Consulta com ginecologista: por que adiar pode ser um erro para a saúde da mulher

Adiar consultas, conviver com cólicas incapacitantes e ignorar mudanças no corpo são situações comuns. A ginecologista Karoline Prado explica por que o acompanhamento faz diferença em todas as fases da vida.

A menstruação chega e a cólica obriga a cancelar um compromisso. Um sangramento aparece fora de época, mas a correria faz com que a mulher deixe para lá. A consulta que estava nos planos acaba sendo adiada mais uma vez.

Situações assim podem parecer corriqueiras, mas levantam uma questão importante. Até que ponto as mulheres se acostumam a conviver com desconfortos que merecem atenção?

O acompanhamento ginecológico não precisa começar quando surge um problema. No Dia do Ginecologista, celebrado hoje, 30 de outubro, vale lembrar que esse cuidado também ajuda a esclarecer dúvidas, orientar a prevenção e acompanhar as mudanças do corpo ao longo da vida.

Para a ginecologista e obstetra Dra. Karoline Prado, as consultas permitem abordar questões que vão além da investigação de enfermidades e variam conforme a fase da vida da mulher.

“A consulta ginecológica não serve apenas para descobrir doenças. Ela também serve para evitar excessos, esclarecer dúvidas e ajudar a mulher a tomar decisões conscientes sobre a própria saúde”, afirma a médica.

 A consulta não é apenas para quem sente algum sintoma

Mesmo quando está tudo aparentemente bem, a consulta ginecológica ajuda a acompanhar a saúde da mulher.

É uma oportunidade para conversar sobre a menstruação, os métodos para evitar uma gravidez, as vacinas e os exames preventivos indicados para cada fase da vida.

Isso não significa que todas as mulheres precisem fazer vários exames todos os anos. A necessidade depende da idade, do histórico de saúde e dos fatores de risco de cada pessoa.

Como explica Karoline, “prevenir é cuidar antes que um problema se torne maior, mas sempre com evidência científica e sem transformar a saúde em uma sequência interminável de exames”.

Um exemplo é a prevenção do câncer do colo do útero. O Ministério da Saúde passou a recomendar um teste que identifica diretamente os tipos de HPV associados ao desenvolvimento desse câncer. A implementação está ocorrendo gradualmente nos serviços de saúde.

Consulta ginecológica
Consulta ginecológica / Crédito: Canva

O rastreamento de rotina é indicado para mulheres e outras pessoas que têm colo do útero, entre 25 e 64 anos, que já tiveram atividade sexual. Onde o novo teste ainda não está disponível, o Papanicolau continua sendo utilizado.

A consulta ajuda a esclarecer qual exame é indicado para cada pessoa e quando ele deve ser feito.

Cólicas fortes não devem ser tratadas como parte obrigatória da vida

Há mulheres que cancelam compromissos, faltam ao trabalho ou deixam de estudar por causa das cólicas. Com o tempo, podem acreditar que esse sofrimento é inevitável.

Mas dores que impedem as atividades habituais, são muito intensas ou pioram progressivamente merecem investigação. Entre as possíveis causas estão a endometriose e a adenomiose.

Karoline alerta para a tendência de minimizar esses sintomas: “Não é adequado normalizar o sofrimento feminino ou simplesmente recomendar que a mulher aprenda a conviver com a dor” destaca.

Sangramentos fora do período menstrual, mudanças importantes no fluxo, dor durante a relação sexual e corrimento persistente com coceira, ardência ou odor forte também merecem avaliação. Nem todo sintoma indica uma doença grave, mas a automedicação frequente ou a demora em procurar ajuda podem atrasar o diagnóstico.

Após a menopausa, qualquer sangramento vaginal precisa ser investigado. Dor pélvica súbita ou muito intensa, especialmente quando há possibilidade de gravidez, e sangramento volumoso acompanhado de tontura ou fraqueza exigem atendimento urgente.

A médica reforça que não é preciso esperar os sintomas piorarem para buscar ajuda:

“A mulher não precisa esperar a dor ficar insuportável para buscar ajuda. E também não precisa se sentir culpada por procurar atendimento quando percebe que algo não está bem.”

Consulta ginecológica
Consulta ginecológica / Crédito: Canva

O cuidado começa antes mesmo da vida sexual

Segundo Karoline, “a primeira consulta ginecológica não precisa acontecer quando surge um problema. Ela é justamente o momento em que ensinamos essa menina a cuidar de si antes que o problema apareça”.

Na adolescência, esse contato permite esclarecer dúvidas sobre menstruação, cólicas, mudanças no corpo, higiene íntima e vacinação contra o HPV, mesmo antes do início da vida sexual.

O atendimento deve respeitar a idade e as necessidades da adolescente. O exame físico não é obrigatório em todas as primeiras consultas, e o exame ginecológico interno não deve ser feito automaticamente.

Na transição para a menopausa, o acompanhamento também ajuda a lidar com ondas de calor, alterações no sono e no ciclo menstrual, além de questões relacionadas à saúde sexual.

Cuidar de si também precisa entrar na rotina

Falta de tempo e responsabilidades familiares podem deixar a saúde em segundo plano. Por isso, o acolhimento durante a consulta também faz diferença.

Para Karoline, é fundamental “ouvir sem julgar, explicar sem assustar e oferecer informações para que cada paciente participe das decisões sobre o próprio corpo”, conclui a médica.

Neste Dia do Ginecologista, fica o lembrete de que cuidar da saúde não deve acontecer apenas quando surge um problema, mas fazer parte da rotina.

Leia também: Cansaço, anemia e formigamento: o que as vitaminas do complexo B têm a ver com isso

Compartilhe este conteúdo
SaúdeLAB logo
Redação SaúdeLab

SaúdeLAB é um site de notícias e conteúdo sobre saúde e bem-estar que conta com profissionais de saúde que revisam todos os conteúdos.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS