Anti-inflamatórios: o que são, quando usar e como escolher com segurança

Os anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais utilizados no mundo. Seja para aliviar dores, tratar inflamações ou controlar febres, eles fazem parte da rotina de milhões de pessoas.

Mas apesar de parecerem inofensivos por estarem disponíveis em farmácias (muitas vezes sem receita) o uso inadequado pode trazer riscos sérios à saúde.

aqui, no SaúdeLAB, você vai entender o que são os anti-inflamatórios, como funcionam, quando devem ser utilizados e quais são os principais tipos disponíveis.

Vamos também explicar como escolher com segurança e o que considerar na hora de usar esses medicamentos com responsabilidade.

O que são anti-inflamatórios e para que servem?

A inflamação é uma resposta natural do organismo a agressões, como infecções, lesões ou substâncias irritantes. Ela é importante para proteger o corpo e promover a recuperação.

No entanto, quando ocorre de forma intensa ou prolongada, pode causar dor, febre, inchaço e até contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas.

Os anti-inflamatórios são medicamentos usados para controlar essa resposta inflamatória excessiva.

Seu principal objetivo é reduzir a dor, o inchaço e outros sintomas associados à inflamação, permitindo que o organismo se recupere com mais conforto e segurança.

São comumente indicados em casos como:

  • Dores musculares ou articulares
  • Inflamações crônicas (como artrite)
  • Febre persistente
  • Lesões traumáticas (como entorses)
  • Pós-operatórios

Dor x Inflamação: por que essa diferença importa?

É importante entender que nem toda dor envolve inflamação. Uma dor de cabeça causada por tensão muscular, por exemplo, pode responder melhor a analgésicos simples (como paracetamol), enquanto uma dor causada por inflamação articular costuma exigir um anti-inflamatório.

Essa distinção é essencial para evitar o uso desnecessário de medicamentos e prevenir efeitos colaterais, especialmente em tratamentos prolongados.

Tipos de anti-inflamatórios: AINEs, corticoides e naturais

Existem diferentes classes de anti-inflamatórios, cada uma com mecanismos de ação e indicações específicas. Conhecer esses tipos ajuda a entender qual é o mais adequado para cada situação.

AINEs (Anti-inflamatórios não esteroidais)

Os AINEs são os anti-inflamatórios mais usados no dia a dia. Incluem medicamentos como:

  • Ibuprofeno
  • Naproxeno
  • Diclofenaco
  • Nimesulida
  • Cetoprofeno
  • Ácido acetilsalicílico (em altas doses)

Esses medicamentos atuam bloqueando as enzimas COX-1 e COX-2, que são responsáveis pela produção de prostaglandinas (substâncias envolvidas no processo inflamatório, na dor e na febre).

Vantagens:

  • Boa eficácia para dor, inflamação e febre
  • Ação relativamente rápida
  • Disponíveis sem receita (em doses menores)

Riscos:

  • Podem irritar o estômago e causar gastrite, úlceras ou sangramentos
  • Aumentam o risco de problemas renais e cardiovasculares em uso prolongado
  • Interagem com diversos medicamentos (como anticoagulantes e anti-hipertensivos)

Por isso, mesmo sendo de fácil acesso, os AINEs devem ser usados com critério, preferencialmente com orientação profissional.

Corticoides (anti-inflamatórios esteroidais)

Os corticoides são medicamentos mais potentes, com efeito anti-inflamatório intenso. Exemplos incluem:

  • Prednisona
  • Dexametasona
  • Betametasona

Eles agem suprimindo diversas etapas do processo inflamatório, o que os torna muito eficazes em situações mais graves ou em doenças autoimunes e alérgicas.

Quando são indicados:

  • Doenças autoimunes (como lúpus, artrite reumatoide)
  • Reações alérgicas graves
  • Crises de asma
  • Inflamações intensas que não respondem a AINEs

Considerações:

  • O uso deve ser feito com rigoroso acompanhamento médico
  • Podem causar efeitos adversos importantes: aumento de pressão, glicemia, retenção de líquidos, osteoporose, insônia, entre outros
  • O uso prolongado exige desmame gradual para evitar complicações

Anti-inflamatórios naturais (com respaldo científico)

Certas substâncias naturais apresentam ação anti-inflamatória comprovada em estudos, especialmente por atuarem em processos oxidativos e na modulação do sistema imune.

Principais exemplos:

  • Cúrcuma (curcumina): potente antioxidante e modulador inflamatório, útil em dores articulares leves
  • Gengibre: inibe enzimas inflamatórias, sendo útil para dores musculares e náuseas
  • Ômega-3 (EPA e DHA): reduz marcadores inflamatórios, com efeitos positivos em doenças cardiovasculares, articulares e inflamações crônicas

Quando são úteis:

  • Para complementar o tratamento em inflamações leves ou moderadas
  • Em estratégias de prevenção
  • Quando se deseja reduzir o uso contínuo de medicamentos sintéticos

Limitações:

  • Efeito mais lento e sutil
  • Não substituem medicamentos em casos graves
  • A eficácia depende da dose, formulação e frequência de uso

Dipirona e paracetamol são anti-inflamatórios?

