Propranolol: 10 mitos e verdades que você precisa conhecer

O propranolol é um dos medicamentos mais conhecidos e prescritos no mundo, utilizado principalmente para tratar problemas cardíacos, tremores, ansiedade de performance e até enxaquecas.

Justamente por ser tão popular, ele também é cercado de dúvidas, receios e informações distorcidas. Afinal, será que ele causa dependência? Pode ser usado por qualquer pessoa ansiosa? Faz mal ao coração a longo prazo?

Muitos pacientes chegam ao consultório já com opiniões formadas a partir de relatos da internet ou de conhecidos, o que pode gerar insegurança no tratamento.

Pensando nisso, reunimos aqui os principais mitos e verdades sobre o propranolol, explicados de forma clara e baseada em evidências.

O objetivo é ajudar você a entender melhor como esse medicamento funciona, quando ele é realmente indicado e quais cuidados são necessários para um uso seguro.

1. O propranolol serve apenas para tratar pressão alta

Mito. Embora seja conhecido como um remédio contra hipertensão, o propranolol tem um espectro de uso muito mais amplo.

Ele também pode ser prescrito para angina, arritmias cardíacas, tremores essenciais, prevenção de enxaqueca e controle de sintomas da ansiedade de performance.

Isso acontece porque ele bloqueia os receptores beta-adrenérgicos, que influenciam não só o coração, mas também outras funções do organismo.

2. O propranolol pode causar fadiga e cansaço

Verdade. Ao reduzir a frequência e a força de contração do coração, o medicamento pode provocar sensação de cansaço, sonolência ou falta de energia, principalmente no início do tratamento ou em doses mais altas.

Com o tempo, muitos pacientes se adaptam, mas caso o sintoma persista, é necessário conversar com o médico para avaliar ajustes ou troca de medicação.

3. O propranolol engorda

Mito (com ressalvas). O propranolol não está associado diretamente ao ganho de peso. No entanto, como ele reduz o ritmo cardíaco, pode causar uma leve queda no metabolismo basal.

Isso, somado a uma possível redução na prática de exercícios por causa da fadiga inicial, pode favorecer o acúmulo de peso em algumas pessoas. Ou seja, o ganho de peso não vem do remédio em si, mas de fatores indiretos.

4. O propranolol ajuda em situações de ansiedade e “nervosismo”

Verdade. Esse é um dos usos mais conhecidos fora da cardiologia. O propranolol é muito eficaz para ansiedade de performance, como falar em público, participar de apresentações ou enfrentar provas e entrevistas.

Ele não interfere nas emoções, mas reduz sintomas físicos como taquicardia, tremores e suor excessivo, permitindo maior controle da situação.

5. O propranolol não deve ser usado por quem tem asma

Verdade. Pessoas com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) devem evitar o uso desse medicamento.

Isso porque o bloqueio dos receptores beta pode provocar broncoespasmo, dificultando a respiração. Nesses casos, médicos geralmente optam por betabloqueadores mais seletivos, que agem apenas no coração.

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6. Quem toma propranolol nunca poderá beber álcool

Mito (com cuidados). Não existe proibição absoluta, mas o álcool pode potencializar os efeitos do propranolol, como queda da pressão arterial, tontura e sonolência.

Por isso, se for beber, deve ser com moderação e sempre com orientação médica. A combinação exagerada pode trazer riscos sérios.

7. O propranolol pode causar insônia ou sonhos intensos

Verdade. Como atravessa a barreira hematoencefálica, o propranolol pode afetar o cérebro e alterar o sono em algumas pessoas. É relativamente comum relatar insônia, sonhos muito vívidos ou até pesadelos.

Uma solução prática pode ser mudar o horário da dose, mas sempre sob supervisão médica.

8. O propranolol pode ser usado por atletas para melhorar desempenho

Mito. Em esportes de precisão, como tiro ao alvo, já houve casos de uso do propranolol para reduzir tremores.

No entanto, ele não melhora o desempenho físico: pelo contrário, pode diminuir a capacidade cardiorrespiratória e prejudicar o rendimento.

Por isso, está proibido por agências antidoping em algumas modalidades.

9. O propranolol pode ser suspenso de repente, sem problemas

Mito perigoso. Interromper o propranolol de forma brusca pode causar efeito rebote, aumentando o risco de hipertensão, angina ou arritmias graves.

