Na hora de desligar as telas começa a discussão? Especialistas explicam o que fazer

Especialistas explicam por que o segredo não é proibir celulares e videogames, mas criar uma rotina equilibrada para toda a família

“Só mais cinco minutos.” Para muitos pais, esse pedido se repete quase todos os dias quando chega a hora de desligar o celular, o tablet ou o videogame.

Nas férias escolares, com mais tempo livre e menos rotina, essas negociações costumam ficar ainda mais frequentes e nem sempre terminam bem.

Embora esse cenário fique mais evidente durante o recesso, o desafio vai muito além das férias.

Encontrar um equilíbrio entre a tecnologia e outras atividades importantes para o desenvolvimento infantil é uma preocupação constante de muitas famílias.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda evitar a exposição às telas para crianças menores de 2 anos. Entre 2 e 5 anos, o tempo deve ser limitado a, no máximo, uma hora por dia.

Dos 6 aos 10 anos, a orientação é de até duas horas diárias, sempre com supervisão. Já entre 11 e 18 anos, o limite sugerido é de duas a três horas por dia, sem comprometer o sono, a atividade física e a convivência familiar.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, o problema não está nas telas, mas na falta de equilíbrio.

“Durante as férias, por exemplo, é natural que o tempo de tela aumente um pouco. O desafio é garantir que essa atividade não substitua experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras livres, interação social, atividade física, leitura e momentos em família”, explica.

A recomendação também acompanha a visão mais recente da Academia Americana de Pediatria (AAP), que orienta os pais a observarem não apenas quanto tempo a criança passa diante das telas, mas também o que ela deixa de fazer por causa delas.

Por que desligar o celular costuma virar uma discussão?

Em muitas casas, o maior problema não é definir um limite, mas conseguir que ele seja respeitado.

Para Thaís Barbisan, estabelecer regras claras e previsíveis ajuda a evitar boa parte dos conflitos.

“Quando os combinados são definidos previamente e de forma coerente, a criança tende a compreender melhor os limites. O conflito geralmente surge quando as regras mudam constantemente ou quando os adultos tentam interromper uma atividade sem aviso prévio”, afirma.

Na prática, avisar alguns minutos antes do fim do tempo de tela e manter horários consistentes costuma funcionar melhor do que interromper a atividade de forma inesperada.

Vale a pena envolver a criança nas regras

Outra estratégia é construir os combinados junto com a criança, sempre de acordo com sua idade.

Segundo a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, isso aumenta as chances de que os limites sejam respeitados.

“É importante que os responsáveis conversem sobre os horários de uso e apresentem alternativas atrativas para o período em que a tela não estará disponível. Quando a criança sente que foi ouvida e tem outras opções de lazer, a resistência costuma diminuir”, orienta.

Brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, leitura, atividades criativas e passeios são algumas opções que ajudam a equilibrar a rotina.

Criança não larga o celular
Criança não larga o celular / Canva

Quando a criança não larga o celular ou videogame: é hora de se preocupar?

O principal sinal de alerta não é apenas o número de horas diante do celular ou do videogame. A preocupação aumenta quando a tecnologia começa a ocupar o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento.

Entre os sinais que merecem atenção estão irritabilidade quando o dispositivo é retirado, perda de interesse por outras atividades, alterações no sono, isolamento social e dificuldade de concentração nas tarefas do dia a dia.

Segundo a SBP, também é importante observar se o uso das telas está reduzindo a prática de atividades físicas, a convivência familiar ou o desempenho escolar.

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O exemplo começa dentro de casa

Criar regras apenas para os filhos costuma ser mais difícil quando os próprios adultos passam grande parte do tempo conectados.

Segundo Thaís Barbisan, o comportamento dos pais influencia diretamente a relação das crianças com a tecnologia.

“As crianças observam constantemente os comportamentos dos pais e cuidadores. Se os adultos permanecem conectados o tempo todo, torna-se mais difícil convencer os filhos sobre a importância de limitar o uso das telas. O controle precisa ser uma prática familiar.”

As especialistas também orientam que celulares, tablets e videogames não sejam usados como recompensa por bom comportamento nem como punição.

Com o tempo, isso pode aumentar ainda mais o valor emocional atribuído às telas e dificultar a criação de limites.

Como incentivar um uso mais saudável das telas

Algumas atitudes simples podem ajudar no dia a dia:

  • Defina horários de uso com antecedência.
  • Avise a criança alguns minutos antes de encerrar o tempo de tela.
  • Incentive brincadeiras, atividades físicas e momentos em família.
  • Evite o uso de dispositivos eletrônicos próximo da hora de dormir.
  • Dê o exemplo mantendo momentos da rotina livres de telas, como durante as refeições.

As telas fazem parte da infância de hoje e dificilmente deixarão de estar presentes na rotina das famílias.

O desafio não é eliminá-las, mas garantir que elas não substituam experiências essenciais para o desenvolvimento, como brincar, conviver, se movimentar e descansar.

De acordo com as especialistas, com diálogo, regras consistentes e o envolvimento de toda a família, é possível reduzir os conflitos e construir uma relação mais saudável com a tecnologia, não apenas durante as férias, mas ao longo de todo o ano.

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Redação SaúdeLab

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