Fogos e cães: 5 atitudes que ajudam — e 4 erros que pioram o medo

Como acalmar cachorro com medo de fogos é uma dúvida frequente entre tutores, especialmente em épocas como Réveillon e outras celebrações. Para muitos cães, o barulho não é apenas incômodo, pode provocar medo intenso, crises de ansiedade e comportamentos perigosos, como tentativas de fuga, automutilação ou acidentes.

Entender por que os fogos assustam tanto cães, gatos e outros animais, e saber como agir diante dessas situações, faz toda a diferença para preservar a saúde e o bem-estar dos pets..

Por que os fogos assustam os cães?

Os cães possuem uma audição muito mais sensível do que a humana. Sons altos, súbitos e imprevisíveis, como os fogos de artifício, podem ser interpretados como uma ameaça real.

Além do barulho em si, outros fatores contribuem para o medo:

  • Estampidos repentinos e sem aviso;
  • Vibrações no ambiente;
  • Cheiros fortes liberados pela queima dos fogos;
  • Associação com experiências negativas anteriores.

Em alguns casos, esse medo pode evoluir para uma fobia sonora, condição reconhecida na medicina veterinária.

Sem manejo adequado, o problema tende a se intensificar com o passar do tempo.

Sinais de que o cachorro está com medo de fogos

Antes de pensar em como acalmar cachorro com medo de fogos, é importante reconhecer os sinais mais comuns de estresse e ansiedade, que podem variar de intensidade:

  • Tremores e rigidez corporal;
  • Ofegação excessiva;
  • Choros, latidos ou vocalização intensa;
  • Tentativa de se esconder;
  • Salivação aumentada;
  • Perda de controle urinário ou fecal;
  • Comportamento destrutivo ou tentativa de fuga.

Ao perceber esses sinais, o tutor deve agir com calma, evitando atitudes que possam aumentar o estresse do animal.

Leitura Recomendada: Vacinação para cães e gatos: guia completo para tutores

Como acalmar cachorro com medo de fogos na prática

Algumas medidas simples ajudam a reduzir o impacto do barulho e a sensação de ameaça:

1 – Crie um ambiente protegido

Feche portas e janelas para abafar o som. Cortinas, tapetes e almofadas ajudam a reduzir a reverberação. Sempre que possível, deixe o cachorro em um cômodo onde ele já se sinta seguro.

2 – Ofereça um refúgio

Muitos cães procuram espontaneamente lugares fechados. Caixas de transporte, caminhas cobertas ou cantos tranquilos da casa podem funcionar como abrigo e transmitir sensação de proteção.

3 – Use sons de fundo

Televisão, rádio ou músicas calmas ajudam a mascarar os estampidos e diminuem o impacto dos fogos.

4 – Mantenha uma postura tranquila

Os cães percebem o estado emocional dos tutores. Falar com voz calma, agir naturalmente e evitar demonstrações de nervosismo contribuem para transmitir segurança.

5 – Respeite o espaço do animal

Se o cachorro quiser se esconder, permita. Forçar colo ou interação pode piorar o medo em vez de ajudar.

O que não fazer quando o cachorro tem medo de fogos

Algumas atitudes podem intensificar o problema e devem ser evitadas:

  • Repreender, brigar ou punir o animal;
  • Tentar “acostumar” o cachorro ao barulho de forma brusca;
  • Oferecer medicamentos sem orientação veterinária;
  • Deixar o animal sozinho em áreas externas durante os fogos.

Essas práticas podem reforçar a associação negativa e aumentar o risco de traumas futuros.

Outros animais também sofrem com o barulho

Gatos e outros pets também são afetados pelos fogos.

Os gatos, por exemplo, têm audição ainda mais sensível e costumam demonstrar o estresse de forma mais discreta, como:

  • Permanecer escondidos por longos períodos;
  • Recusar alimento;
  • Apresentar agressividade repentina;
  • Tentar fugir;
  • Lamber-se excessivamente.

Aves, pequenos mamíferos e animais silvestres mantidos legalmente são ainda mais sensíveis a ruídos intensos, o que torna o acompanhamento veterinário fundamental nesses casos.

Quando procurar um veterinário?

Se o medo for muito intenso, frequente ou estiver piorando a cada evento com fogos, é importante buscar ajuda profissional.

O médico-veterinário pode avaliar o caso e indicar estratégias específicas, que podem incluir manejo comportamental e, em situações selecionadas, tratamento medicamentoso.

Fogos de artifício e saúde pública

O impacto dos fogos vai além dos animais e também envolve a saúde humana.

No Brasil, não há uma lei federal única que proíba a prática, mas existem normas relevantes.

Um decreto de 1942 regula a fabricação e o uso de fogos, e decisões mais recentes do Supremo Tribunal Federal reconhecem a autonomia dos municípios para restringir ou proibir fogos com estampido.

Além disso, projetos de lei em tramitação buscam limitar os níveis de ruído permitidos, reforçando a preocupação com crianças, idosos, pessoas com transtornos sensoriais e o bem-estar animal.

Leitura Recomendada: O que os fogos causam nos cachorros e nos gatos: descubra os riscos e como proteger seu pet!

Referências

  1. Sherman BL, Mills DS. Canine anxieties and phobias: an update on separation anxiety and noise aversions. Vet Clin North Am Small Anim Pract. 2008;38(5):1081–1106.
  2. Riemer S, van Herwijnen IR, Broekman L, et al. Not a one-way road—Severity, progression and prevention of firework fears in dogs. PLoS One. 2019;14(9):e0222902.
  3. Chin JTY, Poh SXL. Turn the volume down: Noise hypersensitivity in dogs. J Vet Behav. 2025;79:75–82.
  4. Firework aversion in cats and dogs as reported by Dutch animal owners. Vet Anim Sci. 2024;26:100402.
  5. Brasil. Decreto-Lei nº 4.238, de 8 de abril de 1942. Dispõe sobre a fabricação, comércio e uso de fogos de artifício.
  6. Brasil. Supremo Tribunal Federal. Decisão sobre competência municipal para legislar sobre fogos de artifício. 2023.
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Michele Azevedo
Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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