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Rinite, asma e alergias alimentares podem ter ligação com a dermatite atópica
Quem convive com dermatite atópica sabe que a doença vai muito além da coceira e da pele ressecada. Mas existe outra preocupação que costuma surgir com o tempo. Por que algumas pessoas também desenvolvem rinite, asma ou alergias alimentares?
Essa sequência é conhecida pelos médicos como marcha atópica.
Embora seja observada há anos, ainda faltava entender como uma inflamação que começa na pele pode influenciar o restante do organismo.
Agora, uma pesquisa ajuda a esclarecer essa ligação e revela um mecanismo que pode abrir caminho para tratamentos mais direcionados no futuro.
Quando a pele deixa de ser uma barreira
A pele funciona como a primeira defesa do corpo. Na dermatite atópica, porém, essa proteção fica comprometida.
Com isso, substâncias comuns do ambiente, como ácaros, pólen e até proteínas de alguns alimentos, conseguem penetrar com mais facilidade.
O sistema imunológico passa a reconhecê-las como uma ameaça e fica “preparado” para reagir sempre que houver um novo contato.
É esse processo que pode favorecer o surgimento de outras doenças alérgicas ao longo da vida.
A peça que faltava nessa história
Os pesquisadores descobriram que uma proteína chamada IL-13, já conhecida por estar envolvida nas alergias, tem um papel mais importante do que se imaginava.
Ela funciona como uma espécie de “acelerador”, tornando a resposta do sistema imunológico aos alérgenos mais intensa. Com isso, o organismo passa a produzir uma quantidade maior de anticorpos do tipo IgE, diretamente ligados às alergias.
Segundo os autores, essa descoberta ajuda a explicar como uma inflamação que começa na pele pode favorecer o desenvolvimento de outras doenças alérgicas.
Há indícios de que isso também acontece em humanos
A equipe encontrou sinais de que esse processo também ocorre em pacientes com dermatite atópica e outras doenças alérgicas.
Essas pessoas apresentavam maior quantidade das células envolvidas nesse processo e níveis mais elevados de anticorpos IgE, frequentemente associados às alergias.
Os achados reforçam essa hipótese, mas os próprios pesquisadores ressaltam que serão necessários novos estudos para confirmar esse papel e entender como ele poderá ser aproveitado no desenvolvimento de novos tratamentos.
Isso muda o tratamento hoje?
Ainda não. A descoberta ajuda a entender melhor por que alguns medicamentos usados no tratamento da dermatite atópica, que bloqueiam a ação da IL-13, costumam funcionar bem no controle da doença.
No entanto, a pesquisa não demonstrou que esses remédios sejam capazes de impedir o aparecimento de novas alergias. Essa possibilidade ainda precisará ser confirmada em estudos clínicos.
O que fica de aprendizado?
Para quem convive com dermatite atópica, a principal mensagem continua a mesma.
Controlar a inflamação e manter a doença bem tratada ajuda a preservar a barreira natural da pele, reduzindo a exposição do organismo a substâncias que podem desencadear alergias.
Embora a descoberta ainda não mude as recomendações médicas, ela amplia a compreensão sobre como a dermatite atópica pode estar ligada ao desenvolvimento de outras doenças alérgicas e abre caminho para pesquisas que busquem interromper esse processo.
Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
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