Book Appointment Now

Anvisa alerta para riscos do preenchimento dérmico
Agência diz que aplicação fora das indicações pode causar complicações graves
O preenchimento dérmico virou um dos procedimentos estéticos mais procurados nos consultórios brasileiros nos últimos anos. Usado para suavizar rugas, devolver volume ao rosto e melhorar o contorno facial, ele costuma ser visto como um procedimento rápido e relativamente simples.
Mas um alerta recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu um sinal de atenção.
Segundo a agência, quando esse tipo de aplicação é realizado fora das indicações aprovadas ou em quantidades inadequadas, o risco de complicações pode aumentar, incluindo problemas vasculares e até perda de visão em casos raros.
A popularização do procedimento nas redes sociais e em clínicas estéticas também contribuiu para o aumento da procura. Por isso, o órgão regulador reforçou orientações sobre o uso seguro dos produtos injetáveis utilizados nesse tipo de tratamento.
O comunicado destaca que os materiais usados no preenchimento dérmico são classificados como dispositivos médicos de alto risco. Isso exige cuidados específicos na aplicação e no acompanhamento do paciente.
O que é o preenchimento dérmico
O preenchimento dérmico é um procedimento em que substâncias são injetadas na pele para suavizar rugas, corrigir sulcos ou restaurar o volume de determinadas áreas do rosto.
Entre os produtos mais utilizados estão:
- ácido hialurônico
- hidroxiapatita de cálcio
- poli-L-ácido lático (PLLA)
- preenchedores permanentes à base de PMMA (polimetilmetacrilato)
Essas substâncias podem preencher sulcos, devolver volume perdido ou estimular a produção de colágeno, contribuindo para melhorar o contorno facial e a aparência da pele.
Apesar de serem amplamente usados na estética, esses materiais exigem controle e regulamentação, já que são aplicados diretamente na pele por meio de injeções.
Por isso, todos precisam possuir registro na Anvisa para serem comercializados e utilizados no Brasil.
O preenchimento dérmico é seguro?
Quando realizado por profissionais qualificados e seguindo as indicações corretas de cada produto, o preenchimento dérmico é considerado um procedimento seguro e amplamente utilizado na medicina estética.
No entanto, assim como qualquer intervenção que envolve substâncias injetáveis, ele não está totalmente livre de riscos.
Complicações podem ocorrer principalmente quando há uso inadequado do produto, aplicação em áreas não recomendadas ou quando o procedimento é realizado sem a avaliação adequada do paciente.
Quando o risco aumenta
Segundo a Anvisa, problemas podem surgir quando o preenchimento dérmico é aplicado em regiões do corpo que não estão previstas nas instruções de uso do produto ou em volumes maiores do que os indicados.
Essas orientações fazem parte das recomendações dos fabricantes e são definidas com base em estudos de segurança.
Quando essas recomendações não são seguidas, podem aparecer efeitos adversos que variam de leves a graves, dependendo da substância utilizada e da forma de aplicação.
Complicações que já foram relatadas
Entre as complicações mais sérias associadas ao uso inadequado do preenchimento dérmico estão as chamadas complicações vasculares, que afetam a circulação sanguínea.
Há relatos de casos como:
- embolia pulmonar
- perda de visão temporária ou permanente causada pela oclusão de vasos sanguíneos
- inflamações crônicas chamadas granulomas, que são pequenos nódulos formados pela reação do organismo ao produto
- aumento do nível de cálcio no sangue (hipercalcemia), uma complicação rara associada a reações inflamatórias
- formação de cálculos renais
- insuficiência renal, em situações que podem exigir hemodiálise
Embora essas complicações não sejam comuns, elas podem ocorrer principalmente quando o procedimento é realizado fora das indicações corretas ou sem os cuidados necessários.
Complicações vasculares, por exemplo, são consideradas raras, mas exigem diagnóstico rápido e tratamento imediato para evitar consequências permanentes.
O que verificar antes de fazer o procedimento
A Anvisa recomenda alguns cuidados importantes para quem pretende realizar preenchimento dérmico.
O primeiro passo é procurar um profissional de saúde qualificado, que possa avaliar o caso individualmente e explicar os possíveis riscos do procedimento.
Também é importante verificar:
- se o produto utilizado possui registro na Anvisa
- se o local do procedimento é autorizado para esse tipo de atendimento
- se o profissional possui formação e qualificação adequadas
Antes da aplicação, o profissional deve apresentar o plano de tratamento e orientar o paciente sobre possíveis complicações imediatas, precoces ou tardias.
Cartão do produto é um detalhe importante
Outro ponto destacado pela Anvisa é a chamada rastreabilidade do produto; ou seja, a possibilidade de identificar exatamente qual material foi aplicado no paciente.
Após o procedimento, o paciente deve receber um cartão com informações sobre o preenchedor utilizado, como:
- marca
- número do lote
- fabricante
Uma cópia dessas informações também deve ficar registrada no prontuário.
Esse registro ajuda no acompanhamento do paciente e pode ser fundamental caso seja necessário investigar alguma reação adversa no futuro.
O que fazer em caso de complicação
Se surgirem sintomas após o preenchimento dérmico, é importante procurar assistência médica imediatamente. Alguns sinais que exigem atenção incluem:
- dor intensa
- alteração de cor na pele
- inchaço incomum
- problemas de visão
Também é possível comunicar suspeitas de reações adversas à própria Anvisa.
Denúncias sobre produtos irregulares, empresas não licenciadas ou divulgação inadequada desses procedimentos podem ser feitas por meio do sistema Fala.BR, da Ouvidoria da agência.
Nos últimos anos, o órgão regulador tem reforçado os alertas sobre o uso seguro de produtos injetáveis na estética, principalmente em situações em que o preenchimento dérmico é realizado fora das indicações aprovadas.
Leitura Recomendada: Cúrcuma em cápsulas vira alvo de alerta por possível risco ao fígado



