Outubro Rosa: o tratamento acabou. Mas o medo, a cicatriz e as mudanças no corpo continuam

O tratamento do câncer de mama pode terminar, mas isso nem sempre significa que a mulher se sente pronta para voltar à vida de antes.

A cicatriz no corpo pode lembrar o que aconteceu. O espelho pode provocar estranhamento. E até uma consulta de acompanhamento pode trazer de volta o medo de que a doença retorne.

São questões que nem sempre aparecem nas primeiras conversas sobre o câncer. Quando o diagnóstico chega, a prioridade é combater o tumor.

Mas autoestima, saúde mental e vida sexual também fazem parte da qualidade de vida e merecem atenção durante e depois do tratamento.

O tratamento pode mudar a relação com o próprio corpo

Cirurgias, quimioterapia e tratamentos hormonais podem provocar mudanças no corpo.

Cicatrizes, retirada parcial ou total da mama, queda de cabelo e alterações hormonais podem modificar a maneira como a mulher se enxerga.

A ginecologista e obstetra Karoline Prado destaca que esse impacto não deve ser tratado como uma preocupação superficial.

“Autoestima não é apenas uma questão estética. A forma como a mulher se percebe pode interferir na sua vida social, afetiva e sexual. Por isso, falar sobre imagem corporal também é falar sobre saúde”, afirma.

Segundo o National Cancer Institute (NCI), mudanças na aparência provocadas pelo câncer e pelo tratamento podem afetar a autoestima e a sexualidade, inclusive durante a fase de acompanhamento.

Ressecamento e dor podem afetar a vida sexual

A sexualidade também pode mudar durante ou depois do tratamento.

Dependendo da terapia e das características de cada mulher, alterações hormonais podem contribuir para ressecamento vaginal, desconforto ou dor durante a relação e redução da libido.

Isso não significa que todas as pacientes terão esses efeitos, nem que eles serão permanentes.

O tipo de câncer, o tratamento utilizado, a idade e outros fatores individuais interferem nessa experiência.

“Ressecamento, desconforto ou dor durante a relação e diminuição da libido podem acontecer em algumas pacientes. O importante é não considerar esses sintomas como algo que precisa simplesmente ser suportado. Eles devem ser avaliados individualmente para que sejam buscadas alternativas que tragam mais conforto e qualidade de vida”, explica Karoline.

Por isso, esses sintomas podem ser levados à equipe que acompanha a paciente.

A avaliação individual ajuda a identificar as opções de cuidado mais adequadas para cada caso.

O medo pode continuar mesmo depois do tratamento

O fim da quimioterapia, da radioterapia ou da cirurgia nem sempre representa o fim da preocupação.

Exames de acompanhamento podem trazer ansiedade, e sintomas comuns do dia a dia podem ser interpretados com medo de uma possível volta da doença.

A psiquiatra Fabricia Signorelli explica que existe diferença entre uma reação emocional esperada diante de um diagnóstico grave e um sofrimento que passa a comprometer a vida cotidiana.

“É esperado que uma pessoa fique abalada diante de um diagnóstico de câncer. O problema é quando o sofrimento se torna intenso, persistente e começa a comprometer o funcionamento da vida cotidiana. Nesses casos, é importante buscar avaliação profissional”, afirma.

O NCI também destaca que o medo da recorrência pode aparecer ou aumentar depois do fim do tratamento, inclusive próximo a consultas e exames de acompanhamento.

Não é preciso ser forte o tempo todo

Também existe a expectativa de que, terminado o tratamento, a mulher simplesmente volte à vida que tinha antes.

Nem sempre isso acontece.

“Algumas pacientes continuam convivendo com o medo da doença voltar, principalmente próximo aos exames de acompanhamento. Esse sentimento precisa ser acolhido e, quando necessário, tratado”, diz Fabricia.

A especialista também chama atenção para a pressão de manter uma postura positiva durante todo o processo.

“Não precisamos transformar o enfrentamento do câncer em uma obrigação de ser forte o tempo inteiro. A mulher pode ter medo, tristeza e insegurança. O papel do cuidado em saúde mental é oferecer espaço para esses sentimentos e ajudar a pessoa a desenvolver recursos para atravessar esse período”, afirma.

Essas questões também merecem entrar na consulta

Dor durante a relação, mudanças na autoestima ou sofrimento emocional não precisam ser tratados como consequências que a mulher simplesmente deve aceitar.

Essas questões podem ser levadas ao oncologista, ginecologista ou a outros profissionais da equipe de saúde.

Quando necessário, podem ser feitos encaminhamentos para psicologia, psiquiatria, fisioterapia pélvica ou cuidados especializados em saúde sexual.

“Precisamos olhar para a paciente para além do tumor. O tratamento é fundamental, mas recuperar qualidade de vida também faz parte desse processo. Saúde íntima, autoestima e sexualidade são temas que podem e devem ser discutidos com a equipe de saúde”, afirma Karoline.

No Outubro Rosa, falar sobre câncer de mama também é lembrar que o cuidado não termina quando o tumor deixa de ser o único foco.

A saúde da mulher inclui também a forma como ela se sente, se relaciona e retoma a própria vida.

Leitura Recomendada: Pneumo 20 no SUS: quem pode tomar a vacina e como conseguir

Compartilhe este conteúdo
SaúdeLAB logo
Redação SaúdeLab

SaúdeLAB é um site de notícias e conteúdo sobre saúde e bem-estar que conta com profissionais de saúde que revisam todos os conteúdos.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS