Você já comeu serralha? Talvez esteja ignorando um alimento mais nutritivo do que parece

A serralha, pertencente ao gênero Sonchus, especialmente a espécie Sonchus oleraceus, é uma planta alimentícia não convencional (PANC) amplamente distribuída e tradicionalmente utilizada tanto na culinária quanto na medicina popular, sendo reconhecida pelo seu valor nutricional e funcional.

Trata-se de uma hortaliça folhosa de sabor levemente amargo, característica associada à presença de substâncias naturais com ação no organismo, que pode ser consumida crua ou cozida.

Do ponto de vista nutricional, destaca-se pelo seu conteúdo relevante de vitaminas lipossolúveis, como A e K, além de vitamina C e vitaminas do complexo B, e minerais como cálcio, ferro e potássio.

Dessa forma, torna-se uma opção interessante para diversificação alimentar com densidade nutricional elevada.

PANC serralha na saúde digestiva e intestinal

No contexto da saúde digestiva, a serralha apresenta teor significativo de fibras alimentares, contribuindo para o adequado funcionamento intestinal, favorecendo o trânsito intestinal e auxiliando na prevenção da constipação.

Além disso, seu leve amargor estimula a secreção de enzimas digestivas e bile, o que pode otimizar os processos digestivos e a absorção de nutrientes.

Na prática, esse efeito pode ser explorado em estratégias dietéticas voltadas à melhora da dispepsia funcional, caracterizada por desconforto digestivo, e à regulação intestinal.

Serralha e seu potencial antioxidante na saúde

Outro aspecto relevante é o seu potencial anti-inflamatório e antioxidante.

A serralha contém compostos fenólicos, flavonoides e outros compostos naturais produzidos pela planta que atuam na regulação de processos inflamatórios e na neutralização de substâncias associadas ao estresse oxidativo.

Esses mecanismos estão associados à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, como:

  • doenças cardiovasculares;
  • diabetes mellitus tipo 2;
  • condições inflamatórias sistêmicas.

Assim, sua inclusão regular na dieta pode contribuir como um componente de apoio em estratégias nutricionais preventivas.

Do ponto de vista imunológico e dermatológico, o teor de vitamina C e carotenoides presentes na serralha desempenham papel importante na manutenção da integridade do sistema imune e da saúde da pele.

A vitamina A, por exemplo, está diretamente envolvida na diferenciação celular e na manutenção de tecidos epiteliais, enquanto a vitamina C atua na síntese de colágeno e na defesa antioxidante.

Adicionalmente, os minerais presentes, como o ferro, podem contribuir para a prevenção da anemia ferropriva quando associados a uma dieta equilibrada.

PANC serralha na alimentação do dia a dia

Culinariamente, a serralha é bastante versátil e pode ser incorporada em diversas preparações.

Suas folhas jovens podem ser utilizadas cruas em saladas, combinadas com outros vegetais para suavizar o amargor, enquanto as folhas mais maduras são frequentemente refogadas, adicionadas a sopas, omeletes, tortas salgadas e recheios.

Também pode ser utilizada em preparações tradicionais similares ao uso da couve ou da chicória.

Do ponto de vista prático, seu baixo valor calórico aliado ao teor de fibras favorece a saciedade, sendo uma aliada em estratégias de controle de peso.

Dessa forma, a serralha representa não apenas um resgate cultural alimentar, mas também uma ferramenta funcional relevante na nutrição clínica e preventiva.

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Dra. Valéria Paschoal

Nutricionista (CRN-3). CEO da VP Nutrição Funcional e diretora da Faculdade VP. Autora de obras da Coleção Nutrição Clínica Funcional (VP Editora). Coordenadora da Comissão Científica do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF). Atua também na CSA Brasil (Community Supported Agriculture – Comunidade que Sustenta a Agricultura).

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