Prevenção da doença de Alzheimer: agir cedo antes da demência

Eu estava conversando com uma paciente e decidi trocar essa ideia com vocês aqui também. A demência na doença de Alzheimer costuma se manifestar mais tarde, geralmente por volta dos 70 anos.

Mas os processos biológicos da própria doença de Alzheimer costumam começar bem antes — muitas vezes até 20 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos.

Meia-idade: o momento-chave para a prevenção do Alzheimer

Isso significa que, na meia-idade, entre 50 e 60 anos, a gente já está numa idade mais do que ideal para pensar em prevenção.

Assim, mesmo nos casos em que a demência de Alzheimer venha a se manifestar no futuro, a gente consegue entregar uma maior reserva cognitiva para o nosso cérebro.

Pensar em prevenção, claro, é um processo que envolve a vida inteira.

Mas é muito importante entender que a prevenção da doença de Alzheimer não está em um suplemento, em algo que você tome e que magicamente vai evitar que o processo fisiopatológico da doença aconteça.

A prevenção acontece por meio de um conjunto de fatores, sobre os quais a gente sempre conversa por aqui.

Prevenção do Alzheimer: estilo de vida saudável e reserva cognitiva

Então, estilo de vida saudável significa: higiene do sono adequada, atividade física regular e uma dieta equilibrada — de preferência, pobre em carboidratos simples.

Hoje, por exemplo, a gente fala da dieta MIND como uma possibilidade, uma ferramenta extra na prevenção do processo demencial.

O exercício físico também faz diferença, inclusive pela socialização.

Socialização também protege o cérebro

A possibilidade de a gente estar em contato com mais pessoas, trocando experiências, trocando afeto, isso também faz diferença, tanto no ambiente familiar quanto fora dele.

Tudo o que a gente pode entregar para o nosso cérebro como ferramenta de prevenção nessa fase tão importante, que é a meia-idade — fase em que conseguimos construir reserva cognitiva — a gente precisa entregar.

Massa muscular também é proteção cognitiva

E aqui eu quero deixar uma lembrança especial sobre a necessidade de construção de massa muscular.

Construir massa muscular não é importante só para a autonomia.

Imagina como, na terceira idade, a gente vai conseguir levantar de uma cadeira sem apoio das mãos se não tiver uma massa muscular bem construída nas pernas, por exemplo?

Como a gente garante autonomia motora sem massa muscular?

Mas, além disso, existe também um benefício cognitivo associado ao ganho de massa muscular. Então, faço esse adendo para reforçar o quanto é importante a gente trabalhar a autonomia do nosso corpo, para que, ao mesmo tempo, a gente consiga entregar mais reserva para o nosso cérebro.

Leitura Recomendada: Inteligência se constrói com movimento

Dra. Marília Graner

Sou neurologista, especialista em neurociência comportamental e cognitiva, com foco em como nosso cérebro molda pensamentos, emoções e comportamentos.

Instagram: dra.mariliagraner

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Dra. Marília Graner
Dra. Marília Graner

Sou neurologista, especialista em neurociência comportamental e cognitiva, com foco em como nosso cérebro molda pensamentos, emoções e comportamentos. Meu objetivo é traduzir a ciência do cérebro de forma prática e acessível, ajudando pessoas a desenvolverem mais autoconfiança, equilíbrio emocional e clareza mental. Além disso, compartilho conhecimento sobre saúde mental, hábitos e produtividade, sempre integrando a ciência à vida cotidiana.

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