Nutrição funcional na menopausa: por que seus ossos precisam de mais do que cálcio

Muitas mulheres associam a menopausa apenas às ondas de calor e às alterações hormonais. Mas essa fase também traz mudanças importantes para a saúde dos ossos, do intestino e do metabolismo.

A menopausa, na visão funcional, é compreendida como uma transição metabólica complexa, em que a queda do estrogênio desencadeia uma série de alterações que ultrapassam a saúde óssea.

O esqueleto, que está em constante renovação ao longo da vida, torna-se um dos principais alvos da inflamação crônica associada a essa fase. Sem controle, esse processo pode acelerar a perda de massa óssea.

Diferentemente de uma abordagem focada apenas na reposição de cálcio, a nutrição funcional busca identificar os fatores que contribuem para a inflamação, como o estresse oxidativo e os desequilíbrios metabólicos, que podem prejudicar a renovação do tecido ósseo e comprometer sua saúde ao longo dos anos.

Como a nutrição funcional atua na saúde óssea

Para otimizar a saúde óssea, não basta consumir quantidades adequadas de vitaminas e minerais; é preciso que o organismo consiga absorvê-los e utilizá-los de forma eficiente.

A vitamina D, por exemplo, é considerada um hormônio importante para o sistema imunológico e para o equilíbrio dos níveis de cálcio no organismo.

O foco funcional também prioriza a ingestão de magnésio, vitamina K2 e silício, nutrientes que atuam em conjunto para favorecer o aproveitamento adequado do cálcio e contribuir para a saúde óssea.

Além dos micronutrientes, a ingestão adequada de proteínas também merece atenção. A proteína participa da formação do colágeno, componente fundamental para a estrutura óssea e para a resistência dos ossos ao longo da vida.

O papel do intestino e do estilo de vida na saúde óssea

Um dos conceitos que mais têm chamado a atenção da nutrição funcional é a relação entre a saúde intestinal e a saúde dos ossos.

Estudos sugerem que alterações na microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos que vivem no intestino — podem favorecer processos inflamatórios que afetam diferentes sistemas do organismo, incluindo os mecanismos envolvidos na renovação do tecido ósseo.

Por isso, estratégias que ajudam a cuidar da saúde intestinal, como o consumo de probióticos, prebióticos e alimentos ricos em compostos bioativos, podem contribuir para um ambiente mais favorável ao equilíbrio do metabolismo ósseo.

Na prática, o estilo de vida funcional se baseia na redução de fatores que favorecem a inflamação e na adoção de hábitos que forneçam os nutrientes necessários para o organismo funcionar adequadamente.

Isso inclui reduzir o consumo excessivo de açúcares refinados e álcool, além de evitar a exposição desnecessária a substâncias que possam interferir no equilíbrio hormonal e metabólico.

Ao mesmo tempo, recomenda-se aumentar o consumo de vegetais crucíferos, sementes, chás ricos em flavonoides e alimentos naturalmente fermentados.

Quando esses hábitos são associados à prática regular de exercícios com carga, sob orientação profissional, eles ajudam a preservar a saúde dos ossos e dos músculos, favorecendo um envelhecimento com mais autonomia, força e qualidade de vida.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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