A retirada deve ser sempre gradual e orientada por um médico. Jamais interrompa o tratamento por conta própria.

10. O propranolol é seguro quando usado corretamente e com acompanhamento médico

Verdade. Quando prescrito de forma adequada e acompanhado por um profissional de saúde, o propranolol é considerado seguro e eficaz. Ele oferece benefícios comprovados no controle da pressão arterial, enxaqueca, arritmias e ansiedade de performance.

O segredo da segurança está no uso individualizado e monitorado.

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Efeitos colaterais do propranolol: comuns x raros

Embora seja considerado seguro quando usado sob prescrição, o propranolol pode causar efeitos adversos em alguns pacientes. Conhecer os mais frequentes ajuda a identificar quando os sintomas fazem parte da adaptação inicial e quando é necessário procurar o médico.

CategoriaEfeitos colateraisObservações
ComunsFadiga, sonolência, tontura, extremidades frias (mãos e pés), náusea, queda de pressãoGeralmente leves e transitórios; tendem a melhorar com a adaptação ao tratamento
Menos comunsInsônia, sonhos vívidos ou pesadelos, diarreia, queda de libido, ganho de peso discretoPodem ocorrer em pacientes mais sensíveis; ajuste de dose pode ajudar
RarosBroncoespasmo (principalmente em asmáticos), bradicardia intensa, depressão, alterações de memória, reações alérgicasPrecisam de avaliação médica imediata; em alguns casos exige suspensão ou troca da medicação

Dica: sempre relate qualquer sintoma inesperado ao seu médico. Só ele pode avaliar se os efeitos estão dentro do esperado ou se indicam a necessidade de ajustes.

Curiosidades sobre o propranolol

Além de seu papel consagrado na medicina, o propranolol já esteve em evidência em contextos curiosos e até polêmicos:

  • Ansiedade em músicos e artistas: muitos músicos clássicos, atores e palestrantes famosos já admitiram usar propranolol para controlar os sintomas físicos da ansiedade antes de apresentações importantes.
  • Debates políticos: há registros históricos de políticos que utilizaram propranolol antes de discursos ou debates televisionados, para evitar tremores e suor excessivo diante das câmeras.
  • Pesquisas em trauma psicológico: alguns estudos investigam se o propranolol poderia reduzir a intensidade de memórias traumáticas ao ser administrado em conjunto com terapias específicas. Embora promissor, esse uso ainda não faz parte das indicações clínicas.
  • Esportes de precisão: como citado, seu uso já foi alvo de proibições em competições, principalmente em modalidades que exigem estabilidade motora, como tiro esportivo e arco e flecha.

A versatilidade e acessibilidade do propranolol

Um dos grandes diferenciais do propranolol é que, além de eficaz, ele é acessível e versátil. Trata-se de um medicamento antigo, com décadas de uso seguro e estudado em diferentes populações, o que amplia sua confiabilidade.

Outro ponto importante é o custo-benefício: o propranolol é considerado um remédio barato, facilmente encontrado em farmácias e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em suas principais dosagens.

Isso garante que milhões de brasileiros tenham acesso ao tratamento, sem que o valor seja uma barreira.

Sua versatilidade também chama atenção. Ele pode ser utilizado em diferentes contextos clínicos (da hipertensão à prevenção de enxaqueca, passando pelo controle da ansiedade de performance).

Essa amplitude de indicações faz do propranolol um dos medicamentos mais úteis da prática médica.

Em resumo: eficaz, barato, disponível no SUS e com múltiplas aplicações, o propranolol se consolida como um dos betabloqueadores mais relevantes da medicina moderna.

O propranolol é um medicamento valioso e versátil, mas que ainda gera dúvidas e receios. Separar mitos de verdades ajuda pacientes e familiares a compreenderem melhor o tratamento, favorecendo confiança e adesão.

Em todos os casos, a decisão final deve sempre ser médica, garantindo que os benefícios superem os riscos.

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Elizandra Civalsci Costa
Elizandra Civalsci Costa

Farmacêutica (CRF MT n° 3490) pela Universidade Estadual de Londrina e Especialista em Farmácia Hospitalar e Oncologia pelo Hospital Erasto Gaertner. - Curitiba PR. Possui curso em Revisão de Conteúdo para Web pela Rock Content University e Fact Checker pela poynter.org. Contato (65) 99813-4203

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