Por que os 12 e 13 anos podem ser a fase mais delicada para o uso das redes sociais

O início da adolescência pode ser uma fase mais sensível do que muitos pais imaginam quando o assunto é redes sociais. Um novo estudo sugere que jovens de 12 e 13 anos estão entre os mais vulneráveis aos possíveis impactos do uso intenso dessas plataformas na saúde emocional.

A pesquisa acompanhou adolescentes durante uma década e constatou que aqueles que passavam pelo menos duas horas por dia nas redes sociais apresentavam maior probabilidade de desenvolver sintomas depressivos e relatar pior bem-estar emocional no ano seguinte.

A descoberta chama atenção porque não se trata de uma análise feita em um único momento.

Os pesquisadores acompanharam os mesmos participantes ao longo de vários anos, observando como o uso das redes e a saúde mental evoluíram com o tempo.

Redes sociais e saúde mental: o que o estudo descobriu

A pesquisa acompanhou quase 1.200 crianças e adolescentes de Melbourne, na Austrália, dos 9 aos 19 anos.

Ao longo desse período, os pesquisadores analisaram a relação entre o tempo gasto nas redes sociais e diferentes indicadores de saúde mental.

Além dos sintomas depressivos e do bem-estar emocional, o estudo também avaliou fatores como ansiedade e automutilação.

As associações mais consistentes, porém, apareceram justamente nos sintomas depressivos e na percepção de bem-estar.

Por que essa fase merece atenção especial

O dado que mais chamou atenção dos pesquisadores foi a idade em que essa associação apareceu com mais força: entre 12 e 13 anos, especialmente entre as meninas.

É justamente nessa fase que muitos adolescentes passam a se preocupar mais com a própria imagem, a aceitação dos colegas e o que acontece no ambiente digital.

Não por acaso, também é quando o tempo nas redes sociais costuma aumentar.

Isso pode ampliar a exposição a comparações constantes, busca por validação, cyberbullying e conteúdos potencialmente prejudiciais.

Por esse motivo, os autores defendem que o início da adolescência pode representar uma janela importante para ações de prevenção, educação digital e orientação familiar.

O estudo encontrou um efeito importante, mas as redes não são vilãs

Os pesquisadores fazem questão de destacar que as redes sociais não são necessariamente prejudiciais para todos os adolescentes.

Muitos jovens relatam experiências positivas nesses ambientes, como fortalecer amizades, encontrar pessoas com interesses parecidos e se expressar de formas que talvez não conseguissem fora da internet.

Por isso, a pesquisa não sugere que as redes sociais sejam a causa dos problemas de saúde mental. O estudo identificou uma associação entre maior tempo de uso e maior risco de dificuldades emocionais no futuro.

Além disso, nem todo tempo de tela é igual. Há diferença entre um adolescente que usa a internet para conversar com amigos, aprender algo novo ou compartilhar um hobby e outro que passa horas consumindo conteúdos que estimulam comparações, pressão estética ou conflitos online.

Isso indica que a qualidade das interações, o tipo de conteúdo consumido e o equilíbrio com outras atividades do dia a dia também podem influenciar os resultados.

O que fazer sem proibir totalmente as redes sociais

Especialistas recomendam que pais e responsáveis mantenham diálogo aberto sobre a vida digital dos adolescentes, estabeleçam limites adequados para a idade e incentivem atividades fora das telas.

Brincar ao ar livre, praticar esportes, encontrar amigos presencialmente, participar de atividades em família e manter uma rotina regular de sono continuam entre os fatores mais importantes para o bem-estar emocional dos jovens.

O estudo, publicado no periódico Medical Journal of Australia, não sugere abandonar as redes sociais nem trata a tecnologia como vilã.

Mas os resultados reforçam que o início da adolescência pode ser um período especialmente sensível.

Para famílias e educadores, a mensagem parece clara. Acompanhar como os jovens usam as plataformas pode ser tão importante quanto monitorar quanto tempo passam nelas.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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