Como a dieta pode ajudar a lidar com sintomas depressivos na menopausa

A menopausa é um período de grandes mudanças na vida da mulher, trazendo alterações físicas, metabólicas e emocionais. Essa fase, geralmente marcada pelo fim da menstruação e pela queda da produção hormonal, pode impactar a qualidade de vida em diferentes aspectos.

Muitas mulheres de meia-idade enfrentam desafios como depressão, ansiedade, ganho de peso, ondas de calor e dificuldades para dormir, em parte devido às alterações hormonais.

O risco de desenvolver depressão, por exemplo, chega a ser o dobro durante a transição para a menopausa.

Estresse e variações hormonais também estão diretamente ligados à alta incidência de quadros depressivos nesse grupo.

No entanto, a forma como nos alimentamos pode ser uma ferramenta poderosa para cuidar da saúde mental e também da saúde física nesse período. É aí que a alimentação na menopausa ganha papel de destaque.

Alimentação na menopausa e saúde mental: o que dizem os estudos

Um estudo feito com mais de 2.200 mulheres na Coreia do Sul revelou que um padrão alimentar considerado “saudável” estava associado a menor risco de sintomas depressivos.

Essa dieta incluía alimentos como arroz multigrãos, legumes, nozes, vegetais, frutas, peixes, algas e laticínios.

Já uma alimentação “não saudável”, com alto consumo de pão, bolos, salgadinhos, chocolate, refrigerantes, café e álcool, mostrou-se relacionada ao aumento do risco de sintomas depressivos.

Esses achados reforçam como a alimentação na menopausa pode influenciar positivamente o equilíbrio emocional e o bem-estar da mulher, principalmente em relação à depressão.

Inflamação, intestino e alimentação na menopausa

A explicação para esses efeitos está ligada, em parte, à relação entre alimentação, intestino e metabolismo.

Uma dieta pobre em nutrientes pode interferir no funcionamento de neurotransmissores como a dopamina, que influencia diretamente o humor.

Além disso, um microbioma intestinal saudável é fundamental para a produção de serotonina, neurotransmissor essencial para a regulação do humor.

Nutrientes essenciais para equilibrar a alimentação na menopausa

Para obter fibras, em vez dos grãos tradicionais, podemos incluir sementes de abóbora, sementes de girassol e o cará-moela.

Ricos em vitaminas do complexo B, alimentos como a taioba, a folha de batata-doce e a ora-pro-nóbis são boas opções.

Já para garantir o magnésio, nutrientes presentes no jatobá, na bertalha e no quiabo são excelentes aliados.

O consumo regular desses alimentos pode ajudar a manter o equilíbrio do eixo intestino-cérebro e favorecer o bem-estar mental.

Assim, investir em uma boa alimentação na menopausa é também investir em qualidade de vida, equilíbrio emocional e saúde duradoura.

Referência: CHOI, J-J. et al. Nutrients. 16(6), 2024.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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