Depressão e ansiedade podem tirar a vontade de se exercitar. Mas será que é preciso fazer muito para sentir os benefícios?

Quem enfrenta depressão ou ansiedade sabe que até tarefas simples podem exigir um esforço enorme. Nesses momentos, pensar em frequentar uma academia ou seguir uma rotina de exercícios parece ainda mais difícil. Mas será que é preciso treinar muito para obter benefícios para a saúde mental?

As evidências indicam que não. Mesmo quantidades menores de atividade física podem contribuir para reduzir sintomas depressivos, e diferentes modalidades podem fazer parte desse cuidado.

A importância desse recurso foi destacada em um artigo publicado recentemente na revista científica Brain Health.

Os autores defendem que o exercício físico seja tratado como parte efetiva do cuidado psiquiátrico, com orientações individualizadas, metas possíveis e acompanhamento profissional.

Quais atividades podem ajudar a aliviar a depressão?

Caminhada, corrida, musculação e ioga estão entre as atividades que podem contribuir para reduzir os sintomas depressivos.

Os benefícios não dependem necessariamente de treinos intensos, e a escolha pode considerar as condições físicas e as possibilidades de cada pessoa.

O artigo também destaca que quantidades menores de atividade física podem ser relevantes.

Cerca de 75 minutos semanais de atividade moderada já aparecem associados a resultados favoráveis para a saúde mental.

Como a atividade física age no cérebro

Durante os exercícios, os músculos liberam substâncias que participam de processos ligados ao funcionamento cerebral.

A atividade física também favorece a circulação sanguínea e pode estimular a neuroplasticidade, capacidade de adaptação do cérebro.

Os benefícios podem alcançar a memória. Uma pesquisa mencionada no artigo observou aumento do volume do hipocampo, região importante para essa função, em adultos mais velhos que praticaram exercícios aeróbicos.

A atividade física também está associada a menor risco de declínio cognitivo e demência, embora não esteja comprovado que, sozinha, previna essas condições.

Pessoas com transtornos psiquiátricos também podem se beneficiar

O artigo destaca especialmente pessoas com esquizofrenia e outros transtornos mentais graves, que apresentam maior preocupação com sedentarismo e problemas cardiovasculares e metabólicos.

Nesses casos, a atividade física pode contribuir para a saúde física, os sintomas psiquiátricos e funções como atenção e memória.

Os possíveis ganhos cognitivos, porém, ainda precisam de confirmação em estudos maiores.

Como começar sem transformar o exercício em mais uma cobrança

A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias.

Mas não é preciso começar com essas metas. Segundo os autores do estudo, uma caminhada de cinco minutos, exercícios realizados sentado ou uma atividade supervisionada já podem ajudar a construir uma rotina.

Quem tem limitações de mobilidade, problemas cardíacos ou respiratórios ou histórico recente de quedas deve buscar orientação profissional antes de iniciar os exercícios.

A atividade física pode complementar o tratamento psiquiátrico, mas não substitui medicamentos ou psicoterapia quando necessários.

O mais importante é encontrar uma atividade possível de manter, respeitando as condições e a rotina de cada pessoa.

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Redação SaúdeLab

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