Vejo alguns pacientes que chegam ao consultório já apresentando sintomas de doença de Crohn há meses (ou até anos) sem imaginar que poderiam estar diante de uma condição crônica.
Essa é uma inflamação que pode atingir qualquer parte do trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus, mas costuma ser mais comum na última parte do intestino delgado e no intestino grosso.
Portanto, reconhecer esses sinais o quanto antes faz toda a diferença para iniciar o tratamento e evitar complicações.
Como a doença se desenvolve
Ainda não sabemos exatamente por que a doença de Crohn aparece. O que sabemos é que ela está ligada a uma desregulação do sistema imunológico, fazendo com que o corpo ataque o próprio intestino.
Além disso, fatores genéticos e situações de estresse também podem influenciar no surgimento e nas crises.
Apesar de não ter cura, hoje conseguimos controlar bem a evolução da doença, evitando complicações e garantindo qualidade de vida para quem convive com ela.
Reconhecendo os sintomas de doença de Crohn
Os sinais variam muito de pessoa para pessoa, e justamente por isso o diagnóstico nem sempre é rápido.
Em alguns casos, os sintomas aparecem em crises que podem durar dias ou semanas. Entre os mais comuns, destaco:
- Diarreia frequente, que pode vir acompanhada de muco e/ou sangue;
- Dores abdominais em cólica;
- Febre persistente;
- Perda de peso sem explicação;
- Fadiga e fraqueza;
- Anemia;
- Sangramento retal;
- Fístulas ou abscessos na região anal;
- Retardo no crescimento, quando a doença surge na infância ou adolescência.
Em alguns pacientes, as fezes podem ficar muito escuras e com odor forte (o que chamamos de melena) especialmente quando há sangramento no cólon.
Como fazemos o diagnóstico
Quando desconfio da doença, meu primeiro passo é ouvir atentamente o histórico do paciente.
Depois, realizo um exame físico detalhado e solicito exames complementares para confirmar.
Podemos usar desde análises de sangue e fezes até exames de imagem e endoscopia. Entre os mais solicitados estão:
- Hemograma completo;
- PCR (marcador de inflamação);
- Calprotectina fecal;
- Endoscopia digestiva alta;
- Ileocolonoscopia (endoscopia digestiva baixa);
- Ressonância ou tomografia do abdome;
- Entero-ressonância ou entero-tomografia;
- Biópsia de fragmentos do intestino.
Esses exames ajudam não apenas a identificar a doença, mas também a entender a extensão da inflamação e guiar o tratamento.
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Tratamento: mais sobre controle do que sobre cura
A doença de Crohn é crônica e, até o momento, incurável. Mas isso não significa viver em sofrimento.
O objetivo do tratamento é induzir e manter a remissão dos sintomas, prevenindo complicações e permitindo que o paciente tenha uma vida ativa.
Entre os medicamentos mais usados, temos:
- Aminossalicilatos;
- Corticoides;
- Antibióticos;
- Imunossupressores.
Cada caso é individualizado, levando em conta a gravidade, a localização da inflamação e o estado geral do paciente.
É importante lembrar: não existe tratamento caseiro eficaz para controlar a doença de Crohn.
A automedicação pode ser perigosa e até agravar o quadro.
Quando a cirurgia é necessária
Nem sempre conseguimos controlar a doença apenas com medicamentos.
Quando há complicações, como obstruções intestinais, fístulas, abscessos ou hemorragias graves, pode ser necessário operar.
Como coloproctologista, sempre busco ser o mais conservador possível nas cirurgias, retirando apenas os segmentos indispensáveis, pois a doença pode voltar em outras partes do intestino ao longo da vida.
O papel da nutrição e do estilo de vida
Além do tratamento médico, a alimentação e o estado nutricional merecem atenção especial.
A desnutrição é frequente nesses pacientes e pode piorar o quadro, por isso muitas vezes indico terapia nutricional com suplementação personalizada.
Também incentivo meus pacientes a manterem atividades físicas regulares e, se possível, acompanhamento psicológico.
Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, já que o estresse pode influenciar no aparecimento das crises.
Viver com doença de Crohn exige disciplina e acompanhamento médico contínuo.
Mas com diagnóstico precoce, tratamento adequado e hábitos de vida saudáveis, é totalmente possível controlar a inflamação e evitar que os sintomas interfiram no dia a dia.
Se você percebeu alguns dos sintomas de doença de Crohn que descrevi aqui, não adie a consulta. Quanto antes começar o cuidado, melhores serão os resultados a longo prazo.
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Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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