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Como é a cirurgia de endometriose intestinal: o que a paciente precisa entender
“Como é a cirurgia de endometriose” é uma das perguntas mais frequentes no consultório, especialmente quando a doença atinge o intestino. E isso não é por acaso.
A endometriose intestinal costuma gerar medo, insegurança e muitas dúvidas, muitas vezes alimentadas por informações técnicas demais ou pouco claras.
Meu objetivo aqui é explicar, de forma direta, como é a cirurgia de endometriose intestinal, quando ela é indicada e quais são as principais técnicas utilizadas atualmente, sempre respeitando a individualidade de cada mulher.
O que é a endometriose intestinal, em termos simples
A endometriose intestinal acontece quando um tecido semelhante ao endométrio — que normalmente reveste o útero — passa a se desenvolver na parede do intestino.
Quando essa infiltração ultrapassa 5 milímetros de profundidade, chamamos de endometriose profunda intestinal, considerada uma forma mais avançada da doença.
Os sintomas variam, mas são comuns:
- dor intensa durante o período menstrual;
- dor ao evacuar;
- alterações intestinais cíclicas;
- dor pélvica persistente.
Antes da cirurgia: por que o diagnóstico precisa ser bem planejado
Antes de entender como é a cirurgia de endometriose intestinal, é importante saber que o sucesso do tratamento começa antes do centro cirúrgico.
Hoje, não se recomenda cirurgia apenas para “descobrir” a doença. O diagnóstico moderno é feito com a combinação de:
- conversa clínica detalhada (história da paciente);
- exame físico direcionado;
- exames de imagem específicos, como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética, ambos com preparo intestinal.
Esses exames permitem mapear exatamente onde está a doença, sua profundidade e extensão, o que possibilita planejar a cirurgia adequada desde o início.
Vale reforçar que a colonoscopia não diagnostica endometriose intestinal. Ela é utilizada apenas para excluir outras doenças, como câncer de intestino ou doença inflamatória intestinal.
Como é a cirurgia de endometriose quando o intestino está envolvido
A escolha da técnica cirúrgica depende de fatores importantes, como:
- tamanho e profundidade da lesão;
- quanto da parede do intestino foi comprometida;
- intensidade dos sintomas;
- desejo reprodutivo da paciente.
Atualmente, priorizamos cirurgias minimamente invasivas, realizadas por laparoscopia ou cirurgia robótica, que oferecem mais precisão e recuperação mais rápida.
A seguir, explico as principais técnicas de forma clara.
Cirurgia laparoscópica ou robótica: a base do tratamento
Mesmo sendo minimamente invasiva, a cirurgia de endometriose intestinal não é simples.
Trata-se de um procedimento cuidadosamente planejado e realizado por equipe especializada.
Durante a cirurgia, removemos a doença por completo, o que pode incluir:
- retirada da lesão intestinal;
- remoção de áreas do peritônio comprometidas;
- em alguns casos, retirada do útero (histerectomia), quando não há desejo de engravidar e os sintomas são importantes.
O acesso é minimamente invasivo, mas a retirada da doença é efetiva.
Shaving: quando a lesão é mais superficial
O shaving é uma técnica em que realizamos uma raspagem cuidadosa da lesão, sem retirar um segmento do intestino.
Ela é indicada quando:
- a endometriose não invade profundamente a parede intestinal;
- ou como etapa complementar a outros procedimentos.
Sempre que possível, essa técnica preserva ao máximo a estrutura do intestino.
Ressecção discoide: retirada localizada da lesão
Na ressecção discoide, removemos apenas um “disco” da parede intestinal onde a lesão está localizada.
Essa técnica é indicada quando:
- a lesão é mais profunda;
- mas compromete menos de 30% da circunferência do intestino.
Após a retirada, o intestino é fechado com grampeadores específicos, mantendo sua continuidade.
Ressecção segmentar: quando a doença é mais extensa
Quando a endometriose compromete uma área maior do intestino — seja em extensão, profundidade ou circunferência — optamos pela ressecção segmentar.
Nesse caso:
- retiramos um segmento do intestino (geralmente entre 10 e 20 cm);
- reconectamos as extremidades no mesmo ato cirúrgico.
Um ponto que tranquiliza muitas pacientes é que, na maioria dos casos, não é necessária colostomia (a conhecida “bolsinha”), especialmente quando a cirurgia é bem planejada.
O que a paciente precisa levar em conta
Entender como é a cirurgia de endometriose intestinal ajuda a reduzir o medo e a ansiedade, mas cada caso é único.
A melhor técnica não é a mais simples nem a mais radical. É aquela que remove a doença de forma completa, preservando a função intestinal, a qualidade de vida e, quando desejado, a fertilidade.
Por isso, a cirurgia de endometriose intestinal deve sempre ser:
- bem indicada;
- cuidadosamente planejada;
- realizada por equipe experiente e multidisciplinar.
Informação clara também faz parte do tratamento.
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Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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