Mães e o Janeiro Branco: o peso invisível do início do ano e como aliviar a sobrecarga emocional

Janeiro costuma ser apresentado como um mês de recomeços. Um novo ciclo, novas metas, novas rotinas. Na prática clínica, porém, observo o oposto; muitas mães chegam ao início do ano exaustas, não renovadas.

Para quem cuida de bebês, o simbolismo do “novo começo” frequentemente se soma ao cansaço acumulado do fim de ano.

Dezembro termina com rotina quebrada, sobrecarga doméstica, festas cheias, poucas pausas e muitas demandas emocionais. Janeiro chega pedindo organização, energia e decisões — e nem sempre há espaço interno para isso.

O Janeiro Branco amplia o debate sobre saúde mental, o que é importante.

Mas, para muitas mães, ele também intensifica a sensação de que é preciso “colocar tudo em ordem” logo nas primeiras semanas do ano. Quando isso não acontece, a frustração aparece.

O impacto de janeiro não é igual para todas as mulheres. Ele varia conforme a história de vida, o momento da maternidade e o apoio disponível.

Algumas mães conseguem transformar o início do ano em ação concreta. Outras ficam presas no planejamento. E há aquelas que sequer conseguem pensar em metas, porque ainda estão tentando se recuperar do cansaço anterior.

Todas essas respostas são possíveis.

O problema surge quando o contexto cultural do recomeço ignora esse cansaço prévio e transforma janeiro em um teste de desempenho emocional.

Por que tantas mães chegam sobrecarregadas em janeiro

Na prática clínica, três fatores costumam se combinar no início do ano.

O primeiro é o desgaste acumulado de dezembro.

Festas, visitas, mudanças bruscas de rotina e aumento das tarefas domésticas elevam o cansaço físico e emocional — especialmente para quem já vinha em adaptação intensa à maternidade.

O segundo é a pressão do “novo começo”.

Existe uma expectativa implícita de resolver tudo de uma vez: escola, babá, trabalho, renda, rotina da casa e planos pessoais. Para mães de bebês pequenos, essa cobrança costuma ser incompatível com a realidade.

O terceiro fator é a comparação.

As redes sociais reforçam narrativas de alta performance, planejamentos detalhados e rotinas idealizadas, que pouco dialogam com o cotidiano real de quem está cuidando de um bebê.

Quando expectativa e realidade se afastam demais, janeiro deixa de ser um recomeço e passa a ser mais uma fonte de desgaste.

Janeiro aumenta a reatividade emocional materna?

Não há evidências científicas de que mães fiquem mais reativas emocionalmente apenas por ser janeiro.

O que existe é um contexto que favorece a sobrecarga.

Cansaço acumulado, pressão simbólica do recomeço e comparação constante criam um cenário em que as emoções ficam mais intensas. Não é o calendário que pesa, mas o conjunto de exigências que ele carrega.

Alguns sinais indicam que o início do ano pode estar pesando além do razoável:

  • aumento da ansiedade,
  • irritabilidade persistente,
  • dificuldade para dormir mesmo quando o bebê dorme,
  • sensação de estar sempre em alerta,
  • choro frequente,
  • dificuldade para planejar tarefas simples
  • e sensação constante de inadequação.

Esses sinais não indicam fraqueza. Indicam que o corpo e a mente estão pedindo ajuste.

O que ajuda a reduzir a sobrecarga emocional

No Janeiro Branco, fala-se muito sobre mudanças profundas. Para as mães, o caminho costuma ser outro — menos grandioso e mais possível.

Movimento corporal leve pode ajudar a regular emoções e reduzir o estresse. Não se trata de desempenho ou metas físicas, mas de retomar, aos poucos, o contato com o próprio corpo.

Uma rotina alimentar um pouco mais estável também faz diferença.

Depois de semanas desreguladas, refeições minimamente equilibradas ajudam tanto no físico quanto no emocional.

O acompanhamento psicológico é outra ferramenta importante.

Iniciar ou retomar a terapia nos primeiros dias do ano pode ajudar a organizar o que ficou acumulado e a atravessar esse período com mais suporte.

No Janeiro Branco, fala-se muito sobre saúde mental. Para as mães, esse cuidado não precisa virar mais uma meta.

O início do ano não deve ser vivido como cobrança.

Reconhecer limites, ajustar expectativas e construir o ano possível (e não o ano idealizado) é uma forma legítima de cuidado.

Às vezes, começar o ano não é sobre fazer mais. É sobre sustentar o que já está sendo feito.

Leitura Recomendada: 6 sinais de estresse no bebê quando a casa está cheia (e a mãe começa a sentir no corpo)

*Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.

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Rafaela Schiavo.
Psic Rafaela Schiavo

Rafaela Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Dedica-se à saúde mental materna desde sua formação inicial, sendo autora de centenas de trabalhos científicos voltados à redução dos altos índices de sofrimento emocional durante a gestação e o puerpério.

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