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Ela achou que o colchão causava sua dor nas costas. Era câncer em estágio 4
Kimberley Anderson comprou um colchão novo porque acreditava ter encontrado a explicação para uma dor que vinha incomodando suas costas e seus ombros.
Aos 39 anos, a moradora de Dundee, na Escócia, também estava cada vez mais cansada. Sentia náuseas, havia perdido bastante peso e começou a perceber dores musculares que não costumavam fazer parte de sua rotina.
Ela frequentava a academia e levava uma vida que considerava saudável. Por isso, câncer não foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça.
O problema é que Kimberley já conhecia aquela doença de perto.
Em 2019, ela havia descoberto um caroço na mama esquerda enquanto tomava banho. O diagnóstico foi de câncer de mama em estágio 3.
Vieram então meses de tratamento, com quimioterapia, radioterapia e uma mastectomia com reconstrução da mama esquerda.
No início de 2021, recebeu a notícia de que estava livre do câncer.
Foi quando, segundo ela, conseguiu finalmente colocar aquela fase da vida em segundo plano.
“Eu meio que esqueci o câncer e o deixei no fundo da minha mente”, contou Kimberley à agência britânica Kennedy News & Media
Por isso, quando o corpo começou a dar novos sinais, ela não imaginou que estivesse diante de uma recaída.
O cansaço começou a mudar sua rotina
Em 2023, Kimberley passou a sentir uma fadiga que não parecia normal.
Não era apenas aquele cansaço depois de um dia cheio. Ela chegou ao ponto de precisar dormir durante o dia.
Vieram também náuseas, perda de peso e dores nos ombros e nas costas.
Ainda assim, a explicação parecia estar em outro lugar.
Ela pensou que talvez estivesse apenas envelhecendo. Também suspeitou que o colchão antigo pudesse estar provocando a dor nas costas.
E fez o que muita gente pensaria em fazer. Comprou um colchão novo.
Mas o desconforto continuou.
A situação ficou muito mais séria quando a dor chegou ao pescoço.
Em agosto, o incômodo havia se tornado tão intenso que Kimberley começou a ter dificuldade para respirar e engolir. Dessa vez, não dava mais para esperar que o problema simplesmente desaparecesse.
Ela foi ao pronto-socorro.
Uma tomografia mudou tudo
No hospital, os médicos realizaram uma tomografia.
O exame revelou um tumor de aproximadamente 5 centímetros no pescoço. Mas aquela era apenas uma das descobertas.
Também havia massas na parede do tórax, nos ovários e na glândula adrenal, além de alterações nas costelas.
A explicação para meses de sintomas finalmente apareceu.
O câncer de mama havia retornado e se espalhado para outras partes do corpo. Kimberley recebeu o diagnóstico de câncer de mama metastático, em estágio 4.
A notícia foi devastadora. Ela já tinha enfrentado a doença, terminado o tratamento e acreditado que aquela história havia ficado para trás.
“Comecei a chorar e a gritar para meu companheiro entrar, porque eu realmente não sabia o que fazer ou dizer”, relembrou.
O tratamento recomeçou no mês seguinte. Kimberley passou por cinco sessões de radioterapia direcionadas ao tumor no pescoço e depois fez 12 sessões de quimioterapia.
Mas aquela ainda não seria a última descoberta.

O câncer chegou ao cérebro
Em julho de 2024, Kimberley soube que a doença também havia se espalhado para o cérebro.
Dois meses depois, passou por uma cirurgia para retirar o tumor cerebral.
Hoje, ela continua em tratamento e toma diariamente uma medicação de quimioterapia em comprimidos. Segundo Kimberley, o câncer permanece no organismo, mas está estável e não apresentou crescimento há mais de um ano.
É com essa realidade que ela convive atualmente.
Em vez de se prender às estimativas de sobrevivência que ouviu, prefere concentrar a atenção no tratamento que está funcionando.
“Eu não sou apenas uma estatística. Sou mais forte do que uma estatística”, afirmou.
Quando uma dor parece ter uma explicação simples
A história de Kimberley chama atenção porque os primeiros sintomas poderiam facilmente ser associados a situações comuns.
Dor nas costas pode aparecer depois de uma noite mal dormida. Cansaço pode ser colocado na conta do trabalho. Dor muscular pode parecer consequência da academia.
Até a perda de peso pode passar despercebida quando alguém está tentando mudar os hábitos.
Isso não significa que esses sintomas indiquem câncer.
Na maioria das vezes, dores nas costas ou nos ombros têm causas muito mais comuns e não estão relacionadas a tumores.
O que merece atenção é a persistência ou a combinação de sinais que não costumam fazer parte da rotina daquela pessoa.
No caso de Kimberley, havia uma sequência de mudanças. O cansaço ficou intenso, ela perdeu peso, teve náuseas e passou a sentir dores que não melhoravam.
Depois, apareceu uma dor no pescoço que evoluiu a ponto de dificultar a respiração e a deglutição.
Para quem já teve câncer, qualquer alteração persistente também precisa ser discutida com a equipe que acompanha o tratamento. Não significa viver esperando uma recaída, mas considerar o histórico na hora de investigar algo novo.
É uma diferença importante.
Conhecer o próprio corpo não significa diagnosticar uma doença sozinho. Significa perceber quando alguma coisa mudou e não deixar que uma explicação aparentemente confortável encerre a investigação.
Kimberley espera que outras mulheres façam justamente isso.
Ela defende que elas observem as próprias mamas e procurem atendimento diante de mudanças que chamem atenção, independentemente da idade.
Depois de tudo o que viveu, seu conselho não é para que as pessoas tenham medo de cada dor.
É para que não ignorem aquilo que insiste em dizer que alguma coisa mudou.
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