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A volta às aulas pode ser difícil para algumas crianças; veja o que ajuda na adaptação
Para muitas famílias, a volta às aulas significa reorganizar horários, comprar materiais e retomar compromissos. Para crianças neurodivergentes (como aquelas com autismo, TDAH ou outros transtornos do neurodesenvolvimento), porém, o retorno à escola pode significar encarar uma série de mudanças ao mesmo tempo, o que exige um cuidado extra da família.
Novos professores, ambientes diferentes, alteração nos horários e retomada das terapias podem gerar insegurança e ansiedade em algumas crianças.
Quando a transição acontece sem preparação, também podem surgir dificuldades de comportamento e episódios de desregulação emocional.
A adaptação, no entanto, não precisa começar apenas no primeiro dia de aula. Pequenos ajustes feitos com antecedência podem ajudar a tornar esse momento mais tranquilo e previsível.
A preparação começa antes do primeiro dia de aula
Uma das principais estratégias é evitar mudanças bruscas.
Retomar gradualmente os horários de sono, alimentação e outras atividades antes do início das aulas ajuda a criança a se acostumar novamente com a nova organização do dia.
A psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan explica que esse cuidado é importante porque algumas crianças neurodivergentes podem apresentar mais dificuldade diante de situações novas.
“Mudanças de rotina exigem flexibilidade cognitiva, uma habilidade que pode ser mais desafiadora para crianças neurodivergentes. Por isso, a preparação antecipada e o acolhimento emocional são tão importantes nesse período”, explica a profissional.
Conversar sobre a volta às aulas também pode fazer parte dessa preparação.
Mostrar fotos da escola, apresentar informações sobre a sala ou os professores e explicar como será o dia ajuda a reduzir a sensação de desconhecimento diante da nova rotina.
Resistência pode ser um sinal de insegurança, não apenas “birra”
Nem sempre uma criança que demonstra dificuldade para voltar à escola está apenas recusando a mudança.
Em muitos casos, o comportamento pode ser uma forma de expressar medo, ansiedade ou dificuldade para compreender uma situação nova.
Por isso, observar o que está por trás da reação é mais importante do que tentar corrigir apenas o comportamento.
“Nem toda resistência é birra. Muitas vezes, o comportamento reflete ansiedade, insegurança ou dificuldade de compreender o que vai acontecer. Identificar essas emoções ajuda a construir estratégias mais efetivas de adaptação”, afirma Thaís Barbisan.
A forma como cada criança reage varia bastante. Por isso, estratégias que funcionam para uma podem não funcionar para outra. Respeitar esse ritmo individual faz parte do processo.
Excesso de atividades pode dificultar a adaptação
Além da escola, muitas crianças retomam terapias, atividades extracurriculares e outros compromissos no mesmo período. Embora a organização seja importante, uma agenda muito cheia logo nas primeiras semanas pode aumentar a sobrecarga.
A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem destaca que recursos simples podem ajudar a criança a compreender melhor o que acontecerá ao longo do dia.
“Quadros de rotina, agendas visuais e checklists ajudam a tornar o dia mais previsível e favorecem a autonomia. Quando a criança sabe o que esperar, ela se sente mais segura para enfrentar as transições”, orienta a profissional.
Esses recursos visuais podem ser adaptados à idade e às necessidades de cada criança. O objetivo não é criar uma rotina rígida, mas oferecer referências que facilitem a compreensão das atividades.
O descanso também faz parte da volta às aulas
Depois de um dia com novos estímulos, a criança também precisa de momentos de pausa. O descanso e o lazer ajudam na recuperação e podem evitar que todas as demandas se acumulem.
Segundo Catiuscia Homem, preencher todos os horários pode ter o efeito contrário ao esperado.
“Uma agenda excessivamente cheia pode gerar sobrecarga sensorial e emocional. É importante que a criança tenha momentos de pausa para processar as demandas do dia e recuperar energia”, completa a terapeuta ocupacional.
Caso dificuldades intensas permaneçam após o período inicial de adaptação, como sofrimento frequente, recusa persistente em ir à escola ou mudanças importantes no comportamento, vale conversar com a escola e com os profissionais que acompanham a criança.
Família e escola precisam trabalhar juntas
A comunicação entre responsáveis, professores e equipe terapêutica pode fazer diferença durante a adaptação.
Compartilhar informações sobre necessidades específicas, estratégias que funcionam e possíveis dificuldades ajuda a construir um ambiente mais acolhedor.
Não existe uma fórmula única para todas as crianças. O que funciona é observar as respostas de cada uma e fazer ajustes conforme necessário.
Mais do que buscar uma adaptação perfeita logo nos primeiros dias, o objetivo é construir uma rotina na qual a criança se sinta segura para aprender, participar e desenvolver autonomia ao longo do ano letivo.
Dicas para uma volta às aulas mais tranquila
- Retome gradualmente os horários de sono antes do início das aulas.
- Organize com antecedência os horários das terapias.
- Use agendas, quadros de rotina ou checklists para facilitar a compreensão do dia.
- Converse sobre as mudanças de forma clara e adequada à idade da criança.
- Se possível, apresente fotos da escola, da sala e dos professores antes do retorno.
- Evite concentrar muitas atividades no contraturno logo nas primeiras semanas.
- Mantenha contato com a escola para acompanhar a adaptação.
- Respeite o tempo e as necessidades individuais de cada criança.
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