Embora sejam amplamente usados para tratar dor e febre, dipirona e paracetamol não são classificados como anti-inflamatórios.

Dipirona: Tem ação analgésica, antitérmica e espasmolítica. Atua sobre o sistema nervoso central, mas com pouco ou nenhum efeito anti-inflamatório direto. Seu uso é comum em cólicas e febres altas.

Paracetamol: É um analgésico e antitérmico sem ação anti-inflamatória significativa. É mais seguro para o estômago, mas exige cuidado com o fígado, especialmente em doses altas ou uso contínuo.

Mito comum: muitas pessoas acreditam que esses medicamentos “resolvem inflamações”, mas, na verdade, eles apenas aliviam sintomas como dor e febre sem atuar diretamente nos processos inflamatórios, como fazem os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

Importante: Apesar de parecerem inofensivos, esses medicamentos também oferecem riscos quando usados sem orientação ou por longos períodos.

AINEs: tradicionais x inibidores seletivos da COX-2

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) atuam inibindo enzimas chamadas ciclooxigenases (COX-1 e COX-2), que estão envolvidas na produção de substâncias inflamatórias (prostaglandinas).

AINEs tradicionais (como ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco):

Inibem tanto a COX-1 quanto a COX-2. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor e febre, mas também pode afetar a proteção gástrica, a função renal e a coagulação sanguínea, o que explica os efeitos adversos mais comuns, como dor de estômago, úlceras e risco de sangramentos.

Inibidores seletivos da COX-2 (como celecoxibe e etoricoxibe):

Foram desenvolvidos para preservar a ação da COX-1, reduzindo os efeitos adversos gastrointestinais. Eles inibem de forma mais específica a COX-2, que está diretamente envolvida no processo inflamatório.

Por que precisam de receita?

Apesar de serem melhor tolerados pelo estômago, esses medicamentos aumentam o risco cardiovascular (como infarto e AVC) em certos grupos de pacientes, especialmente em uso prolongado ou em pessoas com fatores de risco.

Por isso, o uso deve ser individualizado e acompanhado por um profissional de saúde, o que justifica a exigência de receita médica controlada.

Qual é o melhor anti-inflamatório?

A pergunta é comum, mas a resposta é: depende. Não existe um anti-inflamatório que seja o melhor para todos os casos. A escolha deve considerar:

  • A causa da dor ou inflamação
  • A gravidade do quadro
  • As condições de saúde da pessoa (estômago, rins, coração)
  • A presença de outros medicamentos em uso
  • A resposta individual ao fármaco

💊 Comparativo entre os principais AINEs

MedicamentoInício de açãoDuração do efeitoFrequência de usoPotênciaSegurança gástrica
Ibuprofeno30–60 min4–6 h3x/diaModeradaRisco médio
Naproxeno1–2 h8–12 h2x/diaAltaRisco moderado
Diclofenaco30 min–1 h6–8 h2–3x/diaAltaRisco alto
Celecoxibe1–2 h12–24 h1–2x/diaAltaMenor risco gástrico

 

Destaque: o celecoxibe, por ser um inibidor seletivo da COX-2, costuma causar menos irritação gástrica. Já o naproxeno se destaca pela duração prolongada, sendo útil em inflamações persistentes. No entanto, todos podem causar efeitos adversos se usados de forma inadequada.

Leitura Recomendada: O que é íngua e quais são suas causas? Veja quando é normal e quando exige atenção médica

Riscos e efeitos colaterais dos anti-inflamatórios

Embora muito usados, os anti-inflamatórios não são isentos de riscos. O uso inadequado, prolongado ou em doses elevadas pode levar a efeitos adversos importantes, especialmente em pessoas com fatores de risco pré-existentes.

Principais efeitos colaterais

  • Gastrite, úlceras e sangramentos gástricos: A inibição da enzima COX-1 reduz a produção de prostaglandinas protetoras do estômago, tornando a mucosa mais vulnerável à acidez.
  • Lesão renal: A redução do fluxo sanguíneo nos rins pode prejudicar a filtração, especialmente em pessoas com doença renal ou desidratadas.
  • Aumento da pressão arterial e risco cardiovascular: Alguns anti-inflamatórios, especialmente em uso prolongado, podem elevar a pressão arterial e aumentar o risco de infarto ou AVC.
  • Alterações hepáticas: Certos medicamentos como a nimesulida exigem cautela em pessoas com histórico de doenças hepáticas.

Interações medicamentosas relevantes

  • Anticoagulantes (ex: varfarina, rivaroxabana): aumentam o risco de sangramentos.
  • Antidepressivos ISRS (ex: fluoxetina, sertralina): o risco de hemorragias digestivas pode ser potencializado.
  • Antipertensivos (ex: IECA, diuréticos): os AINEs podem reduzir seu efeito e aumentar a toxicidade renal.

