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Você sabe realmente o que é terapia hormonal? Quando ela é indicada
Ondas de calor, cansaço excessivo, alterações de humor, queda de libido ou mudanças no corpo costumam levantar uma dúvida comum: será que isso tem relação com os hormônios? A terapia hormonal é um tratamento médico usado justamente para corrigir desequilíbrios hormonais e aliviar sintomas que afetam a qualidade de vida. Entenda o que ela é, quando pode ser indicada e quais cuidados são essenciais para um uso seguro.
Você provavelmente já ouviu falar em terapia hormonal. Talvez em conversas sobre menopausa, testosterona, mudanças corporais ou até em reportagens sobre saúde e bem-estar.
Mas, afinal, o que esse termo significa na prática médica? E como esse tipo de tratamento é utilizado hoje de forma segura e eficaz?
O tema desperta curiosidade porque envolve algo essencial ao funcionamento do corpo humano: os hormônios.
Ao mesmo tempo, ainda existe muita desinformação sobre o assunto, o que pode gerar dúvidas ou receios desnecessários.
Neste texto, explicamos o que é terapia hormonal, como ela funciona, em quais situações costuma ser indicada e por que ocupa um papel importante na medicina moderna.
O que são hormônios?
Antes de entender a terapia hormonal, é importante lembrar o que são os hormônios.
Eles são substâncias produzidas pelo sistema endócrino — um conjunto de glândulas que inclui, entre outras, a tireoide, as suprarrenais, os ovários e os testículos.
Essas substâncias funcionam como mensageiros químicos do organismo.
Ao circularem pelo sangue, regulam processos fundamentais, como metabolismo, crescimento, resposta ao estresse, equilíbrio do açúcar no sangue e desenvolvimento de características sexuais.
Em resumo, os hormônios participam de funções essenciais para a manutenção da saúde.
Quando há produção insuficiente ou excessiva de determinados hormônios, podem surgir sintomas e condições clínicas que impactam diretamente a qualidade de vida.
É nesse contexto que a terapia hormonal pode ser considerada.
O que é terapia hormonal, de forma simples?
A terapia hormonal é um tratamento médico que consiste na administração de hormônios para corrigir desequilíbrios hormonais ou substituir hormônios que o corpo não produz em quantidade adequada.
Ela pode ser realizada por diferentes vias como:
- comprimidos;
- adesivos cutâneos;
- géis;
- cremes;
- injeções.
A escolha depende do tipo de hormônio, da condição clínica e do perfil de cada paciente.
É importante reforçar: trata-se de um procedimento médico, que deve ser indicado e acompanhado por profissionais qualificados, com base em avaliação clínica e exames laboratoriais.
Em quais situações a terapia hormonal é utilizada?
A terapia hormonal é amplamente utilizada na prática médica e pode ser indicada em diferentes contextos. Entre os mais conhecidos estão:
1. Menopausa e climatério
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio e progesterona pode causar sintomas como ondas de calor, alterações do sono, mudanças de humor e perda de densidade óssea.
Em casos selecionados, a terapia hormonal pode ajudar a aliviar esses sintomas e melhorar a qualidade de vida.
A indicação, no entanto, depende de fatores como idade, tempo desde a menopausa e histórico individual de doenças cardiovasculares ou câncer, o que torna a avaliação médica indispensável.
2. Hipotireoidismo
No hipotireoidismo, a tireoide não produz hormônios em quantidade suficiente.
A reposição com levotiroxina (um hormônio sintético) é um tratamento bem estabelecido, com eficácia comprovada para restaurar o equilíbrio metabólico e reduzir sintomas como cansaço excessivo e sensibilidade ao frio.
3. Deficiências hormonais específicas
Homens com hipogonadismo masculino (condição caracterizada por níveis baixos de testosterona) podem apresentar redução de libido, fadiga e perda de massa muscular.
Nesses casos, a terapia com testosterona pode ser indicada, sempre com acompanhamento médico rigoroso e monitoramento periódico.
4. Cuidados hormonais em contextos específicos
Em alguns serviços de saúde, a terapia hormonal também é utilizada em protocolos voltados a pessoas transmasculinas ou não binárias que desejam desenvolver características corporais tipicamente associadas ao corpo masculino.
Esse processo é conhecido como masculinização e envolve o uso de testosterona sob acompanhamento médico especializado.
Quando bem indicado e acompanhado por profissionais de saúde, esse cuidado pode ajudar a aliviar o sofrimento emocional relacionado à relação da pessoa com o próprio corpo, contribuindo para o bem-estar geral.
Esse tipo de acompanhamento é oferecido por serviços de saúde especializados.
Para conhecer como funciona esse cuidado em um serviço clínico, acesse a página sobre masculinização.
Como a terapia hormonal atua no organismo?
Na terapia hormonal, os hormônios administrados passam a desempenhar funções semelhantes às da produção natural do corpo. Alguns exemplos ajudam a entender:
- Testosterona: influencia a formação muscular, a distribuição de gordura e o desenvolvimento de características corporais masculinas.
- Estrogênio: pode aliviar sintomas comuns da menopausa, como ondas de calor, e contribuir para a saúde dos ossos.
- Levotiroxina: substitui o hormônio da tireoide quando o organismo não o produz em quantidade suficiente, ajudando a regular o metabolismo.
Como a resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa, o acompanhamento médico e os exames periódicos são fundamentais para ajustar doses e reduzir riscos.
Mitos e verdades sobre terapia hormonal
Apesar de ser um tratamento consolidado, a terapia hormonal ainda é cercada de mitos. Veja alguns exemplos:
Mito: terapia hormonal é apenas para mulheres.
Verdade: homens também podem se beneficiar quando há indicação médica, como em casos de hipogonadismo.
Mito: terapia hormonal causa câncer de forma inevitável.
Verdade: a relação entre hormônios e câncer é complexa e depende do tipo de hormônio, da dose e do contexto clínico.
Mito: qualquer pessoa pode iniciar terapia hormonal sem exames.
Verdade: o tratamento sem avaliação adequada pode trazer riscos importantes à saúde.
Quais são os riscos e cuidados necessários?
Como qualquer intervenção médica, a terapia hormonal envolve benefícios e potenciais riscos.
Entre os possíveis efeitos adversos estão alterações no colesterol, maior risco de eventos trombóticos em alguns contextos, sintomas gastrointestinais e mudanças de humor.
Por isso, a terapia hormonal não deve ser feita sem orientação médica. O acompanhamento regular ajuda a tornar o tratamento mais seguro e eficaz.
Como funciona o acompanhamento médico?
Em linhas gerais, o acompanhamento costuma envolver:
- uma avaliação clínica cuidadosa, com análise do histórico de saúde;
- exames laboratoriais no início do tratamento e ao longo do tempo;
- definição da forma e da dose mais adequadas para cada pessoa;
- ajustes conforme a resposta do organismo ao tratamento.
Esse acompanhamento contínuo é parte essencial de uma terapia hormonal feita com responsabilidade.
Por que a terapia hormonal é um tema tão relevante hoje?
Com o avanço da medicina, a terapia hormonal se consolidou como uma ferramenta importante para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida em diferentes fases da vida.
O aumento do interesse público pelo tema torna ainda mais relevante a divulgação de informações corretas, baseadas em evidências científicas.
A educação em saúde contribui para decisões mais seguras, melhor comunicação entre médicos e pacientes e redução de medos infundados sobre tratamentos hormonais.
Referências
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