FIT no SUS: exame que rastreia câncer de intestino pode ser feito em casa

Nem sempre um problema no intestino dá sinais claros. Às vezes, pequenas quantidades de sangue já estão presentes nas fezes, mas são invisíveis a olho nu e só podem ser identificadas por um exame.

É justamente para procurar esse tipo de alteração que o Teste Imunoquímico Fecal, conhecido como FIT, passou a fazer parte do rastreamento do câncer colorretal no SUS.

Para o público definido pelo protocolo, o teste deve ser repetido a cada dois anos.

A inclusão do exame foi oficializada em agosto de 2026 pelo Ministério da Saúde. Mas como ele funciona na prática e o que acontece quando o resultado aponta alguma alteração?

Como funciona o FIT no SUS

O teste identifica sangue oculto nas fezes, que pode estar relacionado a pólipos, lesões que podem anteceder um câncer ou ao próprio câncer colorretal.

O diferencial está na forma como essa pesquisa é feita. O FIT utiliza anticorpos capazes de reconhecer especificamente a presença de sangue humano.

A coleta é simples e pode ser feita em casa.

A pessoa recebe um kit, retira uma pequena quantidade das fezes com uma haste própria e coloca o material no tubo indicado. Depois, a amostra é encaminhada para análise.

Não é necessário fazer preparo intestinal nem seguir uma dieta especial antes da coleta. O procedimento também pode ser realizado com apenas uma amostra.

O que o FIT pode encontrar

Pólipos e alguns tumores podem sangrar mesmo quando a pessoa ainda não apresenta sintomas. É por isso que encontrar sangue oculto pode ajudar a identificar alterações que precisam de investigação.

Segundo o Ministério da Saúde, o FIT apresenta sensibilidade estimada entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

E se o resultado do Teste FIT der positivo?

Um resultado positivo significa que foi encontrado sangue na amostra. Isso não quer dizer, por si só, que a pessoa tem câncer.

É preciso investigar a origem desse sangramento. A colonoscopia pode ser indicada para observar diretamente o interior do intestino e, quando necessário, retirar pólipos ou realizar uma biópsia.

É essa investigação que ajuda a esclarecer o que provocou a alteração encontrada no FIT.

Já um resultado negativo não encerra o rastreamento. Para as pessoas incluídas na estratégia do SUS, o teste deve ser repetido a cada dois anos.

Quem pode fazer o Teste FIT no SUS

O exame está previsto para homens e mulheres de 50 a 75 anos que não têm sintomas. A proposta é usar o FIT como uma forma de rastreamento, procurando alterações antes que elas provoquem sinais perceptíveis.

Quem apresenta sintomas precisa de avaliação médica, e a investigação pode seguir outro caminho.

Sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, anemia, perda de peso sem explicação e dor ou desconforto abdominal são alguns sinais que merecem atenção.

Exame FIT substitui a colonoscopia?

Não. Os dois exames têm funções diferentes.

O FIT funciona como uma primeira etapa do rastreamento. É simples e pouco invasivo e pode indicar quem precisa de uma investigação mais detalhada.

A colonoscopia permite observar o intestino por dentro e também possibilita, em determinadas situações, retirar pólipos durante o procedimento. Por isso, pode ser necessária depois de um FIT positivo.

A ideia é usar um exame mais simples para o rastreamento e reservar uma investigação mais detalhada para os casos que apresentarem alteração.

Por que o exame é feito a cada dois anos

Um resultado normal não significa que a pessoa nunca mais terá uma alteração. Por isso, o exame precisa ser repetido de tempos em tempos.

No SUS, o intervalo definido é de dois anos. Dessa forma, uma nova coleta pode identificar alterações que não estavam presentes ou não foram detectadas no exame anterior.

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Enf. Raquel Souza de Faria

Raquel Souza de Faria é enfermeira (COREN-MG 212.681), especialista em Docência do Ensino Superior, com atuação como consultora em Núcleo de Segurança do Paciente e experiência na gestão de serviços de Atenção Básica e Saúde da Família.

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