Entre o risco invisível dos agrotóxicos e a força de um escondidinho no prato

Nutricionista explica como os agrotóxicos podem afetar a saúde hormonal feminina e aponta caminhos mais saudáveis por meio da alimentação

A saúde feminina é profundamente influenciada por fatores ambientais, entre eles a exposição crônica a agrotóxicos presentes nos alimentos, na água e no solo.

As mulheres tendem a ser mais vulneráveis a esses compostos por causa do funcionamento do sistema endócrino (o sistema responsável pelos hormônios) e das mudanças hormonais que acontecem ao longo da vida, como na puberdade, durante a gestação, na amamentação e na menopausa.

Além disso, o corpo feminino possui, em média, uma maior quantidade de gordura.

Isso faz com que certas substâncias se acumulem no organismo e permaneçam nele por mais tempo.

Agrotóxicos e saúde feminina: exposição invisível e risco silencioso

Evidências científicas demonstram que a exposição contínua a resíduos de agrotóxicos pode interferir em processos metabólicos, hormonais e imunológicos, impactando diretamente a saúde reprodutiva e geral das mulheres.

Entre os agrotóxicos mais utilizados no Brasil, destaca-se o glifosato, herbicida amplamente aplicado em monoculturas como soja, milho e algodão.

Estudos sugerem associação entre o glifosato e possíveis efeitos de disrupção endócrina, ou seja, alterações no funcionamento hormonal.

Na prática, isso pode interferir na produção e na regulação de hormônios importantes para o corpo feminino, como estrogênio e progesterona.

Essa interferência pode estar associada a alterações do ciclo menstrual, infertilidade, síndrome dos ovários policísticos e maior risco de abortos espontâneos.

Além disso, há evidências que sugerem associação, ainda em investigação, entre a exposição ao glifosato e o aumento do risco de cânceres hormônio-dependentes, como o câncer de mama.

Outros agrotóxicos que também afetam a saúde das mulheres

Outros agrotóxicos relevantes incluem os organofosforados (como malationa e clorpirifós) e os neonicotinoides, que apresentam potencial neurotóxico e efeitos adversos sobre o sistema reprodutivo feminino.

A exposição a esses compostos tem sido associada a possíveis desequilíbrios hormonais, alterações da função tireoidiana, endometriose e complicações gestacionais, como parto prematuro e baixo peso ao nascer.

A exposição pode acontecer não só pela alimentação, mas também no ambiente de trabalho ou no local onde a pessoa vive.

Esse risco é maior para mulheres que vivem em áreas rurais ou próximas a regiões onde há pulverização de agrotóxicos.

Do ponto de vista da saúde pública, a ingestão contínua, ao longo da vida, de pequenas quantidades desses resíduos químicos representa um risco silencioso e cumulativo.

Além disso, a combinação de diferentes agrotóxicos — conhecida como “efeito coquetel” — pode aumentar os danos ao organismo, mesmo quando cada substância, isoladamente, está dentro dos limites considerados seguros.

Esse cenário reforça a importância de adotar estratégias que reduzam a exposição, especialmente em fases mais sensíveis da vida feminina, como a gestação e a lactação.

Agrotóxicos e saúde feminina
Agrotóxicos e saúde feminina / Canva

Do campo ao prato: caminhos para reduzir a exposição

Nesse contexto, iniciativas que promovem o acesso a alimentos livres de agrotóxicos tornam-se fundamentais.

O fortalecimento das Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs), a valorização das feiras orgânicas — como as mapeadas e divulgadas pelo IDEC — e a escolha por alimentos provenientes da biodiversidade brasileira representam estratégias concretas de promoção da saúde feminina.

Além de reduzir a exposição a contaminantes químicos, essas práticas contribuem para a preservação de espécies alimentares tradicionais, evitam a erosão da biodiversidade e geram renda para famílias agricultoras, fortalecendo sistemas alimentares mais justos, sustentáveis e saudáveis.

Podemos obter preparações muito saborosas a partir de alimentos menos conhecidos e orgânicos.

Neste Mês das Mulheres, que também convida ao cuidado e à valorização da saúde, a alimentação consciente ganha ainda mais significado.

A seguir, apresento o escondidinho de mandioca com coração de bananeira, uma receita maravilhosa para compartilhar com as amigas neste momento tão especial.

Essa receita pertence a uma iniciativa incrível chamada Sustentarea.

Receita: Escondidinho de mandioca com coração de bananeira

Ingredientes — Recheio

  • 2 corações de bananeira
  • 6 colheres de sopa de vinagre (qualquer tipo)
  • 1 cebola picada
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 tomate picado
  • Temperos a gosto (sugestão: páprica, cúrcuma, cominho, salsa e coentro)
  • Sal a gosto

Modo de preparo — Recheio

Corte os corações em cubinhos. Em uma panela com água, coloque os corações e metade do vinagre. Ferva por 10 minutos.

Descarte a água e repita todo o processo, escorrendo a água em seguida.

Refogue a cebola, o alho e o tomate. Junte os corações e misture. Adicione os temperos. Espalhe em uma travessa e reserve.

Ingredientes — Cobertura de mandioca

  • 4 mandiocas médias descascadas (aproximadamente 1,5 kg)
  • 1/4 xícara (chá) de azeite
  • 1/2 xícara (chá) de polvilho azedo
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo — Cobertura

Coloque as mandiocas na panela de pressão, cubra com água e cozinhe por 15 minutos.

Reserve a água do cozimento. Em uma tigela, amasse as mandiocas. Adicione o azeite, o polvilho azedo e um pouco da água de cozimento até atingir a consistência de um purê.

Ajuste os temperos. Cubra o refogado de coração de bananeira com o purê e leve ao forno para assar por 30 minutos.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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