo médico ou nutricionista.
Se você gosta de cajá-manga, pode continuar aproveitando o sabor, apenas lembrando que, como quase tudo na alimentação, o equilíbrio costuma ser o melhor aliado da saúde.
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