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Carga alostática: o que acontece com o corpo após anos de estresse
Manter o corpo em movimento ao longo da vida adulta vai além de melhorar o condicionamento físico ou ajudar no controle do peso. Evidências recentes sugerem que a atividade física regular também está associada a um menor desgaste do organismo causado pelo estresse crônico, um processo silencioso que se acumula ao longo dos anos e impacta a saúde de forma profunda.
Um estudo de acompanhamento realizado na Finlândia analisou mais de 3 mil pessoas desde o início da vida adulta até a meia-idade e avaliou um indicador chamado carga alostática.
Apesar do nome técnico, o conceito é relativamente simples. Ele representa o “preço biológico” que o corpo paga quando precisa se adaptar repetidamente a situações de estresse emocional, social ou físico.
O que é carga alostática e por que ela importa
Quando o estresse é constante, vários sistemas do corpo entram em sobrecarga. Coração, metabolismo, sistema imunológico e produção hormonal passam a funcionar de forma menos eficiente.
Com o tempo, isso se reflete em maior risco de hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade, inflamação crônica, ansiedade e depressão.
Portanto, a carga alostática não está ligada apenas à sensação de cansaço. Ela indica um desgaste progressivo que pode comprometer a saúde a longo prazo.
Atividade física ao longo da vida e desgaste do organismo
Para entender como o movimento influencia a carga alostática, pesquisadores finlandeses acompanharam os hábitos de atividade física no tempo livre em dois momentos da vida adulta — aos 31 e aos 46 anos. O estudo, publicado na revista científica Psychoneuroendocrinology, organizou os participantes em quatro perfis distintos:
- Sempre sedentários: pessoas que praticamente não praticaram atividade física ao longo dos anos.
- Mais ativos com o tempo: aqueles que saíram do sedentarismo e passaram a se exercitar com regularidade na vida adulta.
- Menos ativos ao longo dos anos: indivíduos que eram ativos, mas reduziram ou abandonaram a prática com o passar do tempo.
- Sempre ativos: participantes que mantiveram uma rotina regular de exercícios da juventude até a meia-idade.
A atividade física analisada incluía exercícios moderados a intensos, como caminhar rápido, correr, pedalar ou praticar esportes, seguindo a recomendação mínima de 150 minutos por semana (o equivalente a 30 minutos em cinco dias da semana).
Os resultados foram consistentes. Pessoas que permaneceram sedentárias por muitos anos apresentaram maior carga alostática na meia-idade, sinal de maior desgaste do organismo. O mesmo padrão apareceu entre quem abandonou a prática de exercícios ao longo da vida adulta.
Em contraste, indivíduos que se mantiveram ativos — ou que passaram a se exercitar mais tarde — mostraram menor desgaste biológico e respostas mais equilibradas do corpo ao estresse crônico.
Por que se movimentar faz diferença
A prática regular de exercícios está associada a melhor regulação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, além de benefícios cardiovasculares, metabólicos e anti-inflamatórios.
Também contribui para o equilíbrio do sistema nervoso e para a saúde mental, fatores diretamente ligados à forma como o corpo reage ao estresse do dia a dia.
Os achados reforçam que nunca é tarde para começar. Mesmo após anos de sedentarismo, adotar uma rotina mais ativa pode ajudar a reduzir a carga alostática e proteger o organismo contra os efeitos cumulativos do estresse.
Mais do que estética ou performance, o movimento se mostra uma estratégia concreta de cuidado com a saúde ao longo da vida.
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