Por que a rotina de skincare que viralizou pode prejudicar a sua pele

Pode parecer óbvio dizer que cada pele é única, mas essa é uma das premissas mais ignoradas na era das rotinas de skincare compartilhadas nas redes sociais.

Tenho atendido um número crescente de pacientes com reações na pele, e boa parte dos casos está ligada ao uso indiscriminado de cosméticos, produtos escolhidos não pelo que aquela pele precisa, mas pelo que está em alta.

As pessoas acompanham tendências nas redes sociais e acabam comprando produtos que podem até ser bons, mas não são indicados para o seu tipo de pele.

E aí mora o problema: um produto excelente para uma pessoa pode ser exatamente o que vai comprometer a barreira cutânea de outra, causar irritação e até desencadear doenças como a rosácea.

A barreira cutânea é a proteção natural da pele. Formada por lipídios, água e outras substâncias, ela ajuda a manter a hidratação e impede a entrada de agentes externos, como bactérias, fungos e vírus.

Quando essa proteção é comprometida, a pele fica mais vulnerável, aumentando o risco de dermatites e infecções.

Mais produtos não significam melhores resultados

Outro equívoco comum é achar que mais produtos significam mais resultado.

Mas não é assim. Quanto maior o número de produtos utilizados, maior a chance de reações e de interação inadequada entre ativos.

Tenho visto casos extremos de pessoas usando mais de dez produtos ao mesmo tempo, muitas vezes com substâncias repetidas, como ácidos.

Esse tipo de exagero pode levar a quadros importantes de irritação ou até a uma rosácea medicamentosa.

Entre os ativos que mais causam problemas quando utilizados sem orientação estão os ácidos, como o retinóico e o glicólico, o peróxido de benzoíla e os corticoides.

O risco, porém, não está necessariamente no produto em si, mas no uso inadequado para o tipo de pele de cada pessoa.

Mesmo ingredientes considerados seguros podem causar efeitos adversos quando não há indicação correta.

O que define se um produto é adequado não é a fama dele, mas as necessidades da sua pele.

Os deslizes mais frequentes se repetem: uso de produtos inadequados para o tipo de pele, combinação de ativos sem orientação, aplicação em excesso e adesão a tendências sem avaliação individual.

Como montar uma rotina de skincare sem prejudicar a pele

Por isso, para a maioria das pessoas, o básico ainda é o melhor caminho: um sabonete adequado ao tipo de pele, um hidratante personalizado e o uso diário de protetor solar.

Outros ativos, como antioxidantes e ácidos, devem ser introduzidos conforme necessidade e sempre com orientação profissional.

Não é preciso usar muitos produtos para ter uma pele saudável. Quando for incluir algo novo, o ideal é fazer isso aos poucos, para observar possíveis reações.

Também é importante respeitar a quantidade: mesmo o produto correto, quando usado em excesso, pode irritar. Uma camada fina geralmente é suficiente.

Se, após o uso de um produto, surgirem sinais como vermelhidão, ardência, descamação, coceira ou desconforto, não insista. Suspenda o uso imediatamente e procure avaliação dermatológica.

Isso evita a piora do quadro e ajuda a identificar a causa.

Cuidar da pele é, acima de tudo, respeitar aquilo que ela realmente precisa, e isso nem sempre está nas tendências da internet, mas na individualidade de cada pessoa.

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Dra. Patrícia Dalboni.
Dra. Patrícia Dalboni

Patrícia Dalboni é médica dermatologista, com mais de três décadas de experiência na prática clínica. Iniciou sua trajetória como cirurgiã pediátrica, área na qual atuou por 16 anos, e há 18 anos dedica-se integralmente à dermatologia. CRM: 5256717-1/RJ - RQE: 41772

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