Apple Watch pode detectar uma crise epiléptica? Estudo investigou

Quem convive com a epilepsia sabe que algumas das maiores preocupações surgem justamente nos momentos em que ninguém está por perto. Uma crise durante o sono ou quando a pessoa está sozinha pode passar despercebida por vários minutos.

Foi para tentar reduzir esse risco que pesquisadores avaliaram um aplicativo criado para o Apple Watch.

A ferramenta conseguiu identificar praticamente todas as crises tônico-clônicas registradas durante o estudo, inclusive todas as que aconteceram durante o sono.

Embora não substitua consultas, exames ou medicamentos, a tecnologia pode representar uma camada extra de segurança para pessoas que convivem com esse tipo de crise.

Por que as crises tônico-clônicas preocupam tanto?

A epilepsia pode se manifestar de diferentes formas. Algumas crises são discretas e passam quase despercebidas. Outras, porém, provocam perda de consciência, rigidez muscular e movimentos involuntários intensos.

As chamadas crises tônico-clônicas estão entre as mais preocupantes porque aumentam o risco de quedas, acidentes e outras complicações.

Além disso, elas estão associadas a um maior risco de morte súbita inesperada relacionada à epilepsia, um evento raro, mas que preocupa médicos e familiares.

Por isso, detectar rapidamente quando uma crise acontece pode ser importante para permitir uma resposta mais rápida de quem está por perto.

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Como o Apple Watch consegue detectar uma crise epiléptica

O aplicativo, chamado EpiWatch, utiliza sensores já presentes no Apple Watch para monitorar movimentos e sinais fisiológicos compatíveis com crises tônico-clônicas.

Quando identifica um padrão suspeito, o sistema pode enviar alertas para familiares ou cuidadores previamente cadastrados.

Uma das vantagens apontadas pelos pesquisadores é que a tecnologia funciona em um relógio inteligente amplamente utilizado no dia a dia, sem exigir dispositivos específicos para epilepsia.

O aplicativo detectou quase todas as crises registradas

Os pesquisadores acompanharam crianças e adultos com histórico de crises tônico-clônicas em unidades especializadas de monitoramento.

Ao longo do estudo, foram registradas 47 crises desse tipo. O aplicativo detectou 46 delas, o equivalente a uma taxa de identificação próxima de 98%.

Os falsos alarmes também foram pouco frequentes, com média de um a cada 12 dias de monitoramento.

Um dos resultados mais relevantes envolveu as crises ocorridas durante o sono. Todas foram identificadas pelo sistema. Os alertas chegaram, em média, cerca de 30 segundos após o início dos episódios.

A tecnologia já pode ser considerada uma solução?

Ainda não.

Os próprios autores ressaltam que o aplicativo não substitui consultas médicas, exames, medicamentos ou o acompanhamento especializado da epilepsia.

Outro ponto importante é que o estudo foi realizado em ambiente hospitalar, onde os participantes permaneceram sob observação contínua.

Isso significa que ainda serão necessários novos estudos para confirmar se os resultados se mantêm na rotina diária.

Mesmo com essa limitação, a pesquisa sugere que dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, podem representar uma camada adicional de segurança para pessoas com maior risco de crises tônico-clônicas.

O estudo foi publicado na revista científica Neurology Open Access e avaliou o aplicativo EpiWatch, desenvolvido para monitorar crises epilépticas por meio do Apple Watch.

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Michele Azevedo

Formada em Letras - Português/ Inglês, pós-graduada em Arte na Educação e Psicopedagogia Escolar, idealizadora do site Escritora de Sucesso, empresária, redatora e revisora dos conteúdos do SaúdeLab.

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