3 doses da vacina contra covid-19: o que mudou entre crianças vacinadas e não vacinadas

Na maioria das vezes, a covid-19 não causa complicações graves nas crianças. Mas isso não significa que os pequenos estejam totalmente protegidos de uma evolução mais séria da doença, especialmente nos primeiros anos de vida.

É justamente nessa faixa etária que uma nova pesquisa brasileira encontrou uma diferença importante. Crianças de 6 meses a 4 anos que receberam três doses da vacina da Pfizer/BioNTech tiveram 97% menos casos graves de covid-19 do que aquelas que não haviam sido vacinadas.

O resultado chama atenção porque crianças menores de 5 anos ainda estão entre os grupos sobre os quais havia menos evidências de proteção das vacinas contra formas graves da doença.

Também ajuda a responder uma pergunta que muitos pais podem ter hoje: afinal, qual é a diferença que a vacinação pode fazer para os pequenos?

Vacina contra covid-19: o que muda para crianças de até 4 anos

A pesquisa acompanhou mais de 2 milhões de crianças de 6 meses a 4 anos, em 24 municípios brasileiros, entre julho de 2022 e dezembro de 2024.

Os principais números ajudam a dimensionar o que os pesquisadores encontraram:

  • 1.384 hospitalizações por SRAG associadas à covid-19 foram registradas durante o período;
  • 27 crianças morreram em decorrência da doença;
  • entre as crianças que completaram as três doses da Pfizer/BioNTech, não houve registro de óbito;
  • os não vacinados concentraram 85% das hospitalizações por SRAG associadas à covid-19;
  • uma ou duas doses da Pfizer/BioNTech não apresentaram benefícios consistentes, e os resultados variaram conforme a idade.

O conjunto dos dados reforça um ponto importante da pesquisa. Para essa faixa etária, o benefício encontrado foi mais claro quando o esquema de três doses foi completado.

E a CoronaVac?

O resultado foi diferente quando os pesquisadores olharam para a CoronaVac, usada em crianças de 3 e 4 anos. Duas doses não mostraram uma redução clara nos casos graves de covid-19 nessa faixa etária.

A pesquisa também não conseguiu dizer se uma terceira dose faria diferença. Havia poucas crianças com esse esquema vacinal para que os pesquisadores pudessem chegar a uma conclusão confiável.

Isso não quer dizer que a CoronaVac “não funciona”. Os próprios autores destacam que ela teve importância durante a pandemia.

O que os resultados mostram é que a proteção de uma vacina precisa continuar sendo avaliada na população, especialmente quando surgem novas variantes e o cenário da doença muda.

Uma proteção que continua fazendo diferença

A covid-19 já não ocupa o mesmo espaço que teve nos primeiros anos da pandemia, mas continua circulando.

Para as crianças pequenas, os resultados reforçam o valor da vacinação na redução do risco de complicações graves e hospitalizações.

O trabalho foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP e publicado na revista científica Vaccine.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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