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Um hemograma completo pode revelar uma DST? Veja o que aparece no exame
Fez um hemograma completo e quer saber se o exame também pode detectar uma doença sexualmente transmissível (DST), termo popularmente usado para as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)?
A resposta é não. O hemograma completo não identifica ISTs.
O exame avalia células do sangue, como glóbulos vermelhos, leucócitos e plaquetas.
Ele pode revelar alterações que indicam que algo está acontecendo no organismo, como uma inflamação ou uma infecção, mas não mostra qual vírus, bactéria ou outro microrganismo está causando o problema.
Para confirmar uma IST, são necessários exames específicos, escolhidos de acordo com a infecção investigada e a situação clínica de cada pessoa.
O que o hemograma completo avalia?
O hemograma é um exame usado para analisar as principais células presentes no sangue:
- Hemácias: responsáveis pelo transporte de oxigênio. Alterações podem ajudar na investigação de anemias e outros problemas.
- Leucócitos: células de defesa que participam da resposta do organismo contra infecções e inflamações.
- Plaquetas: atuam na coagulação e ajudam a controlar sangramentos.
Além desses dados, o exame apresenta índices que auxiliam o médico a interpretar características das células sanguíneas.
Por isso, o hemograma costuma fazer parte de avaliações de rotina e também pode ser solicitado quando há sintomas como febre persistente, cansaço sem explicação, sangramentos ou infecções recorrentes.
Por que o hemograma não identifica uma IST?
O motivo está na própria finalidade do exame.
O hemograma não procura vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos. Ele apenas mostra como as células do sangue estão naquele momento.
Uma alteração nos leucócitos, por exemplo, pode acontecer em diferentes situações: desde uma infecção respiratória até uma inflamação ou outro problema de saúde.
Ou seja, o resultado pode indicar que o organismo está reagindo a algo, mas não revela a origem dessa reação.
É justamente por isso que o hemograma não consegue confirmar ou descartar uma IST.
Algumas ISTs podem alterar o hemograma?
Em alguns casos, uma infecção pode causar mudanças nas células do sangue. Mas é importante entender que essas alterações não são específicas e não permitem diagnosticar uma IST pelo hemograma.
Veja alguns exemplos:
- HIV: em algumas fases da infecção, o exame de sangue pode apresentar alterações, como mudanças na quantidade de algumas células de defesa. Porém, o hemograma não confirma o diagnóstico e também não mede os linfócitos CD4, que precisam ser avaliados por um exame específico.
- Sífilis: a infecção geralmente não provoca um padrão típico no hemograma. A confirmação depende de exames específicos, como os testes sorológicos.
- Clamídia e gonorreia: quando estão restritas ao local da infecção, podem não causar nenhuma alteração no hemograma. O diagnóstico é feito por exames direcionados, como testes moleculares ou coleta de secreções, quando indicada.
- HPV e herpes genital: como costumam afetar principalmente pele e mucosas, geralmente não provocam mudanças detectáveis no hemograma.
Por isso, um hemograma alterado não significa que a pessoa tem uma IST, assim como um resultado normal não exclui a possibilidade de infecção.
Quais exames detectam ISTs?
Não existe um único exame capaz de identificar todas as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O teste escolhido depende da infecção que está sendo investigada e da situação de cada pessoa.
Alguns dos exames mais usados são:
- Exames de sangue: feitos com uma coleta simples de sangue, podem identificar infecções como HIV e sífilis por meio de testes específicos.
- Testes moleculares (como PCR): analisam uma amostra de secreção ou urina para procurar o material genético de alguns microrganismos, como os causadores da clamídia e da gonorreia.
- Coleta de secreções ou amostras da região afetada: pode ser indicada quando existem sintomas como corrimento, feridas ou outras alterações.
A escolha do exame depende do tipo de exposição, do tempo desde uma possível infecção e dos sinais apresentados. Em algumas situações, a testagem também pode ser indicada mesmo sem sintomas.
Ter um hemograma normal significa que está tudo bem?
Não necessariamente. Um resultado dentro dos valores de referência mostra que as células avaliadas não apresentam alterações significativas naquele momento. Porém, algumas doenças podem existir sem modificar o hemograma.
Isso acontece, por exemplo, com diversas ISTs, especialmente nas fases iniciais ou quando não há sintomas.
Se houver uma situação de risco ou sinais de infecção, o médico pode solicitar exames específicos mesmo com um hemograma normal.
Quando procurar um exame para IST?
A investigação pode ser importante após situações como:
- relação sexual sem preservativo;
- diagnóstico de IST em um parceiro ou parceira;
- aparecimento de feridas, verrugas, bolhas ou corrimentos;
- dor ao urinar;
- outros sintomas na região genital.
Também é importante lembrar que algumas ISTs podem permanecer sem sintomas por bastante tempo.
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