Quando é hora de checar o coração? Cardiologista responde

Tecnologia permite visualizar lesões cutâneas com maior detalhamento e pode auxiliar no planejamento cirúrgico e no acompanhamento de diferentes condições dermatológicas

A saúde do coração costuma ser lembrada apenas quando surgem sintomas como dores no peito, falta de ar ou palpitações. No entanto, o sistema cardiovascular tem uma característica marcante: suas principais doenças, como a hipertensão arterial e o colesterol elevado, desenvolvem-se de forma silenciosa por anos antes de provocar um evento grave, como um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC).

Diante dessa realidade, surge uma das dúvidas mais frequentes no consultório: afinal, quando devemos começar a realizar exames do coração?

A resposta varia conforme a idade, o estilo de vida e o histórico de saúde de cada indivíduo. A seguir, detalho as diretrizes fundamentais para saber o momento certo de procurar uma avaliação cardiológica.

1. Adultos jovens sem sintomas (a partir dos 20 anos)

A ideia de que exames cardíacos são exclusivos para a terceira idade é um mito ultrapassado. A partir dos 20 anos, todo adulto deve realizar uma avaliação inicial simples, que inclui:

Medição da pressão arterial: ao menos uma vez ao ano.

Exames de sangue básicos: perfil lipídico (colesterol total e frações) e glicemia de jejum, repetidos a cada três a cinco anos se os resultados estiverem normais.

O objetivo nessa fase é identificar precocemente alterações metabólicas ou genéticas que possam danificar as artérias a longo prazo.

2. Rotina preventiva padrão (a partir dos 35 a 40 anos)

A partir dos 35 anos para homens e dos 40 anos para mulheres, a consulta cardiológica acompanhada de um eletrocardiograma (ECG) de repouso deve entrar para a rotina anual ou bienal.

É nessa faixa etária que o acúmulo de fatores do estilo de vida (como estresse, sedentarismo e alimentação inadequada) começa a impactar a estrutura vascular com maior frequência.

3. Histórico familiar de doenças cardíacas

Se você possui parentes de primeiro grau (pai, mãe ou irmãos) que sofreram infarto, AVC ou morte súbita em idade jovem (antes dos 55 anos para homens e 65 anos para mulheres), o rastreamento deve ser antecipado em pelo menos 10 anos em relação à idade que o parente tinha quando apresentou o problema, ou iniciado rotineiramente aos 20 anos.

4. Antes de iniciar atividades físicas intensas

Engajar-se em corridas, treinos funcionais de alta intensidade, musculação pesada ou esportes competitivos exige uma liberação médica prévia, independentemente da idade.

O teste ergométrico (teste de esforço) e o ecocardiograma ajudam a rastrear alterações estruturais e arritmias que só se manifestam quando o coração é exigido ao limite.

5. Presença de fatores de risco associados

Pessoas diagnosticadas com diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol alto ou que são fumantes precisam de acompanhamento cardiológico contínuo e exames específicos (como Holter, MAPA de 24 horas e ultrassom de artérias) direcionados pelo médico, independentemente da idade atual.

A prevenção primária é ideal, mas alguns sintomas exigem avaliação médica imediata. Procure atendimento sem hesitar se apresentar:

  • Dor, aperto ou sensação de peso no peito que irradia para o braço, pescoço ou costas;
  • Falta de ar desproporcional ao esforço realizado;
  • Palpitações intensas e frequentes (“batedeira” no peito);
  • Tonturas frequentes, visão escura ou episódios de desmaio (síncope).

Cuidar da saúde cardiovascular não significa realizar uma bateria infindável de exames complexos sem necessidade, mas sim passar por uma avaliação individualizada.

Um acompanhamento bem planejado identifica riscos no início e garante que o seu coração continue funcionando com máxima eficiência por toda a vida.

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Dr. Ricardo Ferreira

Dr. Ricardo Ferreira Silva é médico cardiologista, especializado no diagnóstico e tratamento de arritmias cardíacas. Possui formação em instituições como o Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, Hospital do Coração (HCor) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP).

É fundador do Centro Cardiológico em Uberaba (MG) e também atua em São Paulo, em hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo.

CRM 141475 (SP)

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