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Cansado de lidar com pessoas que nunca admitem erros? Neurologista explica como enfrentar o Self-Serving Bias
Como lidar com o Self-Serving Bias de outras pessoas? Vamos começar com a definição do conceito. O Self-Serving Bias (um tipo de viés cognitivo) é basicamente a tendência de explicar o sucesso por causas internas e o fracasso por causas externas.
Ou seja, quando algo dá certo, o mérito é todo meu. E quando algo dá errado, a culpa é toda sua ou do contexto.
Como reconhecer esse viés cognitivo em nós e nos outros
O primeiro passo para a gente saber como lidar com isso no outro é entender que isso também existe em nós, porque esse é um mecanismo de funcionamento humano.
Nem todo selfing é maldade. Ele acontece por três motivos principais, e compreender isso é importante para saber como lidar:
Autoproteção da identidade:
Nós tendemos a proteger o nosso self, as nossas crenças centrais.
Raciocínio motivado:
Estamos o tempo todo buscando evidências que sustentem as nossas certezas.
Arquitetura neural:
Quando temos um questionamento do nosso valor ou das nossas certezas, ativamos a amígdala — região do cérebro ligada ao medo. Nesse contexto, o córtex pré-frontal passa a funcionar na tendência de se defender, e não de revisar crenças.
Sabemos que isso acontece porque o outro percebe o questionamento como uma redução do próprio valor.
Tudo que fazemos no sentido de provar que ele está errado diretamente aumenta a defensividade.
Portanto, a pergunta correta não é “como provar que o outro está errado?”. A pergunta correta é: “como reduzir a ameaça o suficiente para que o outro consiga pensar melhor?”.
Parte prática: como lidar com esse viés cognitivo
1 – O primeiro ponto é regular as emoções antes de argumentar com o outro.
Sempre que ele está em uma resposta de raiva ou de medo, isso reduz a flexibilidade cognitiva.
A chance de você conseguir argumentar e ter sucesso é muito baixa. Por isso, pause, respire e traga paz para o momento da discussão.
2 – O segundo ponto é desvencilhar erro de valor.
É extremamente importante conduzir o outro para mostrar que não é porque algo está errado — ou porque ele cometeu um erro — que isso reduz o valor de quem ele é ou do que ele acredita.
Isso é fundamental para separarmos, na nossa vida, identidade de comportamento.
Todos nós vamos errar muitas vezes ao longo da vida, e um erro isolado não define quem somos.
Outras duas estratégias que ajudam muito, especialmente do ponto de vista profissional, são:
Troca de perspectiva: você pode, por exemplo, perguntar para a sua equipe: “Se fosse uma outra equipe vivendo a mesma situação que estamos vivendo, como você explicaria o sucesso dessa outra equipe? E como explicaria o fracasso dessa outra equipe?” Essa troca reduz a defensividade e nos faz raciocinar colocando o outro no lugar, como se estivéssemos analisando um personagem externo.
Perguntas contrabalançadas: basicamente, seria questionar: “O que, no contexto, justificaria o nosso sucesso como equipe? E o que, nas nossas escolhas, poderia justificar o nosso fracasso?” Esse tipo de pergunta inverte o viés e ajuda a mostrar não apenas valor, mas também o que funciona.
Viés cognitivo: do erro isolado ao padrão de comportamento
Essa perspectiva nos leva a compreender o erro de maneira mais flexível.
Como eu disse anteriormente, um comportamento isolado não define identidade.
No entanto, é extremamente importante colocar limites quando o viés se transforma em padrão de comportamento.
Uma coisa é o Self-Serving Bias aparecer de forma isolada, como um comportamento isolado.
Outra coisa é quando isso vira um padrão repetido. Para esse tipo de padrão, limites são necessários.
Quer entender melhor esse tema de forma rápida e prática?
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Sou neurologista, especialista em neurociência comportamental e cognitiva, com foco em como nosso cérebro molda pensamentos, emoções e comportamentos.
Meu objetivo é traduzir a ciência do cérebro de forma prática e acessível, ajudando pessoas a desenvolverem mais autoconfiança, equilíbrio emocional e clareza mental. Além disso, compartilho conhecimento sobre saúde mental, hábitos e produtividade, sempre integrando a ciência à vida cotidiana.
Instagram: @dra.mariliaganer
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