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Medicamentos que alteram TGO e TGP: o que significa e quando se preocupar
Receber um exame de sangue com alterações em TGO e TGP costuma gerar preocupação imediata. Muitas pessoas associam esses resultados a problemas graves no fígado, sem entender exatamente o que eles representam.
Em grande parte dos casos, porém, a alteração dessas enzimas não está ligada a uma doença hepática propriamente dita. O uso de medicamentos é uma das causas mais comuns de elevação de TGO e TGP, inclusive em pessoas sem qualquer sintoma.
Por isso, entender quais medicamentos que alteram TGO e TGP, por que isso acontece e quando essa alteração merece atenção médica é fundamental para interpretar os exames com mais segurança e evitar conclusões precipitadas.
O que são TGO e TGP e qual a função desses exames
A TGO e a TGP são enzimas presentes principalmente nas células do fígado. Elas participam do metabolismo dos aminoácidos e, quando liberadas em excesso na corrente sanguínea, indicam que houve algum grau de estresse ou lesão celular.
A TGO também é conhecida como AST (aspartato aminotransferase), enquanto a TGP recebe o nome de ALT (alanina aminotransferase). Para o público em geral, elas são chamadas simplesmente de enzimas do fígado.
Esses exames não diagnosticam uma doença específica sozinhos. Eles funcionam como marcadores sensíveis, sinalizando que o fígado pode estar sendo sobrecarregado por algum fator, como álcool, infecções, gordura no fígado ou medicamentos.
Leitura Recomendada: Exame de TGO e TGP: o que são, para que servem e o que os resultados indicam
Por que medicamentos podem alterar TGO e TGP
O fígado é o principal órgão responsável por metabolizar medicamentos. Sempre que um remédio é ingerido, ele passa por processos químicos que permitem sua eliminação pelo organismo.
Durante esse processo, algumas substâncias podem gerar metabólitos que irritam temporariamente as células hepáticas. Isso faz com que pequenas quantidades de TGO e TGP sejam liberadas no sangue.
Na maioria das vezes, essa elevação é leve, transitória e não representa dano permanente ao fígado. O organismo se adapta ou os níveis retornam ao normal após o término do uso do medicamento.
Medicamentos que alteram TGO e TGP com mais frequência
Existem diversas classes de medicamentos associadas à elevação dessas enzimas. É importante destacar que nem todas as pessoas apresentam alteração e que a resposta varia conforme dose, tempo de uso e condições individuais.
Analgésicos e antitérmicos
Analgésicos de uso comum, especialmente quando utilizados com frequência ou em doses elevadas, estão entre os medicamentos que alteram TGO e TGP com mais frequência.
O uso prolongado, a automedicação e a associação com álcool aumentam o risco de sobrecarga hepática. Em geral, as alterações são leves, mas podem se tornar relevantes quando o uso é contínuo.
Por isso, mesmo medicamentos considerados seguros devem ser utilizados com orientação e dentro das doses recomendadas.
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
Os anti-inflamatórios são amplamente utilizados para dor e inflamação. Embora eficazes, eles exigem metabolização intensa pelo fígado.
Em algumas pessoas, o uso prolongado pode levar a elevação discreta de TGO e TGP. Isso ocorre com maior frequência em tratamentos longos ou quando há associação com outros medicamentos hepatotóxicos.
O acompanhamento médico é essencial quando o uso desses medicamentos se estende por semanas ou meses.
Medicamentos para colesterol (estatinas)
As estatinas são conhecidas por sua possível relação com alterações nas enzimas hepáticas. Essa elevação, na maioria das vezes, é leve e assintomática.
Estudos mostram que pequenas alterações em TGO e TGP são relativamente comuns no início do tratamento e costumam se estabilizar com o tempo.
Por esse motivo, as estatinas não devem ser suspensas automaticamente diante de alterações leves, sendo o acompanhamento clínico o fator decisivo.
Anticoncepcionais hormonais
Os anticoncepcionais orais passam por metabolização hepática e podem alterar TGO e TGP em algumas mulheres, especialmente em uso prolongado.
Essas alterações costumam ser discretas e reversíveis, mas merecem atenção em pessoas com histórico de doenças do fígado.
A avaliação individual é fundamental para definir a segurança do uso contínuo.
Antidepressivos e ansiolíticos
Diversos antidepressivos e ansiolíticos são metabolizados no fígado e podem causar elevação transitória das enzimas hepáticas.
Na maioria dos casos, essas alterações não provocam sintomas e são identificadas apenas em exames de rotina.
Ainda assim, o acompanhamento médico é importante, especialmente em tratamentos de longo prazo.
Anticonvulsivantes
Os anticonvulsivantes estão entre os medicamentos que alteram TGO e TGP com maior potencial clínico.
Alguns deles exigem monitoramento regular das enzimas hepáticas, pois podem causar elevações mais significativas em determinados pacientes.
Nesses casos, o controle periódico permite identificar precocemente qualquer alteração relevante.
Antibióticos específicos
Alguns antibióticos podem provocar elevação temporária das enzimas do fígado durante o tratamento.
Essa alteração geralmente é reversível após o término do uso e raramente evolui para lesão hepática grave.
Mesmo assim, o acompanhamento é indicado em tratamentos prolongados ou em pessoas com fatores de risco.
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Quando a alteração de TGO e TGP é considerada preocupante
Nem toda elevação de TGO e TGP indica um problema grave. A interpretação depende da intensidade da alteração e do contexto clínico.
Elevações leves e isoladas, sem sintomas, costumam ser apenas um reflexo do uso de medicamentos ou de fatores transitórios.
Já elevações persistentes, progressivas ou associadas a sintomas como mal-estar, náuseas, dor abdominal ou coloração amarelada da pele exigem investigação médica mais detalhada.
O que fazer ao identificar TGO e TGP alteradas durante o uso de medicamentos
Ao identificar alterações nos exames, o primeiro passo é não suspender o medicamento por conta própria. A interrupção inadequada pode trazer riscos maiores do que a própria alteração laboratorial.
O ideal é levar os exames ao profissional de saúde e informar todos os medicamentos em uso, incluindo suplementos e fitoterápicos.
A partir dessa avaliação, o médico poderá decidir se é necessário ajustar doses, substituir o medicamento ou apenas acompanhar os níveis das enzimas.
Como proteger o fígado durante o uso de medicamentos
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de alterações nas enzimas hepáticas durante tratamentos medicamentosos.
Evitar a automedicação, respeitar doses prescritas e não associar medicamentos sem orientação são atitudes fundamentais.
Além disso, reduzir ou evitar o consumo de álcool durante o uso de medicamentos contribui significativamente para a saúde do fígado.
Por fim, os medicamentos que alteram TGO e TGP fazem parte da rotina clínica e, na maioria das vezes, não representam um risco grave à saúde. Essas alterações costumam ser leves, temporárias e reversíveis.
Entender o papel dessas enzimas e os fatores que influenciam seus níveis ajuda a interpretar os exames com mais tranquilidade e consciência.
Diante de qualquer alteração persistente, o acompanhamento médico é essencial para garantir segurança no tratamento e preservar a saúde do fígado a longo prazo.
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