Automedicação e uso crônico: riscos reais

O uso prolongado ou sem acompanhamento multiplica os riscos conforme estudos científicos.

Muitos pacientes mantêm o uso diário por semanas sem saber que estão colocando em risco a função renal, gástrica ou cardiovascular.

A automedicação com anti-inflamatórios ainda é comum no Brasil e deve ser combatida com informação e orientação profissional.

Grupos de risco

Algumas populações merecem atenção redobrada:

  • Idosos: maior sensibilidade a efeitos adversos e risco de queda da função renal
  • Gestantes: alguns anti-inflamatórios são contraindicados, principalmente no terceiro trimestre
  • Pessoas com hipertensão, problemas renais ou histórico de úlceras: uso apenas com avaliação individualizada

Como usar anti-inflamatórios com segurança

Apesar dos riscos, os anti-inflamatórios continuam sendo ferramentas valiosas no alívio da dor e controle da inflamação. Para utilizá-los com segurança, algumas orientações simples fazem toda a diferença.

Dicas práticas de uso seguro

  • Tome sempre após as refeições: isso ajuda a proteger a mucosa gástrica e reduzir o risco de irritações.
  • Evite uso prolongado sem indicação: não ultrapasse 5 a 7 dias de uso contínuo sem avaliação profissional.
  • Considere o uso de protetores gástricos: como omeprazol ou pantoprazol, especialmente em pessoas com histórico de gastrite, refluxo ou uso concomitante de outros medicamentos irritantes.
  • Informe seu farmacêutico ou médico sobre outros medicamentos em uso: isso ajuda a evitar interações perigosas.

Quando buscar orientação

Sempre que houver dúvida, histórico de doenças crônicas, necessidade de uso prolongado ou sintomas persistentes, a avaliação profissional é indispensável.

O farmacêutico pode orientar quanto ao uso correto e avaliar possíveis riscos, encaminhando ao médico quando necessário.

Leitura Recomendada: Saiba por quê não é recomendado tomar anti-inflamatório após prática de exercícios físicos

Anti-inflamatórios vendidos sem receita: são realmente seguros?

Muitos anti-inflamatórios estão disponíveis em farmácias sem a exigência de prescrição médica. Essa acessibilidade, no entanto, não significa que sejam isentos de riscos.

Diferença entre medicamentos OTC e de prescrição

  • OTC (over-the-counter): ibuprofeno, naproxeno em doses reduzidas, diclofenaco tópico (vendidos livremente).
  • Prescrição obrigatória: celecoxibe, nimesulida, corticoides (exigem acompanhamento médico).

Mesmo os medicamentos OTC podem causar efeitos graves quando mal utilizados, especialmente em pessoas com problemas renais, gástricos ou cardíacos.

Exemplos comuns e seus cuidados

  • Ibuprofeno: apesar da ampla disponibilidade, pode afetar os rins e a pressão arterial.
  • Naproxeno: potente, mas com maior risco gastrointestinal se usado por longos períodos.
  • Diclofenaco tópico: aparentemente mais seguro, mas deve ser usado em áreas restritas e sem feridas na pele.

O uso consciente e com orientação continua sendo a melhor forma de proteger sua saúde.

Quando evitar anti-inflamatórios

Embora úteis em diversas situações, os anti-inflamatórios devem ser evitados em alguns casos específicos:

  • Úlcera gástrica ativa ou histórico de sangramento digestivo
  • Doença renal crônica ou insuficiência renal aguda
  • Uso contínuo de anticoagulantes
  • Hipertensão arterial descontrolada

Gestação: atenção especial

Durante a gestação, especialmente no terceiro trimestre, os anti-inflamatórios não esteroidais podem causar fechamento precoce do ducto arterioso fetal, além de riscos renais para o bebê. O uso só deve ser feito com prescrição e supervisão médica.

Doenças autoimunes

Em algumas doenças autoimunes, o uso de anti-inflamatórios deve ser individualizado. Em certos casos, podem mascarar sintomas ou interagir com imunossupressores.

Os anti-inflamatórios são medicamentos eficazes e amplamente utilizados, mas que exigem conhecimento, cautela e orientação profissional.

Quando usados com responsabilidade, podem trazer alívio e melhorar a qualidade de vida. No entanto, o uso indiscriminado pode gerar sérios prejuízos à saúde.

Sempre consulte um profissional antes de iniciar ou manter o uso de qualquer medicamento.

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Elizandra Civalsci Costa
Elizandra Civalsci Costa

Farmacêutica (CRF MT n° 3490) pela Universidade Estadual de Londrina e Especialista em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner. - Curitiba PR. Possui curso em Revisão de Conteúdo para Web pela Rock Content University e Fact Checker pela poynter.org. Contato (65) 99813-4203

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