Abri o laudo da colonoscopia e li ‘pólipo’. A primeira coisa que pensei foi: é câncer?

Você faz uma colonoscopia, acorda da sedação e recebe a notícia de que o médico encontrou um pólipo. Ou abre o laudo em casa e se depara com a palavra “pólipo” no meio de termos que nem sempre são fáceis de entender.

É natural que o primeiro pensamento seja: “Isso é câncer?”

Essa é uma preocupação que ouço com frequência. E a primeira coisa que explico é que não dá para chegar a essa conclusão apenas porque um pólipo intestinal foi encontrado.

Naquele momento, existe um achado na colonoscopia, mas a história ainda não está completa.

O que a colonoscopia consegue mostrar

Durante o exame, o médico consegue observar diretamente a parede do intestino e identificar alterações como pólipos. Também pode avaliar características da lesão, como tamanho, formato, localização e quantidade.

Essas informações ajudam a decidir como proceder. Em muitos casos, o pólipo pode ser retirado durante a própria colonoscopia, pela técnica mais adequada à lesão.

Mas existe um limite para o que os olhos conseguem determinar. A aparência do pólipo pode orientar a conduta, mas não conta toda a história.

É por isso que o material retirado segue para análise.

Por que o pólipo vai para o laboratório

Depois de retirado, o pólipo é enviado ao laboratório. Ali, o tecido é examinado no microscópio para identificar que tipo de lesão foi encontrada e se há alterações nas células.

Essa análise é importante porque a aparência durante a colonoscopia não mostra tudo. O resultado pode identificar alterações que ajudam a definir o risco da lesão.

Por isso, quando alguém me pergunta se pólipo intestinal é câncer, não basta olhar o que apareceu na colonoscopia. O resultado do laboratório também precisa ser considerado.

O tamanho e outras características também importam

O médico também leva em conta o tamanho, a quantidade e a localização dos pólipos, além do que foi observado durante a colonoscopia.

É por isso que duas pessoas que tiveram um “pólipo” podem receber orientações diferentes. Um pólipo pequeno e único pode exigir um acompanhamento diferente de várias lesões ou de um pólipo maior.

Com essas informações em mãos, o médico avalia o caso e define se será necessário repetir a colonoscopia e em quanto tempo.

Em algumas situações, o novo exame será indicado em um intervalo mais curto. Em outras, poderá demorar mais. Essa avaliação também faz parte da prevenção do câncer colorretal, porque algumas lesões podem estar relacionadas ao desenvolvimento da doença ao longo do tempo.

Não é o laudo isolado que determina quando repetir

Depois de receber o resultado, é tentador procurar cada termo na internet e tentar descobrir sozinho quando fazer a próxima colonoscopia.

Mas o intervalo não é igual para todo mundo. Ele depende do conjunto dos achados da colonoscopia e do resultado do exame do tecido.

Por isso, não tente definir o próximo exame apenas pelo que está escrito no laudo. É o médico quem deve interpretar essas informações em conjunto e indicar o acompanhamento adequado.

Encontrar um pólipo não significa descobrir um câncer. Significa que uma alteração foi identificada e que agora é preciso entender exatamente o que ela representa.

Em muitos casos, a própria colonoscopia permite retirar essa lesão antes que ela possa trazer problemas no futuro.

Leitura Recomendada: Você leva o celular para o banheiro? Talvez seja hora de parar

Compartilhe este conteúdo
Dr. Alexandre Nishimura
Dr. Alexandre Nishimura

Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.

VIRE A CHAVE PARA EMAGRECER

INSCRIÇÕES GRATUITAS E VAGAS LIMITADAS