Infiltração no joelho dói? Entenda o que acontece na articulação

Sentir dor no joelho que limita subir escadas, caminhar ou até permanecer sentado por muito tempo é uma realidade comum para muitas pessoas.

Quando analgésicos simples deixam de funcionar ou a inflamação persiste, um tratamento que costuma surgir na conversa com o médico é a infiltração no joelho.

Ainda cercado de dúvidas e até receios, esse procedimento é amplamente utilizado para controle da dor e melhora da função articular.

Entender como funciona infiltração no joelho vai além de saber que se trata de uma injeção. Trata-se de compreender o que acontece dentro da articulação, por que ela é indicada em determinados casos e quais resultados são razoáveis de esperar.

Esse conhecimento ajuda o paciente a participar da decisão terapêutica com mais segurança e menos ansiedade.

O que é infiltração no joelho e por que ela pode ser indicada

A infiltração no joelho consiste na aplicação de substâncias terapêuticas diretamente dentro da articulação.

Diferentemente de um comprimido, que circula pelo organismo inteiro, a administração intra-articular entrega o medicamento exatamente no local onde estão a inflamação e os sinais de desgaste.

Essa abordagem é utilizada principalmente quando a dor tem origem inflamatória ou degenerativa, como ocorre na osteoartrite.

De forma geral, fontes institucionais explicam que a osteoartrite envolve desgaste progressivo da cartilagem, o que favorece dor, rigidez e limitação de movimento, sintomas comuns no dia a dia e que podem motivar terapias locais para controle do quadro.

O que acontece dentro da articulação

Para compreender o mecanismo, vale imaginar a articulação como um sistema de engrenagens amortecidas por cartilagem e lubrificadas por líquido sinovial.

Quando surge inflamação, esse ambiente fica irritado, mais seco ou desgastado, gerando atrito e dor.

Dependendo da substância aplicada, a infiltração pode reduzir a atividade inflamatória local, melhorar a lubrificação da articulação, modular sinais de dor enviados ao cérebro e, em alguns casos, estimular processos de reparo tecidual.

Entidades médicas e revisões clínicas em ortopedia costumam considerar terapias intra-articulares como ferramentas úteis no manejo conservador da dor articular, especialmente quando integradas a um plano terapêutico maior que inclua reabilitação física e ajustes de estilo de vida.

Quais substâncias podem ser utilizadas

A escolha do medicamento não é padronizada para todos os casos e depende da avaliação clínica, do diagnóstico e do objetivo do tratamento (alívio rápido de crise inflamatória, melhora da função ou controle de sintomas por mais tempo).

  • Corticosteroides atuam como anti-inflamatórios potentes. Eles reduzem mediadores inflamatórios e podem trazer alívio relativamente rápido, especialmente em fases de crise dolorosa.
  • Ácido hialurônico funciona como um suplemento de viscosidade do líquido articular. Em termos práticos, ele melhora o deslizamento entre estruturas e pode beneficiar pacientes com desgaste cartilaginoso, promovendo sensação de suavidade no movimento.
  • Plasma rico em plaquetas (PRP), obtido do próprio sangue do paciente, contém fatores de crescimento associados à reparação tecidual. Ainda existem debates científicos sobre sua eficácia em todas as situações, mas ele vem sendo investigado como abordagem regenerativa em alguns contextos ortopédicos.

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Como funciona infiltração no joelho na prática clínica

O procedimento costuma ser rápido e realizado em ambiente ambulatorial. Saber o que esperar ajuda a reduzir a apreensão.

Após avaliação clínica e análise de exames de imagem, a pele é higienizada e o ponto de aplicação definido.

Em alguns casos, utiliza-se anestesia local. A agulha é posicionada cuidadosamente (por vezes com auxílio de ultrassom) e o medicamento é administrado na cavidade articular.

Para o paciente, a sensação normalmente é de leve pressão ou desconforto breve. Em geral, o retorno para casa ocorre no mesmo dia, com orientações simples de cuidados.

O período após a aplicação

Nas primeiras horas, é comum a recomendação de repouso relativo. Algumas pessoas relatam discreto aumento de sensibilidade antes da melhora, o que não necessariamente indica complicação.

Com a redução da inflamação, atividades cotidianas como caminhar no supermercado, dirigir ou levantar de cadeiras baixas podem tornar-se menos limitadas.

Ainda assim, a infiltração raramente é vista como solução isolada: fisioterapia e fortalecimento muscular continuam sendo pilares importantes para preservar a função articular.

Benefícios reais e limitações que precisam ser entendidas

Um ponto fundamental na educação do paciente é alinhar expectativas.

A infiltração não reverte completamente processos degenerativos estruturais, mas pode aliviar sintomas, melhorar mobilidade e permitir participação mais ativa na reabilitação.

Em alguns casos, contribui para adiar intervenções cirúrgicas.

Por outro lado, os efeitos variam de pessoa para pessoa e podem durar semanas ou meses.

Repetições frequentes, especialmente com corticosteroides, exigem avaliação cautelosa devido a potenciais impactos sobre tecidos locais.

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Riscos, efeitos adversos e sinais de alerta

Embora considerada segura quando indicada corretamente, infiltrações não são isentas de riscos.

Complicações são raras, mas incluem infecção, reações locais, sangramento ou aumento temporário da dor. Por isso, é importante que o procedimento seja realizado por profissional qualificado e em ambiente apropriado.

Quando procurar atendimento com urgência

Após a aplicação, procure avaliação médica se ocorrerem sinais como febre, inchaço intenso e progressivo, vermelhidão importante, dor incapacitante persistente ou dificuldade significativa de movimentação.

Reconhecer essas situações precocemente contribui para intervenção adequada e segura.

Quando a infiltração faz parte de uma estratégia maior de cuidado

Entender como funciona infiltração no joelho também implica compreender seu papel dentro de um plano terapêutico mais amplo.

Em muitos casos, o melhor resultado aparece quando o alívio da dor é usado como oportunidade para retomar movimentos com orientação e fortalecer a articulação.

Controle de peso corporal reduz sobrecarga articular, fortalecimento muscular melhora estabilidade, reeducação de movimento protege estruturas e acompanhamento médico permite ajustes conforme resposta ao tratamento.

Essa abordagem integrada está alinhada a recomendações internacionais para manejo de doenças articulares crônicas, que enfatizam intervenções combinadas e individualizadas.

Uma decisão que deve ser informada e personalizada

Para muitos pacientes, a infiltração representa um passo intermediário entre tratamentos conservadores simples e intervenções mais invasivas.

Quando bem indicada, pode contribuir significativamente para qualidade de vida e autonomia funcional.

Ainda assim, não existe resposta universal. Idade, nível de atividade, condição estrutural do joelho e histórico clínico influenciam a escolha terapêutica. Conversar com o profissional de saúde, esclarecer dúvidas e entender objetivos realistas são etapas fundamentais do processo.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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