A depressão que começa antes do bebê nascer

Muitos casos chamados de depressão pós-parto começam ainda na gestação. Entenda os sinais e o que a lei prevê para o cuidado.

Março costuma ganhar um tom de homenagem. Eu prefiro usar esse período para falar do básico. Saúde mental na gestação e no pós-parto é um cuidado de saúde.

Hoje sabemos que muitos casos chamados de depressão pós-parto começam ainda durante a gestação.

O que acontece é que, muitas vezes, ninguém observa que aquela mulher já está em sofrimento na gestação.

Não há avaliação, não há encaminhamento e os sintomas se cronificam. Eles se mantêm no pós-parto.

Quando isso acontece, parece depressão pós-parto, o que reforça que estamos diante de um quadro de depressão perinatal, muitas vezes iniciada na gestação.

Temos lei, mas falta profissional na ponta

A Lei 14.721 prevê encaminhamento para assistência psicológica durante a gestação e após o parto.

É uma lei que está no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Só que ainda falta o principal para isso funcionar como deveria.

Não existe psicólogo perinatal suficiente na ponta com domínio teórico e técnico para atuar na Unidade Básica de Saúde e nos hospitais. E a consequência aparece onde mais dói: na prevenção que não acontece a tempo.

Esse cuidado faz diferença porque ajuda na prevenção da depressão no pós-parto e também fortalece o vínculo entre mãe e bebê.

Sinais que merecem atenção

Eu sempre reforço que não existe sintoma específico. O que há é um sinal de sofrimento psíquico significativo que pede cuidado.

Alguns sinais aparecem com frequência na gestação e no pós-parto:

  • Choro frequente
  • Tristeza
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Sentimento de culpa
  • Medo
  • Sensação de que você perdeu o chão

Em casos mais graves, pode surgir o pensamento de fazer mal a si mesma. Isso é sinal de alerta.

Quando buscar ajuda

Se os sintomas aparecem na gestação, o caminho precisa começar no pré-natal.

O ponto é falar do que você sente e não esperar “passar”.

Quando ninguém observa e não há avaliação, o risco é esse sofrimento seguir para o pós-parto com a mesma força.

No pós-parto, é fundamental buscar uma orientação na rede onde você já está, na Unidade Básica de Saúde e no serviço hospitalar.

A lei existe, mas a oferta nem sempre acompanha. Mesmo assim, isso precisa ser dito e cuidado.

No Mês da Mulher, eu prefiro lembrar do que é básico. Saúde mental perinatal é um cuidado de saúde. É prevenção. E isso protege o vínculo entre mãe e bebê.

Leitura Recomendada: Psicóloga explica: rede de apoio no pós-parto pode salvar ou adoecer a mãe

*Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.

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Rafaela Schiavo.
Psic Rafaela Schiavo

Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.

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