A retirada do medicamento do mercado brasileiro preocupa pacientes com epilepsia e familiares. O Ministério Público Federal investiga os impactos da decisão e a disponibilidade de alternativas para manter o tratamento.
Quem utiliza o Depakote Sprinkle 125 mg precisará se preparar para uma mudança importante nos próximos meses. A Abbott anunciou que deixará de fabricar e comercializar o medicamento no Brasil a partir de dezembro de 2026.
A notícia preocupa especialmente famílias de crianças e pacientes que dependem dessa apresentação para administrar o tratamento. Embora existam outros medicamentos com o mesmo princípio ativo, a substituição exige cuidados que vão além da escolha de uma dose equivalente.
Por que a retirada do Depakote Sprinkle preocupa?
O Depakote Sprinkle contém divalproato de sódio, substância utilizada no controle de diferentes tipos de crises epilépticas. Seu diferencial está na apresentação em cápsulas com microgrânulos de liberação retardada.
De acordo com a bula, é possível abrir a cápsula e misturar seu conteúdo a uma pequena quantidade de alimento pastoso, sem mastigar os grânulos. Esse formato facilita a administração para pessoas com dificuldade de engolir e determinados pacientes com condições neurológicas.
Por isso, a existência de outros medicamentos com divalproato de sódio não significa que todos os pacientes possam substituí-lo imediatamente. A apresentação, a forma de administração e as necessidades individuais precisam ser consideradas.
Segundo a Abbott, a descontinuação tem caráter comercial e não está relacionada a problemas de qualidade, segurança ou eficácia do produto.
O que pode acontecer com o tratamento?
A principal preocupação é que a retirada do medicamento dificulte a continuidade do tratamento para pacientes que não conseguem utilizar outras apresentações com facilidade.
A interrupção repentina de anticonvulsivantes pode provocar a perda do controle das crises e, em situações graves, levar ao estado de mal epiléptico, uma emergência médica.
Além disso, uma substituição inadequada pode comprometer o controle da epilepsia. Por esse motivo, qualquer mudança deve ser planejada pelo médico responsável, considerando o histórico clínico e as características de cada paciente.
O que pacientes e familiares devem fazer?
Quem utiliza o Depakote Sprinkle deve procurar o médico com antecedência, sem esperar que o medicamento desapareça das farmácias.
Durante a consulta, é importante discutir as alternativas disponíveis e verificar se alguma delas atende às necessidades do paciente. Dependendo do caso, o profissional poderá indicar uma mudança de apresentação ou de medicamento e definir como realizar a transição.
Enquanto o tratamento estiver em andamento, algumas medidas são importantes:
- Não interrompa o medicamento por conta própria: a suspensão repentina pode provocar crises e outras complicações.
- Verifique a validade e o armazenamento: as unidades que ainda estão disponíveis podem ser utilizadas dentro do prazo de validade, desde que tenham sido armazenadas corretamente e permaneçam adequadas para uso.
- Planeje a reposição: converse com o médico e com o farmacêutico caso encontre dificuldades para comprar o medicamento.
- Guarde a embalagem e a receita: essas informações ajudam os profissionais a identificar a apresentação utilizada e orientar a continuidade do tratamento.
A Abbott disponibiliza o telefone 0800 703 1050 para atendimento aos consumidores. Também é possível buscar informações pelo site oficial da empresa.
MPF investiga a retirada do medicamento
A descontinuação do Depakote Sprinkle levou o Ministério Público Federal (MPF) a instaurar um inquérito civil para avaliar os impactos da medida e verificar o cumprimento das normas sanitárias.
A investigação começou após uma família relatar preocupação com o tratamento de uma criança com síndrome rara. Outras 16 manifestações semelhantes foram reunidas ao procedimento.
O MPF solicitou informações à Abbott, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Saúde. Entre os pontos investigados estão o risco de desabastecimento, o cumprimento dos prazos de comunicação e a disponibilidade de alternativas terapêuticas, inclusive na rede pública.
A regulamentação da Anvisa estabelece regras para a comunicação da descontinuação de medicamentos e prevê prazos específicos, incluindo a antecedência de 180 dias e, nas situações previstas de risco de desabastecimento, de 12 meses. A fabricante também deve observar as exigências de fornecimento durante o período de transição.
O inquérito ainda está em andamento. Portanto, a investigação não significa que tenha sido constatada alguma irregularidade por parte da empresa.
Para quem utiliza o medicamento, o mais importante neste momento é não esperar pela retirada definitiva para buscar orientação. O acompanhamento médico antecipado permite avaliar as opções disponíveis e organizar a continuidade do tratamento com segurança.
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