Anticoncepcionais, menopausa e cérebro: o que um novo estudo descobriu

Anticoncepcionais hormonais, terapia hormonal na menopausa e ter uma menopausa mais tardia podem estar ligados à forma como o cérebro envelhece. É o que sugere um novo estudo.

Ao analisar exames de centenas de mulheres, os pesquisadores observaram que aquelas com esse histórico apresentavam diferenças em algumas regiões do cérebro que, segundo os autores, são compatíveis com um envelhecimento cerebral mais preservado.

Na prática, os exames dessas mulheres mostraram características que costumam estar presentes em cérebros com sinais de envelhecimento mais preservados.

Hormônios femininos e cérebro: o que pesquisadores descobriram

Os exames mostraram diferenças em regiões do cérebro ligadas a funções importantes, como memória, processamento de informações e reconhecimento visual.

Nas mulheres que haviam usado anticoncepcionais hormonais, algumas dessas regiões apresentavam maior volume quando comparadas às participantes que nunca haviam usado esse tipo de medicamento.

Entre aquelas que fizeram terapia hormonal durante a menopausa, também foram observadas diferenças em áreas relacionadas à cognição.

Outro resultado chamou a atenção.

As mulheres que entraram na menopausa mais tarde apresentavam características em algumas regiões do cérebro que, segundo os pesquisadores, costumam estar associadas a um envelhecimento cerebral mais preservado.

Em conjunto, esses resultados sugerem que a história hormonal da mulher pode estar relacionada à forma como o cérebro envelhece.

Isso significa que anticoncepcionais ou terapia hormonal fazem bem para o cérebro?

Ainda não. O estudo mostrou apenas uma associação entre o histórico hormonal das participantes e as diferenças observadas nos exames.

Por isso, não é possível concluir que anticoncepcionais hormonais ou terapia hormonal protejam o cérebro nem que reduzam o risco de doenças como o Alzheimer.

Além disso, fatores como genética, alimentação, atividade física, doenças cardiovasculares e outros hábitos de vida também influenciam a saúde cerebral e podem ter contribuído para os resultados.

Os próprios autores destacam que serão necessários novos estudos para confirmar essa relação e entender melhor como ela acontece.

O que muda para as mulheres?

Por enquanto, as recomendações médicas continuam as mesmas.

A terapia hormonal segue indicada principalmente para aliviar os sintomas da menopausa, após avaliação médica. Ela não deve ser usada com o objetivo de prevenir demência ou preservar a memória.

Outro ponto importante é que a pesquisa não comparou os diferentes tipos de anticoncepcionais hormonais nem de terapias hormonais. Por isso, ainda não é possível saber se alguma formulação teria um efeito diferente sobre o cérebro.

Embora os resultados sejam promissores, eles ainda precisam ser confirmados por estudos que acompanhem essas mulheres ao longo do tempo.

Só assim será possível entender melhor como as mudanças hormonais ao longo da vida influenciam o envelhecimento do cérebro.

O estudo foi publicado na revista científica NeuroImage e analisou 459 mulheres entre 65 e 80 anos.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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