Leonard Cohen morreu dormindo há 10 anos: será que morrer durante o sono significa partir sem sofrimento?

Muita gente imagina que morrer dormindo significa partir sem sentir dor ou perceber o que está acontecendo. Mas será que isso é sempre verdade? A morte de Leonard Cohen, que completou dez anos em 7 de novembro, ajuda a trazer essa dúvida à tona.

O cantor e poeta canadense morreu aos 82 anos, em sua casa, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo seu empresário, Robert Kory, Cohen sofreu uma queda no meio da noite de 7 de novembro e morreu enquanto dormia. Na ocasião, sua morte foi descrita como repentina, inesperada e pacífica.

Poucas semanas antes, o artista havia lançado You Want It Darker, seu último álbum. Sua trajetória, marcada por canções como Hallelujah e Suzanne, atravessou gerações e conquistou admiradores em diferentes partes do mundo.

Um dos momentos marcantes de sua carreira aconteceu em 2012, durante uma apresentação em Madri, na Espanha. O jornalista André Barcinski acompanhou o espetáculo e relatou os detalhes em seu site, no texto Do Arquivo: Leonard Cohen em Madri.

Na ocasião, Cohen tinha 78 anos e comandou uma apresentação de quatro horas, com 33 músicas. Barcinski descreveu o espetáculo como uma “maratona de emoção, inspiração e virtuosismo musical”.

Em determinado momento, o cantor também se dirigiu ao público em tom de despedida. “Amigos, não sei quando voltaremos a nos encontrar…”, disse Cohen. A frase ganha um significado especial quando lembramos que ele morreria quatro anos depois.

Mas o que acontece no organismo quando alguém morre durante o sono? E quais problemas de saúde podem estar por trás disso?

Como uma emergência pode levar à morte durante o sono

Mesmo durante o sono, o organismo continua funcionando. No entanto, algumas emergências podem interromper funções essenciais e colocar a vida em risco. Entre elas estão:

  • Arritmias cardíacas graves: alterações no ritmo dos batimentos que podem impedir o coração de bombear sangue adequadamente e provocar uma parada cardíaca.
  • AVC: acontece quando um vaso sanguíneo no cérebro fica obstruído ou se rompe. Dependendo da gravidade, pode causar danos cerebrais extensos e até levar à morte.
  • Traumatismos cranianos: uma queda com pancada na cabeça pode provocar lesões graves, como hemorragias intracranianas, que também oferecem risco de morte. No caso de Leonard Cohen, porém, não foram divulgadas informações que confirmem uma lesão desse tipo ou uma relação entre a queda e seu falecimento.

Quando essas ou outras emergências comprometem funções vitais, podem levar à parada cardiorrespiratória, situação em que o coração deixa de bombear sangue e a respiração é interrompida. Ela representa um possível desfecho desses acontecimentos, e não necessariamente sua causa inicial.

Morrer dormindo é mesmo uma forma tranquila de partir?

Não necessariamente. Quando alguém é encontrado sem vida pela manhã, nem sempre é possível saber exatamente quando a morte ocorreu ou o que a provocou. Uma revisão publicada em 2025 na revista Forensic Science International explica que estimar o intervalo entre a morte e a descoberta do corpo continua sendo um desafio.

Além disso, algumas emergências podem provocar perda súbita de consciência. Outras podem ser precedidas por sintomas, como falta de ar, tontura e dor no peito, segundo a biblioteca médica MedlinePlus.

Por isso, morrer dormindo descreve as circunstâncias do falecimento, mas não permite concluir que a pessoa partiu sem sofrimento.

Quais problemas de saúde aumentam os riscos durante o sono?

Algumas condições podem aumentar a vulnerabilidade a complicações durante a noite, especialmente quando não são diagnosticadas ou acompanhadas adequadamente.

A apneia obstrutiva do sono merece atenção porque provoca interrupções repetidas da respiração durante a noite. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), esses episódios causam quedas na oxigenação do sangue e alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial.

Roncos intensos, pausas na respiração percebidas por outra pessoa e sonolência excessiva durante o dia estão entre os sinais mais comuns.

Outro fator importante é a hipertensão, ou pressão alta. Muitas vezes, ela não apresenta sintomas, mas aumenta o risco de AVC, infarto e insuficiência cardíaca.

Além da pressão alta, pessoas com doenças cardíacas, histórico de infarto ou alterações no ritmo dos batimentos precisam de acompanhamento médico.

Diabetes, colesterol elevado, obesidade e tabagismo são outros fatores associados ao aumento do risco cardiovascular. A idade avançada também contribui para esse risco.

Quais sinais não devem ser ignorados?

Algumas doenças cardíacas podem não apresentar sintomas evidentes. Entretanto, determinados sinais merecem investigação:

  • Palpitações frequentes ou batimentos irregulares.
  • Tonturas recorrentes e episódios de desmaio.
  • Falta de ar durante atividades habituais ou em repouso.
  • Dor ou pressão no peito.
  • Roncos intensos acompanhados de pausas na respiração.
  • Cansaço excessivo e sonolência durante o dia.

Pessoas com hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares devem manter consultas e exames conforme a orientação médica. Quem apresenta esses sinais também deve buscar avaliação. Dependendo do caso, o médico pode solicitar uma polissonografia para investigar distúrbios do sono.

Dor forte no peito, falta de ar intensa e perda de consciência exigem atendimento de emergência.

O mesmo vale para sinais de AVC, como boca torta, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração súbita da visão ou perda de equilíbrio. Nessas situações, deve-se acionar o SAMU pelo número 192.

A história de Leonard Cohen lembra que nem sempre conhecemos todos os detalhes de uma morte, mesmo quando ela acontece durante o sono.

Mais importante do que tentar adivinhar o que alguém sentiu é prestar atenção aos sinais do próprio corpo e investigar possíveis problemas de saúde.

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Redação SaúdeLab

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