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Quando a diarreia não é “só da menstruação”
A diarreia na menstruação é uma queixa frequente entre mulheres.
Por isso, muitas acabam encarando o sintoma como parte inevitável do ciclo, sem questionar suas causas.
Na maioria das vezes, essa alteração intestinal tem relação com as mudanças hormonais do período menstrual. Em outras situações, porém, pode ser um sinal de que algo mais está acontecendo e merece atenção.
Há algum tempo, atendi em consultório uma paciente que relatava algo aparentemente simples: mudanças no hábito intestinal, alternando períodos de constipação com episódios mais frequentes de diarreia.
O detalhe chamava atenção. Os sintomas se intensificavam justamente durante a menstruação.
Com o avanço da consulta, outros sinais começaram a aparecer.
Ela convivia com cólicas menstruais intensas, aumento do fluxo menstrual, dor durante a relação sexual, dor lombar com irradiação para a perna esquerda, além de fadiga persistente e cansaço excessivo.
Já havia passado por exames como colonoscopia e testes de fezes, todos sem alterações relevantes. O rótulo recebido até então era conhecido: “intestino irritável”.
Mas o conjunto de sintomas contava outra história.
Diarreia na menstruação é normal?
Em alguns casos, sim.
Durante o ciclo menstrual, especialmente nos dias que antecedem e acompanham a menstruação, o corpo feminino passa por variações hormonais importantes, principalmente relacionadas às prostaglandinas.
Essas substâncias, responsáveis por estimular a contração do útero, também podem aumentar a motilidade intestinal. Como consequência, podem surgir:
- fezes mais amolecidas;
- aumento da frequência evacuatória;
- cólicas abdominais associadas.
Quando esses episódios são leves, previsíveis e restritos ao período menstrual, geralmente não indicam um problema grave.
O ponto de atenção surge quando a diarreia na menstruação vem acompanhada de outros sintomas ou passa a interferir de forma significativa na qualidade de vida.
Quando a diarreia não é “só do ciclo”
No caso daquela paciente, o padrão não era isolado.
Havia uma soma de sinais que não combinava com um distúrbio intestinal funcional simples.
Cólica intensa que não melhora com analgésicos comuns, dor durante a relação sexual, fluxo menstrual aumentado, dores irradiadas e cansaço constante levantam uma hipótese que precisa ser considerada: a endometriose.
A endometriose pode afetar estruturas próximas ao intestino ou interferir em seu funcionamento, gerando alterações intestinais no período menstrual que simulam quadros de intestino irritável.
Por isso, não é raro que mulheres passem anos tratando apenas o sintoma intestinal, sem investigar a causa real.
“Nem toda diarreia é intestino irritável”
Esse é um ponto que sempre faço questão de reforçar.
Quando exames gastrointestinais não mostram alterações, é comum que a explicação pare ali.
Mas o diagnóstico de intestino irritável deve ser feito com critério e, principalmente, não pode ser um rótulo de conformação.
Se a diarreia aparece de forma recorrente durante a menstruação, vem associada a dor pélvica, desconforto sexual, alterações menstruais ou fadiga intensa, é fundamental ampliar a investigação e, muitas vezes, envolver outros especialistas.
O corpo não costuma “reclamar” sem motivo.
Quando procurar ajuda profissional
Você não deve normalizar a diarreia na menstruação se:
- ela é intensa ou incapacitante;
- surge junto de cólicas muito fortes;
- vem acompanhada de dor lombar ou pélvica persistente;
- interfere na rotina, no trabalho ou nas relações pessoais;
- já foi investigada apenas pelo lado intestinal, sem melhora.
Buscar uma avaliação completa é o caminho para entender o que está acontecendo e, principalmente, para deixar de conviver com o sofrimento em silêncio.
Quando o corpo insiste, é preciso escutar
Diarreia durante o período menstrual pode, sim, ter relação com o ciclo hormonal. Mas também pode ser um sinal de que algo mais está acontecendo e merece atenção.
O mais importante é não se conformar com explicações simplistas quando o corpo insiste em mostrar que algo não vai bem.
Diagnóstico correto é o primeiro passo para um cuidado efetivo e para uma vida com mais conforto e saúde.
Leitura Recomendada: Hemorroidas ou câncer colorretal: quando sintomas parecidos exigem mais atenção
Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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