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Respirar ar poluído pode estar roubando parte do seu QI
Respirar ar poluído pode ter consequências que vão muito além dos pulmões. Pesquisadores alertam que a poluição do ar também pode afetar o cérebro e, em larga escala, influenciar habilidades importantes como memória, aprendizado e raciocínio.
A principal preocupação envolve um tipo de poluente conhecido como PM2.5.
São partículas microscópicas presentes no ar, liberadas principalmente pela fumaça de carros, ônibus e caminhões, pela atividade de indústrias, pela geração de energia e até pela poeira que circula no ambiente.
Por serem extremamente pequenas, essas partículas conseguem penetrar profundamente no organismo quando são inaladas.
Estudos indicam que elas podem circular pela corrente sanguínea e, possivelmente, alcançar o cérebro, onde poderiam interferir em processos ligados à cognição.
Pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada a esse tipo de poluição pode estar associada a pior desempenho cognitivo ao longo da vida.
Pequenas perdas podem gerar grande impacto coletivo
Para medir habilidades cognitivas, muitos estudos utilizam o quociente de inteligência (QI), indicador relacionado a capacidades como memória, raciocínio e resolução de problemas.
Uma análise que reuniu pesquisas internacionais encontrou uma associação consistente entre níveis mais altos de PM2.5 e pequenas reduções nas pontuações de QI em crianças.
Isoladamente, essa diferença pode parecer pequena. Mas quando o efeito é multiplicado por bilhões de pessoas expostas à poluição diariamente, o impacto coletivo pode se tornar significativo.
- Cerca de 16 bilhões de pontos de QI poderiam ser perdidos entre crianças em todo o mundo, segundo os modelos usados pelos pesquisadores.
- Considerando toda a população global, esse número poderia chegar a aproximadamente 65 bilhões de pontos de QI.
Os próprios autores destacam que essas estimativas devem ser interpretadas com cautela, já que grande parte das pesquisas disponíveis foi realizada principalmente com crianças.
Impacto pode ser maior em países mais pobres
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 9 em cada 10 pessoas no mundo respirem ar mais poluído do que o recomendado.
Além disso, a exposição não é igual em todos os lugares.
Em muitos países de baixa renda, os níveis de poluição do ar são mais altos.
Ao analisar dados globais, os cientistas estimaram que o impacto médio associado à poluição pode variar bastante entre regiões.
Em alguns locais seria pequeno, enquanto em outros poderia chegar a quase 19 pontos de QI em média, dependendo do nível de exposição.
Isso sugere que a poluição do ar pode acabar ampliando desigualdades já existentes entre países mais ricos e mais pobres.
O estudo que levantou essas discussões foi publicado na revista científica npj Clean Air.
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