Nem sempre é só falta de sol: 7 motivos que podem causar deficiência de vitamina D

Muita gente acredita que a falta de vitamina D acontece apenas porque toma pouco sol. Mas essa é apenas uma parte da história.

Algumas doenças, certos medicamentos, o envelhecimento e a obesidade também podem favorecer a deficiência de vitamina D, inclusive em pessoas que mantêm hábitos considerados saudáveis.

O problema é que, na maioria das vezes, os níveis baixos de vitamina D não provocam sintomas logo no início. Por isso, muitas pessoas só descobrem a deficiência durante uma investigação médica ou após a realização de exames.

O que causa a falta de vitamina D?

A principal causa é a baixa produção de vitamina D pela pele devido à pouca exposição à radiação UVB do sol. No entanto, ela não explica todos os casos.

Em algumas pessoas, o problema está na dificuldade de absorver ou utilizar corretamente esse nutriente.

Veja os principais fatores envolvidos.

1 – Pouca exposição ao sol

A vitamina D é produzida pela pele quando ela é exposta à radiação UVB do sol.

Quem passa a maior parte do dia em ambientes fechados, sai pouco ao ar livre ou mantém quase todo o corpo coberto por roupas pode produzir menos vitamina D ao longo do tempo.

Outra dúvida comum é sobre o protetor solar. Embora ele reduza a passagem da radiação UVB, os estudos realizados em condições reais mostram resultados variados sobre seu impacto nos níveis de vitamina D.

Por isso, especialistas continuam recomendando seu uso para proteger a pele e prevenir o câncer de pele.

2 – Pele mais pigmentada

Pessoas com pele mais escura podem produzir vitamina D mais lentamente porque a maior quantidade de melanina (pigmento que dá cor à pele) reduz a passagem dos raios UVB necessários para esse processo.

Isso não significa que toda pessoa de pele escura terá deficiência de vitamina D.

No entanto, dependendo da rotina e do tempo de exposição ao sol, algumas podem precisar de mais tempo ao ar livre para produzir a mesma quantidade da vitamina que pessoas de pele mais clara.

3 – Doenças que interferem na absorção ou no metabolismo

Nem sempre o problema está no sol. Algumas doenças dificultam a absorção da vitamina D no intestino ou alteram a forma como ela é processada pelo organismo.

Entre elas estão:

  • doença celíaca;
  • doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais;
  • algumas cirurgias bariátricas;
  • doenças graves do fígado;
  • doença renal crônica.

Nesses casos, mesmo uma alimentação equilibrada e uma rotina com exposição ao ar livre podem não ser suficientes para manter níveis adequados.

O que causa a falta de vitamina D
O que causa a falta de vitamina D? / Canva

4 – Obesidade

Pessoas com obesidade apresentam deficiência de vitamina D com mais frequência do que a população geral.

Uma das explicações é que parte da vitamina fica distribuída no tecido adiposo, reduzindo sua disponibilidade na circulação.

Ainda assim, corrigir a deficiência não provoca emagrecimento por si só, nem significa que a vitamina D seja a causa do excesso de peso.

5 – Alguns medicamentos

Certos medicamentos podem reduzir a absorção da vitamina D ou alterar seu metabolismo. Isso pode acontecer com alguns anticonvulsivantes, corticoides e outros tratamentos específicos.

O risco depende do medicamento utilizado, da dose e do tempo de uso. Por isso, a avaliação deve sempre ser individualizada.

6 – Envelhecimento

Com o passar dos anos, a pele perde parte da capacidade de produzir vitamina D quando exposta ao sol.

Além disso, muitas pessoas idosas passam menos tempo ao ar livre e convivem com outras condições que favorecem a deficiência.

7 – Alimentação pobre em vitamina D

Poucos alimentos são naturalmente ricos em vitamina D. Entre as principais fontes estão salmão, sardinha, atum, gema de ovo, fígado bovino e alguns cogumelos expostos à luz ultravioleta.

Além deles, alguns produtos industrializados recebem vitamina D durante a fabricação, como certos leites, bebidas vegetais, iogurtes, margarinas e cereais matinais. A disponibilidade desses alimentos varia conforme a marca e o fabricante.

Mesmo assim, a alimentação nem sempre consegue suprir sozinha as necessidades do organismo, principalmente quando existem outros fatores que dificultam a produção ou o aproveitamento da vitamina D.

Quem corre maior risco de ter deficiência?

Alguns grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver deficiência de vitamina D.

É o caso de idosos, pessoas com obesidade, pacientes com doenças intestinais, renais ou hepáticas, quem passa pouco tempo ao ar livre e usuários de determinados medicamentos.

Ter um desses fatores não significa, necessariamente, que exista deficiência, mas aumenta a chance de ela ocorrer e pode justificar uma avaliação médica quando houver indicação clínica.

A falta de vitamina D provoca sintomas?

Nem sempre. Muitas pessoas convivem com níveis baixos da vitamina sem perceber qualquer alteração.

Quando a deficiência é mais intensa ou prolongada, podem surgir sintomas como:

  • fraqueza muscular;
  • dores musculares;
  • dor nos ossos;
  • maior fragilidade óssea.

Como esses sinais também podem estar relacionados a outras doenças, eles não são suficientes para confirmar o diagnóstico.

Como confirmar a deficiência?

O diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas.

Quando há suspeita clínica ou fatores de risco importantes, o médico pode solicitar o exame de sangue que mede a 25-hidroxivitamina D, considerado o mais indicado para avaliar os estoques desse nutriente.

O resultado deve ser analisado junto com a história clínica e outros exames, quando necessário. Por isso, um valor isolado nem sempre é suficiente para confirmar deficiência ou indicar tratamento.

Como é feito o tratamento da deficiência?

Quando a deficiência é confirmada, o tratamento pode incluir mudanças na alimentação, maior ingestão de alimentos ricos em vitamina D e, em alguns casos, suplementação.

A necessidade de suplementos e a dose adequada variam de uma pessoa para outra. Por isso, o tratamento deve ser definido após avaliação médica.

Evite tomar vitamina D por conta própria. O excesso desse nutriente pode aumentar os níveis de cálcio no sangue e provocar complicações, como cálculos renais e outros problemas de saúde.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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