Tomar chá de gengibre antes de dormir: ajuda ou atrapalha o sono?

Buscar um ritual simples para desacelerar à noite é mais comum do que parece.

E aí surge a dúvida: tomar chá de gengibre antes de dormir pode ajudar a relaxar, aliviar desconfortos e melhorar o sono ou pode fazer o efeito oposto?

A resposta depende menos de “funciona ou não” e mais de como o seu corpo reage, da quantidade usada e do motivo pelo qual você está recorrendo ao chá.

O gengibre (Zingiber officinale) é uma raiz com compostos bioativos (como gingeróis e shogaóis) que atuam principalmente no sistema digestivo e em vias inflamatórias.

Por isso, ele costuma ser associado a conforto gástrico e bem-estar. O ponto é: à noite, o corpo também entra em modo de “desligamento”, e qualquer estímulo fora do seu padrão pode influenciar o início do sono.

O que o gengibre faz no organismo

Antes de pensar no impacto do chá à noite, vale entender como o gengibre atua no corpo, especialmente na digestão e no conforto gastrointestinal.

Digestão mais “solta” e menos náusea

Uma das utilizações mais estudadas do gengibre é para náusea e desconforto digestivo. A evidência clínica é mais consistente em situações como náusea no início da gestação, com estudos e revisões avaliando melhora de sintomas em parte das pessoas.

Uma revisão da Cochrane analisou intervenções para náusea e vômitos na gravidez e inclui o gengibre entre as estratégias estudadas (com resultados variáveis conforme dose e desenho dos estudos).

No dia a dia, isso explica um cenário bem real: quem janta tarde e deita com sensação de “estômago pesado” pode sentir alívio com uma xícara pequena e morna. Se o desconforto diminui, o corpo relaxa com mais facilidade — e o sono pode melhorar por tabela.

Efeito térmico e metabólico: por que algumas pessoas sentem “aquecimento”

O gengibre pode ter um leve efeito de aquecimento (termogênico) em algumas pessoas. Não é o mesmo tipo de estímulo de cafeína, mas pode aumentar a sensação de calor e ativação corporal.

Para quem já tem sono sensível, esse detalhe importa, porque o início do sono costuma ser favorecido quando a temperatura corporal cai um pouco naturalmente.

Na prática: se você toma o chá e percebe que fica mais “aceso”, com corpo quente ou inquieto, pode ser um sinal de que o horário não está funcionando para você e mesmo que o chá faça bem em outros momentos do dia.

Leitura Recomendada: Tomar chá todos os dias faz bem? Entenda até quando é seguro

Então, tomar chá de gengibre antes de dormir é bom ou ruim?

A resposta não é absoluta. O efeito do chá varia conforme o contexto, o organismo e o motivo do consumo — e há situações em que ele pode ser útil

Quando pode ajudar

O chá tende a fazer mais sentido à noite quando existe um motivo claro, como desconforto digestivo leve, sensação de estômago cheio ou náusea discreta.

Nesses casos, uma xícara pequena, sem exageros, pode melhorar o conforto e facilitar o relaxamento.

Quando pode atrapalhar

Se você tem refluxo, queimação frequente, ou acorda com azia, qualquer líquido quente perto de deitar pode piorar sintomas, mesmo que o gengibre seja “digestivo”.

Além disso, algumas pessoas ficam mais alertas com o efeito térmico ou com o hábito de ingerir líquidos tarde (mais idas ao banheiro, por exemplo). Se o seu objetivo é dormir mais rápido, e você nota que o chá aumenta o desconforto, vale trocar o horário ou suspender.

Leitura Recomendada: Gengibre faz mal para os rins? O que quase ninguém explica sobre o consumo seguro

Como usar de um jeito mais seguro (sem radicalismo)

Se você quer testar tomar chá de gengibre antes de dormir, uma estratégia prática é ajustar a dose e o timing.

Em vez de tomar já na cama, experimente consumir 60 a 90 minutos antes. Use uma concentração leve (por exemplo, poucas fatias finas) e evite adoçar. Se a sua intenção é relaxar, o foco deve ser o ritual (calor, pausa, respiração), não uma bebida muito forte.

Se o gengibre te faz bem, mas à noite pesa, um caminho simples é usar mais cedo: no meio da tarde ou após o jantar (não colado no horário de dormir).

Sinais de alerta: quando é melhor não insistir e procurar orientação

Apesar de ser um alimento natural, o gengibre contém compostos biologicamente ativos e não é neutro para todos os perfis de saúde.

Em quantidades elevadas ou quando consumido com frequência, pode provocar desconforto gastrointestinal, azia ou irritação em pessoas mais sensíveis.

Também merece cautela em casos de uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes, já que pode influenciar mecanismos relacionados à coagulação.

Gestantes, pessoas com diabetes, gastrite ativa ou histórico de úlcera devem considerar orientação profissional antes de transformar o chá em hábito diário — especialmente se surgirem sintomas persistentes.

Da mesma forma, dificuldades recorrentes para dormir, refluxo noturno frequente, dor abdominal ou palpitações não devem ser atribuídos apenas à alimentação e merecem avaliação clínica adequada.

Leia também: Quem tem pressão alta pode tomar chá de gengibre? Veja os benefícios e riscos

Procure avaliação profissional se você tem insônia persistente (várias noites por semana por mais de algumas semanas), azia/refluxo frequentes, dor abdominal importante, vômitos, fezes escuras, sangramentos incomuns, palpitações, ou se usa anticoagulantes/antiagregantes e quer consumir gengibre com regularidade.

Se você está grávida, tem diabetes, gastrite ativa ou histórico de úlcera, o mais prudente é conversar com seu médico antes de transformar o chá em hábito diário.

Por fim, tomar chá de gengibre antes de dormir pode ajudar algumas pessoas, principalmente quando há desconforto digestivo leve —, mas pode atrapalhar outras, seja por refluxo, aquecimento corporal ou maior alerta.

O melhor teste é simples: observe seu corpo por alguns dias, com dose leve e horário ajustado. Se o sono piorar ou surgirem sinais de alerta, pare e busque orientação.

Leia também: Gengibre faz mal para gastrite? Saiba se você pode ou não consumir

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Enf. Raquel Souza de Faria

Sou Raquel Souza de Faria, Enfermeira (COREN – MG 212.681) Especialista em Docência do Ensino Superior, Consultora de Enfermagem em Núcleo de Segurança do Paciente, Gestora de Serviços de Atenção Básica/Saúde da Família. Empresária e Empreendedora, amante da Fitoterapia e das Terapias Holísticas, oferecendo bem-estar e prevenção de doenças como Auriculoterapêuta e Esteticista.
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