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Alimentos que causam hemorroidas? O que realmente piora o problema
Eu me lembro de que, há algum tempo, a cantora Anitta comentou ter identificado um gatilho claro para suas crises de hemorroida. Segundo ela, quando ainda não era vegana, o salame costumava desencadear o problema.
A observação faz sentido, pelo menos para algumas pessoas.
Quem convive com hemorroida frequentemente nota que certos alimentos parecem “acordar” a dor, a coceira ou o sangramento. Mas aqui cabe um ajuste importante.
Alimentos não criam hemorroidas do zero.
O que eles podem fazer é favorecer o cenário para que uma crise apareça em quem já tem predisposição ou doença instalada.
O que está por trás das hemorroidas
As hemorroidas são estruturas vasculares naturais da região anal que podem se dilatar e inflamar quando há aumento repetido de pressão no local.
Isso costuma acontecer principalmente quando a evacuação exige esforço ou demora mais do que deveria.
Ou seja, na maioria das vezes, o principal fator não é um alimento isolado, e sim o funcionamento do intestino.
Quando o hábito intestinal fica irregular (especialmente com fezes ressecadas), a pessoa tende a fazer mais força para evacuar. Essa pressão repetida favorece o surgimento dos sintomas conhecidos.
É nesse ponto que a alimentação entra.
Por que alguns alimentos parecem “causar” hemorroida
O salame citado é um bom exemplo — não por ser um vilão exclusivo, mas por reunir características que podem favorecer crises em pessoas suscetíveis.
Alimentos muito salgados e ultraprocessados geralmente têm pouca fibra e podem contribuir para a constipação.
Já os muito condimentados ou picantes podem aumentar a sensação de ardor ou irritação anal em quem já está com a região inflamada.
O resultado é conhecido por quem sofre com o problema. A veia já dilatada passa a incomodar mais.
Outros itens que podem piorar os sintomas em algumas pessoas incluem:
- embutidos em geral (como linguiça, salsicha, presunto e bacon);
- pimentas e molhos muito condimentados (como pimenta malagueta, molho de pimenta e temperos muito picantes);
- bebidas alcoólicas (cerveja, vinho e destilados em excesso);
- excesso de cafeína (café em grande quantidade, energéticos e alguns pré-treinos);
- produtos ultraprocessados (salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e fast food).
Perceba: eles raramente são a origem do problema. Na prática, costumam funcionar mais como combustível para uma situação que já existe.
O verdadeiro fator de proteção
Se há algo que realmente muda a história das hemorroidas, não é retirar um alimento específico. É fazer o intestino funcionar sem esforço.
O objetivo central continua sendo simples: manter fezes macias e evacuação fácil.
Para isso, três pontos fazem diferença real no dia a dia:
- ingestão adequada de água;
- consumo regular de fibras;
- regularidade intestinal.
Frutas, verduras, legumes e grãos integrais ajudam a aumentar o volume e a maciez das fezes.
A água permite que esse processo funcione corretamente. Sem hidratação suficiente, a fibra pode até piorar o ressecamento.
Quando a evacuação ocorre com facilidade, a pressão nas estruturas anais diminui e as crises tendem a ficar menos frequentes.
Quando só a dieta não resolve
Algumas pessoas ajustam a alimentação e, ainda assim, continuam com sangramento, dor ou sensação de algo saindo pelo ânus.
Nesses casos, a doença pode já estar em um estágio que exige avaliação médica.
Hoje existem tratamentos ambulatoriais e cirúrgicos seguros, indicados conforme o grau das hemorroidas.
Conviver com dor por anos tentando apenas “evitar comida” costuma trazer mais frustração do que benefício.
Em resumo
Não existe exatamente uma lista de alimentos que causam hemorroidas.
Na maioria das vezes, o que existe é um intestino funcionando com dificuldade ao longo do tempo. Alguns alimentos apenas revelam ou agravam um problema que já estava em curso.
Quando a evacuação volta a ser fácil e sem esforço, a tendência é que a maioria das crises diminua naturalmente.
Leitura Recomendada: Hemorroidas ou câncer colorretal: quando sintomas parecidos exigem mais atenção
Dr. Alexandre Nishimura
Médico cirurgião-geral, cirurgião robótico e coloproctologista. Membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva, Robótica e Digital (SOBRACIL). Atua com foco em técnicas avançadas e tratamentos de alta precisão.
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