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Dor nas pernas ou nas costas em crianças: nem sempre é “dor do crescimento”
Seu filho reclama de dor nas pernas, nas costas ou no pescoço e alguém logo diz que isso é “dor do crescimento”? Embora essa explicação seja bastante conhecida, especialistas alertam que ela nem sempre corresponde à realidade.
A dor musculoesquelética afeta cerca de três em cada dez crianças e adolescentes brasileiros.
Quando ela faz a criança parar de brincar, faltar à escola ou desistir de atividades de que gosta, deixa de ser apenas um incômodo e merece investigação.
Mesmo sem uma queda, machucado ou alteração nos exames, esse quadro pode afetar a qualidade de vida.
Foi o que mostrou um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros.
Durante 18 meses, os pesquisadores acompanharam 694 crianças e adolescentes com dor musculoesquelética incapacitante. Ao final do período, 86% haviam se recuperado, mas cerca de um terço voltou a apresentar episódios de dor, indicando que o problema pode ser recorrente.
Nem toda dor é causada pelo crescimento
Segundo os pesquisadores, ainda não há evidências científicas de que o processo normal de crescimento seja, por si só, responsável pelas dores frequentemente chamadas de “dor do crescimento”.
Mesmo assim, esse termo costuma ser usado para explicar diferentes tipos de dor na infância.
O problema é que essa interpretação pode levar pais e cuidadores a acreditar que basta esperar a criança crescer, atrasando a investigação quando a dor é frequente, intensa ou interfere na rotina.
No estudo, as dores apareceram com mais frequência nas costas, nas pernas e no pescoço, mas podem surgir em qualquer músculo, osso ou articulação.
O que pode influenciar a recuperação?
Os pesquisadores observaram que crianças mais novas e com melhor qualidade de vida tiveram maior chance de recuperação espontânea. Já na adolescência, essa probabilidade foi menor.
O estudo também indica que fatores ligados à qualidade de vida, como a qualidade do sono, o bem-estar emocional e o ambiente familiar, podem ajudar os profissionais a compreender melhor o quadro.
Além disso, sintomas psicossomáticos (quando emoções ou estresse se manifestam por meio de sintomas físicos) também merecem atenção durante a avaliação.
Por isso, os pesquisadores destacam que a investigação não deve se limitar apenas ao local da dor. Também é importante entender como está a qualidade de vida da criança e o contexto em que ela vive.
Quando os pais devem procurar ajuda?
Especialistas recomendam buscar avaliação médica quando a dor:
- impede a criança de brincar ou praticar esportes;
- provoca faltas frequentes à escola;
- dura vários dias ou volta repetidamente;
- interfere no sono ou nas atividades do dia a dia;
- aparece sem uma causa aparente e se torna recorrente.
Na maioria dos casos, não se trata de uma doença grave. No entanto, o acompanhamento é importante, já que episódios recorrentes de dor na infância e na adolescência estão associados a um maior risco de dor crônica na vida adulta.
Nem toda dor infantil é motivo para preocupação, mas também não deve ser automaticamente atribuída ao crescimento.
Quando ela interfere na rotina ou se repete com frequência, vale conversar com o pediatra para investigar a causa e acompanhar a evolução do quadro.
A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e da Universidade de Sydney, com apoio da FAPESP, e publicada no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.
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