Descobriu H. pylori? Estas são as 8 dúvidas que mais ouço no consultório

“Doutora, descobri H. pylori. É perigoso? Peguei de alguém? Minha família precisa fazer o exame?”

Essas são perguntas muito comuns no consultório. A Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, é uma bactéria capaz de colonizar o estômago e permanecer ali durante muitos anos se não for tratada.

A infecção é bastante frequente e muitas pessoas não apresentam sintomas. Ainda assim, sua presença merece atenção, já que está relacionada a gastrite, úlceras e, em uma parcela dos pacientes, ao aumento do risco de câncer gástrico.

Separei algumas das dúvidas que mais escuto sobre o assunto.

1. H. pylori é contagiosa? Posso transmitir para meu marido ou filhos?

Sim, existe transmissão entre pessoas, principalmente dentro do ambiente familiar. A bactéria pode ser transmitida pelas vias oral-oral e fecal-oral, e a infecção frequentemente é adquirida ainda na infância.

Por isso, quando uma pessoa é diagnosticada, é comum surgir a dúvida sobre quem mora na mesma casa.

Atualmente, existe uma atenção maior aos familiares adultos que convivem no mesmo domicílio, especialmente diante da possibilidade de infecção compartilhada. Por isso, o médico pode avaliar a necessidade de testar essas pessoas.

Isso não significa que seja necessário entrar em pânico ou separar pratos, copos e talheres. O mais importante é conversar com o médico para avaliar quem deve ser testado.

2. H. pylori pode causar câncer?

Pode aumentar o risco, mas ter H. pylori não significa que a pessoa desenvolverá câncer.

A infecção crônica pode provocar alterações progressivas na mucosa do estômago e é reconhecida como um dos principais fatores de risco para o câncer gástrico.

Por isso, erradicar a bactéria também é uma estratégia de prevenção, principalmente em pessoas que apresentam outros fatores de risco.

3. Quem tem H. pylori sempre sente sintomas?

Não. Muitas pessoas convivem com a bactéria durante anos sem apresentar qualquer sintoma. Outras podem apresentar dor ou queimação na região do estômago, empachamento, náuseas ou desconforto após as refeições.

E aqui existe um detalhe importante: encontrar H. pylori não significa necessariamente que ela seja responsável por todos os sintomas digestivos do paciente.

Uma pessoa pode tratar e eliminar a bactéria e ainda continuar apresentando sintomas, por exemplo, quando existe também dispepsia funcional.

4. H. pylori causa gastrite?

A bactéria provoca uma inflamação crônica da mucosa gástrica e é uma das principais causas de gastrite.

Também está fortemente relacionada ao desenvolvimento de úlceras gástricas e duodenais.

Mas “gastrite” é um termo frequentemente utilizado de forma genérica para qualquer dor ou queimação no estômago. Nem todo desconforto nessa região significa gastrite, e nem toda gastrite provoca sintomas.

5. Descobri H. pylori. Preciso tratar mesmo sem sintomas?

De maneira geral, quando a infecção ativa por H. pylori é identificada, a recomendação atual é realizar o tratamento para erradicação da bactéria.

O objetivo não é apenas melhorar possíveis sintomas, mas também reduzir o risco de complicações relacionadas à permanência da infecção ao longo dos anos.

6. O tratamento é difícil?

O tratamento geralmente envolve a combinação de medicamentos que reduzem a acidez do estômago com antibióticos.

É muito importante seguir corretamente os horários e completar o período prescrito, mesmo que os sintomas melhorem antes.

Interromper o tratamento ou tomar os antibióticos de maneira inadequada pode diminuir a chance de erradicação e contribuir para resistência bacteriana.

7. Depois do tratamento, preciso repetir o exame?

Sim. Essa é uma das informações mais importantes sobre H. pylori.

Melhorar dos sintomas não significa necessariamente que a bactéria foi eliminada. Por isso, após o tratamento, é necessário realizar um teste para confirmar a erradicação.

Entre as opções estão o teste respiratório da ureia e a pesquisa de antígeno do H. pylori nas fezes. Em situações específicas, a confirmação também pode ser realizada por meio da endoscopia.

O exame deve ser feito no momento adequado, porque alguns medicamentos, especialmente os inibidores de bomba de prótons e antibióticos, podem interferir no resultado.

8. H. pylori pode voltar depois de tratada?

Pode, mas é importante diferenciar duas situações.

Às vezes, a bactéria nunca foi completamente eliminada e o exame volta a ficar positivo. Em outros casos, pode ocorrer uma nova infecção após uma erradicação comprovada.

É justamente por isso que confirmar a eliminação da bactéria após o tratamento é tão importante.

O que você precisa guardar sobre H. pylori

H. pylori é uma infecção comum e tratável, mas não deve ser ignorada.

O diagnóstico adequado, o tratamento completo e, principalmente, a confirmação de que a bactéria realmente foi erradicada são etapas fundamentais.

E se alguém da sua casa também tiver sintomas digestivos ou estiver entre os familiares adultos que convivem no mesmo domicílio, vale conversar com o gastroenterologista sobre a necessidade de investigação.

A avaliação também é importante quando existem outros fatores de risco para câncer gástrico.

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Dra. Beatriz Soares.
Dra. Beatriz Soares

Dra. Beatriz Soares é gastroenterologista pela Universidade de São Paulo (USP), membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e professora universitária na Uninta. CRM 19871 e RQE 15976

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