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Novo tratamento para câncer de próstata avançado: oncologista explica quem pode se beneficiar
Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata avançado, uma das primeiras perguntas costuma ser: ainda existem opções de tratamento?
Nos últimos anos, a medicina trouxe novos caminhos para controlar a doença, mas cada avanço também gera dúvidas.
Uma nova terapia aprovada pelas autoridades de saúde significa que todos os pacientes poderão utilizá-la? Ela substitui os tratamentos já existentes? O que muda de fato na rotina de quem enfrenta esse diagnóstico?
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou a indicação de uma opção de tratamento para homens com um tipo específico de câncer de próstata avançado.
A decisão representa uma nova possibilidade dentro da oncologia, mas não significa que todos os pacientes com a doença terão indicação para esse tratamento.
Para explicar o que essa mudança representa na prática, o SaúdeLab conversou com o oncologista Daniel Vargas, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, co-Chair do LACOG-GU e membro do comitê científico do Instituto Vencer o Câncer.
O que muda para pacientes com câncer de próstata avançado?
A principal mudança é que os médicos passam a contar com mais uma opção para personalizar o tratamento de homens com câncer de próstata metastático hormônio-sensível.
Isso permite escolher a estratégia mais adequada de acordo com as características da doença e o perfil de cada paciente.
A nova indicação aprovada pela Anvisa amplia o uso da darolutamida, um medicamento que pode ser associado ao tratamento hormonal.
Esse tratamento reduz ou bloqueia a ação da testosterona, hormônio do qual muitos tumores de próstata dependem para crescer.
Dependendo da situação clínica, a darolutamida poderá ser usada apenas com o tratamento hormonal ou também em combinação com a quimioterapia.
Segundo o oncologista Daniel Vargas, essa flexibilidade permite adaptar melhor a estratégia às necessidades de cada paciente.
“Com a nova indicação, os médicos podem utilizar a darolutamida tanto em terapia dupla quanto em terapia tripla, permitindo ajustar a estratégia às características da doença e às preferências de cada paciente, sempre considerando os riscos e benefícios de cada abordagem”, explica.
Quem pode se beneficiar dessa nova opção de tratamento?
Um dos pontos mais importantes é entender que a nova indicação não vale para todos os homens com câncer de próstata.
Ela é destinada a pacientes com câncer de próstata metastático hormônio-sensível.
O nome parece complexo, mas o conceito pode ser explicado de forma simples.
A palavra “metastático” significa que o câncer deixou a região da próstata e passou a atingir outros locais do organismo, como ossos, linfonodos, pulmões ou fígado.
Já o termo “hormônio-sensível” indica que as células do tumor ainda respondem ao bloqueio dos hormônios masculinos, especialmente a testosterona, que pode estimular o crescimento da doença.
“Quando analisamos esses dois termos juntos, entendemos que o tratamento precisa agir no corpo todo, alcançando as células tumorais onde quer que estejam”, explica o oncologista.
Nessa fase, tratamentos locais, como cirurgia ou radioterapia apenas na próstata, geralmente deixam de ser suficientes sozinhos, porque a doença já atingiu outras regiões do organismo.

Por que a testosterona é importante nesse tipo de câncer?
A testosterona é um hormônio natural do organismo masculino. Em alguns casos de câncer de próstata, porém, as células tumorais utilizam esse hormônio como um estímulo para continuar crescendo.
Por isso, uma das principais estratégias de tratamento é reduzir a ação da testosterona no organismo.
“Esse hormônio funciona como um combustível para o câncer. Ao bloquear sua produção ou ação, é possível controlar a progressão da doença”, afirma Daniel Vargas.
A nova opção aprovada pela Anvisa atua dentro dessa mesma estratégia, reforçando o bloqueio hormonal utilizado no tratamento de pacientes com câncer de próstata avançado.
A nova terapia substitui a quimioterapia?
Não. A nova aprovação não significa o fim da quimioterapia nem uma substituição automática dos tratamentos já utilizados.
Ela passa a fazer parte do conjunto de possibilidades disponíveis para o câncer de próstata avançado.
Em alguns pacientes, a estratégia pode ser utilizada sem quimioterapia, em combinação com a terapia hormonal. Em outros casos, o médico pode avaliar uma abordagem que inclua também a quimioterapia.
“A ideia é permitir uma maior flexibilidade no tratamento, adaptando a estratégia ao perfil de cada paciente e às características da doença”, explica o especialista.
A decisão depende de uma avaliação individualizada, considerando fatores como extensão do câncer, idade, outras condições de saúde e objetivos do paciente.
O que mudou no tratamento do câncer de próstata avançado nos últimos anos?
Um dos principais avanços da oncologia foi deixar de tratar todos os pacientes da mesma forma.
Hoje, os médicos buscam estratégias mais individualizadas, tentando equilibrar controle da doença, segurança e qualidade de vida.
Segundo Daniel Vargas, essa evolução permitiu oferecer tratamentos com melhor adaptação ao perfil de cada paciente.
“A grande evolução foi a possibilidade de personalização dos tratamentos e do cuidado, permitindo utilizar estratégias com menores riscos de efeitos colaterais e melhor perfil de tolerância”, destaca.
Isso significa que, além de buscar controlar o câncer por mais tempo, a medicina passou a olhar também para a rotina do paciente, suas necessidades e sua autonomia.
Por que a qualidade de vida passou a ser tão importante?
No tratamento do câncer de próstata avançado, aumentar a sobrevida continua sendo um dos principais objetivos. Mas viver mais não é o único ponto considerado.
Os médicos também avaliam como cada tratamento pode afetar o dia a dia do paciente.
Essa preocupação é especialmente importante porque muitos homens diagnosticados com câncer de próstata estão em faixas etárias mais avançadas e podem já conviver com outras doenças ou utilizar diversos medicamentos.
Segundo Daniel Vargas, tratamentos com perfis de segurança mais favoráveis podem ajudar pacientes a manter atividades importantes da rotina, como convivência familiar, trabalho e independência.
A nova opção já está disponível para pacientes do SUS?
Ainda não. A aprovação da Anvisa é uma etapa fundamental, mas não significa que o medicamento estará automaticamente disponível para todos os pacientes.
Após a autorização sanitária, existem outras etapas relacionadas a preço, cobertura e incorporação nos sistemas de saúde.
No Brasil, a definição do preço máximo passa pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). No setor privado, o acesso depende dos processos previstos para cobertura pelos planos de saúde.
Já no Sistema Único de Saúde (SUS), a tecnologia precisa passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa critérios como evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade antes de uma possível incorporação.
Segundo o especialista, o acesso a terapias oncológicas modernas ainda apresenta diferenças entre a rede pública e a saúde suplementar.
O diagnóstico de câncer de próstata avançado significa que não há mais tratamento?
Embora o diagnóstico de câncer de próstata avançado seja um momento difícil para pacientes e familiares, os avanços dos últimos anos mudaram o cenário da doença.
Em muitos casos, o objetivo do tratamento é controlar a evolução do câncer por períodos cada vez maiores, preservando também a qualidade de vida.
“A principal mensagem é de esperança e confiança na ciência”, afirma Daniel Vargas.
O oncologista reforça que informação é uma aliada importante nesse processo.
Entender as opções disponíveis, conversar com o médico e conhecer as características de cada caso ajuda pacientes e familiares a participarem das decisões sobre o tratamento.
Como a oncologia está cada vez mais personalizada, não existe uma única estratégia ideal para todos os homens. A melhor escolha depende da doença, da saúde geral do paciente e dos objetivos de cada pessoa.
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